Segunda, 27 de Julho de 2026 13:24
(xx) xxxxx-xxxx
Brasil LANÇAMENTOS

Ao lançar novos livros, Ceres Costa Fernandes reafirmou por que sua prosa ocupa um lugar singular na tradição escrita brasileira

Em noite de autógrafos no Convento das Mercês, a autora reafirma voz singular, unindo memória, rigor crítico e ternura literária na cena cultural de São Luís.

18/10/2025 09h08 Atualizada há 9 meses atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Editoria do Facetubes c/Mhario Lincoln
Flyer montagem: Ceres Costa Fernandes.
Flyer montagem: Ceres Costa Fernandes.

Editoria-Geral da Plataforma Nacional do Facetubes c/Mhario Lincoln

 

O imortal da Academia Maranhense de Letras, escritor e jurista Daniel Blume, foi incisivo ao falar de sua confreira de AML: "há Seres e há Ceres". Cirúrgico na apreciação,  Blume sabe que escrevendo com precisão de ensaísta, Ceres Costa Fernandes transforma lembranças em pensamento vivo: seu cotidiano, passando por São Luís, vira laboratório de linguagem, onde o rumor das conversas, as teclas do piano doméstico e as marés do Anil se condensam em imagens enxutas, de alta voltagem afetiva. Os relançamentos de “Apontamentos de Literatura Medieval” e “Café Literário” e a estreia de “Contos de Desamor” e o magnífico “De Peixes & Solidão”, foi um evento e um gesto crítico sobre a própria obra. Os títulos dialogam entre si e com o insight de professora, ensaísta e curadora de debates, mostra uma análise vigorosa das formas medievais ao calor da crônica urbana; da microdramaturgia do desamor às fábulas de iniciação onde um menino, a avó e um peixe se tornam alegoria de pertencimento e perda. Por isso, sem dúvida, o efeito, naquele pátio iluminado do Convento das Mercês, foi mostrado todo um esplendor de talento, palavras, afetos e memórias. A começar pelos convidados além de leitores, eram acadêmicos, artistas, críticos, autoridades literárias; e o apoio e acolhimento sentimental (e isso é maravilhoso), de toda a família da imortasl da Academia Maranhense de letras.

Continua após a publicidade

 

O jornalista e editor-sênior desta Plataforma Nacional do Facetubes, ouvido, disse: "Eu queria estar lá. Sem dúvida minha admiração pela escritora Ceres Costa Fernandes é incomensurável. O que mais gosto é a maneira como ela transfere o que tateia com seus olhos para a folha de papel que compõe seus textos. Absorve elementos quase imperceptíveis e os transforma numa linguagem dinâmica e fácil de ler. Fica assim impossível 'deixar pra mais tarde', a continuidade da leitura de seus livros. Aliás, vale dizer que poucas escritoras me deixam tão à vontade ao ler suas obras. Ceres ainda faz isso: deixa o leitor à vontade, inclusive, na tiragem de suas próprias conclusões. Enfim: é magnífica (...)".

 

PH Revista. (01)

Mhario Lincoln tem razão. Porque Ceres é crítica de formação sólida. Ela leva para a página uma inteligência comparatista rara: lê Saramago como quem desmonta um relógio (“O narrador plural na obra de José Saramago”, 1990), atravessa cantigas, teatro e historiografia nos “Apontamentos de Literatura Medieval” (2000), e alterna o ensaio de ideias com o pulso narrativo de “O último pecado capital & outras histórias” (2000) e “Surrealismo & loucura e outros ensaios” (2008). Esse duplo registro dá às crônicas uma dicção inconfundível. É uma memória pessoal convertida em reflexão pública, frase lapidada sem exibicionismo e uma imagem firme da tradução hermenêutica dela mesma. Assim, seu trabalho como mediadora cultural, como no projeto "Café Literário", quando dirigiu o Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, selou a vocação de ponte entre Academia e rua, fazendo da conversa um método crítico e do encontro um ato de edição da cidade.

 

PH Revista (02)

Não por acaso, a biografia institucional confirma a autoridade conquistada. É membro da Academia Maranhense de Letras, Cadeira 39, professora emérita da UFMA (2020) e um arco de distinções que inclui a Medalha do Mérito Timbira (Governo do Maranhão), Odorico Mendes (AML), Laura Rosa, as medalhas do IV Centenário/400 anos de São Luís e as “Palmas Universitárias” da UFMA, sinais de uma carreira que nunca confundiu consagração com conforto, mas a tomou como responsabilidade estética. Ao relançar “Café Literário – Memória”, ela reinscreve a cidade no seu repertório de conversas; ao trazer “Contos de Desamor” e “De Peixes & Solidão”, refaz o fio da ficção para testar, de novo, a amplitude do afeto e a gramática da perda. É literatura de rigor e ternura. Uma escrita que observa finamente, ousa as passagens entre gêneros e entrega ao leitor, "(...) sem ruído, a vibração ética do detalhe", como lembrou Mhario Lincoln. 

Continua após a publicidade

 

Ceres & Luis Augusto

Quanto à noite de autógrafos, (como mostram as páginas assinadas por Pergentino Holanda, em "O Estado do Maranhão", (vide fotos 01 e 02), apoiada por instituições culturais maranhenses, deu a medida desse acontecimento. São Luís recebeu quatro livros, mas viu sobretudo a continuidade de um projeto onde a autora, que coleciona prêmios e cátedras, permanece fiel ao seu gesto inaugural, o de escutar a cidade e devolvê-la em texto. Isto é, quem lê Ceres escuta ritmo antes de argumento. Ao ler os livros, sem dúvida, terá a impressão de que a literatura, aqui, ainda sabe ser clara sem ser difícil, íntima, sem ser menor; pública, sem perder delicadeza. 

Foto: Ceres Costa Fernandes e Luis Augusto Guterres, colaborador da Plataforma Nacional do Facetubes. 

 

----------------------

Fontes: Imirante (lançamento e obras), blog de Daniel Matos (relato crítico da noite), AML/Wikipedia (trajetória e prêmios), UFMA (professora emérita e distinções), UFSC – Biblioteca Digital (referências editoriais), Amazon (catálogo de obras).

Continua após a publicidade

----------------------

 

VÍDEO-BÔNUS

Torna-se impossível não rememorar a entrevista fascinante que Ceres Costa Fernandes concedeu ao competente William Amorim, âncora do ENTRELETRAS (TVUFMA), o mais autêntico canal televisivo do Maranhão, com excelente programação. Parabéns à UFMA e a seus idealizadores.

 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Maria Celeste Saldanha CuryHá 9 meses atrásMoro em Lisboa, Portugal. Mas sou de Chapahinha-MACeres, você é simplesmente ESPETACULAR. Sem elogios fáceis, porque é a mais pura verdade. Lembro de Carl Rogers: “entender, não é avaliar". Vale refletir: "O elogio fácil não deve existir antes da compreensão profunda: reconhecer a pessoa em seus valores, limites e contexto. Por isso, é importante entender a essência, que pede escuta atenta, suspensão de juízo e empatia; o aplauso vazio não orienta nem transforma". Por isso, Ceres, merecidamente, muitas palmas.
Aluizio Dantas, livreiro. Teresina PIHá 9 meses atrásPiauiQuem quiser conhecer e ler os ensaios sobre a loucura, é bom fazer logo. Esse livro está citado nos catálogos e perfis institucionais e está na bibliografia oficial da Academia Maranhense de Letras e em entrevistas/perfis recentes.
Luiza MacárioHá 9 meses atrásSalvador BACeres, dona Zozoca deve estar muito feliz em ver a neta receber tantos louros. Eu também.
Marluce Soares da Fonseca LimaHá 9 meses atrásBrasília DFO grande jornalista e poeta Mhario Lincoln foi imensamente feliz quando escreveu sobre Ceres: "O que mais gosto é a maneira como ela transfere o que tateia com seus olhos para a folha de papel que compõe seus textos". Em poucas palavras ratifica o que meu amigo Blume resumiu: "Há Seres e há Ceres..." Então me diga. É ou não é esta Plataforma o máximo atual da cultura brasileira?
Maria dos anjos PenudiHá 9 meses atrásSanta CatarinaA sua ideia, professora Ceres, de adocicar o significado da morte com crônicas cheias de humor com o tema cemitério, velório etc, deu frutos. A médica e escritora Ana Claudia Quintana Arantes lançou seu primeiro livro infantil, “O céu é de verdade?”, que aborda a morte e o luto para crianças a partir dos 6 anos.
Mostrar mais comentários
Mostrar mais comentários
Curitiba, PR
Atualizado às 13h01
23°
Tempo limpo

Mín. 12° Máx. 23°

23° Sensação
2.68 km/h Vento
68% Umidade do ar
0% (0mm) Chance de chuva
Amanhã (28/07)

Mín. 13° Máx. 26°

Tempo limpo
Quarta (29/07)

Mín. 16° Máx. 27°

Tempo limpo
Ele1 - Criar site de notícias