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Ao lançar novos livros, Ceres Costa Fernandes reafirmou por que sua prosa ocupa um lugar singular na tradição escrita brasileira

Em noite de autógrafos no Convento das Mercês, a autora reafirma voz singular, unindo memória, rigor crítico e ternura literária na cena cultural de São Luís.

18/10/2025 às 09h08 Atualizada em 18/10/2025 às 16h26
Por: Mhario Lincoln Fonte: Editoria do Facetubes c/Mhario Lincoln
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Flyer montagem: Ceres Costa Fernandes.
Flyer montagem: Ceres Costa Fernandes.

Editoria-Geral da Plataforma Nacional do Facetubes c/Mhario Lincoln

 

O imortal da Academia Maranhense de Letras, escritor e jurista Daniel Blume, foi incisivo ao falar de sua confreira de AML: "há Seres e há Ceres". Cirúrgico na apreciação,  Blume sabe que escrevendo com precisão de ensaísta, Ceres Costa Fernandes transforma lembranças em pensamento vivo: seu cotidiano, passando por São Luís, vira laboratório de linguagem, onde o rumor das conversas, as teclas do piano doméstico e as marés do Anil se condensam em imagens enxutas, de alta voltagem afetiva. Os relançamentos de “Apontamentos de Literatura Medieval” e “Café Literário” e a estreia de “Contos de Desamor” e o magnífico “De Peixes & Solidão”, foi um evento e um gesto crítico sobre a própria obra. Os títulos dialogam entre si e com o insight de professora, ensaísta e curadora de debates, mostra uma análise vigorosa das formas medievais ao calor da crônica urbana; da microdramaturgia do desamor às fábulas de iniciação onde um menino, a avó e um peixe se tornam alegoria de pertencimento e perda. Por isso, sem dúvida, o efeito, naquele pátio iluminado do Convento das Mercês, foi mostrado todo um esplendor de talento, palavras, afetos e memórias. A começar pelos convidados além de leitores, eram acadêmicos, artistas, críticos, autoridades literárias; e o apoio e acolhimento sentimental (e isso é maravilhoso), de toda a família da imortasl da Academia Maranhense de letras.

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O jornalista e editor-sênior desta Plataforma Nacional do Facetubes, ouvido, disse: "Eu queria estar lá. Sem dúvida minha admiração pela escritora Ceres Costa Fernandes é incomensurável. O que mais gosto é a maneira como ela transfere o que tateia com seus olhos para a folha de papel que compõe seus textos. Absorve elementos quase imperceptíveis e os transforma numa linguagem dinâmica e fácil de ler. Fica assim impossível 'deixar pra mais tarde', a continuidade da leitura de seus livros. Aliás, vale dizer que poucas escritoras me deixam tão à vontade ao ler suas obras. Ceres ainda faz isso: deixa o leitor à vontade, inclusive, na tiragem de suas próprias conclusões. Enfim: é magnífica (...)".

 

PH Revista. (01)

Mhario Lincoln tem razão. Porque Ceres é crítica de formação sólida. Ela leva para a página uma inteligência comparatista rara: lê Saramago como quem desmonta um relógio (“O narrador plural na obra de José Saramago”, 1990), atravessa cantigas, teatro e historiografia nos “Apontamentos de Literatura Medieval” (2000), e alterna o ensaio de ideias com o pulso narrativo de “O último pecado capital & outras histórias” (2000) e “Surrealismo & loucura e outros ensaios” (2008). Esse duplo registro dá às crônicas uma dicção inconfundível. É uma memória pessoal convertida em reflexão pública, frase lapidada sem exibicionismo e uma imagem firme da tradução hermenêutica dela mesma. Assim, seu trabalho como mediadora cultural, como no projeto "Café Literário", quando dirigiu o Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, selou a vocação de ponte entre Academia e rua, fazendo da conversa um método crítico e do encontro um ato de edição da cidade.

 

PH Revista (02)

Não por acaso, a biografia institucional confirma a autoridade conquistada. É membro da Academia Maranhense de Letras, Cadeira 39, professora emérita da UFMA (2020) e um arco de distinções que inclui a Medalha do Mérito Timbira (Governo do Maranhão), Odorico Mendes (AML), Laura Rosa, as medalhas do IV Centenário/400 anos de São Luís e as “Palmas Universitárias” da UFMA, sinais de uma carreira que nunca confundiu consagração com conforto, mas a tomou como responsabilidade estética. Ao relançar “Café Literário – Memória”, ela reinscreve a cidade no seu repertório de conversas; ao trazer “Contos de Desamor” e “De Peixes & Solidão”, refaz o fio da ficção para testar, de novo, a amplitude do afeto e a gramática da perda. É literatura de rigor e ternura. Uma escrita que observa finamente, ousa as passagens entre gêneros e entrega ao leitor, "(...) sem ruído, a vibração ética do detalhe", como lembrou Mhario Lincoln. 

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Ceres & Luis Augusto

Quanto à noite de autógrafos, (como mostram as páginas assinadas por Pergentino Holanda, em "O Estado do Maranhão", (vide fotos 01 e 02), apoiada por instituições culturais maranhenses, deu a medida desse acontecimento. São Luís recebeu quatro livros, mas viu sobretudo a continuidade de um projeto onde a autora, que coleciona prêmios e cátedras, permanece fiel ao seu gesto inaugural, o de escutar a cidade e devolvê-la em texto. Isto é, quem lê Ceres escuta ritmo antes de argumento. Ao ler os livros, sem dúvida, terá a impressão de que a literatura, aqui, ainda sabe ser clara sem ser difícil, íntima, sem ser menor; pública, sem perder delicadeza. 

Foto: Ceres Costa Fernandes e Luis Augusto Guterres, colaborador da Plataforma Nacional do Facetubes. 

 

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Fontes: Imirante (lançamento e obras), blog de Daniel Matos (relato crítico da noite), AML/Wikipedia (trajetória e prêmios), UFMA (professora emérita e distinções), UFSC – Biblioteca Digital (referências editoriais), Amazon (catálogo de obras).

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VÍDEO-BÔNUS

Torna-se impossível não rememorar a entrevista fascinante que Ceres Costa Fernandes concedeu ao competente William Amorim, âncora do ENTRELETRAS (TVUFMA), o mais autêntico canal televisivo do Maranhão, com excelente programação. Parabéns à UFMA e a seus idealizadores.

 

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Maria Celeste Saldanha CuryHá 8 meses Moro em Lisboa, Portugal. Mas sou de Chapahinha-MACeres, você é simplesmente ESPETACULAR. Sem elogios fáceis, porque é a mais pura verdade. Lembro de Carl Rogers: “entender, não é avaliar". Vale refletir: "O elogio fácil não deve existir antes da compreensão profunda: reconhecer a pessoa em seus valores, limites e contexto. Por isso, é importante entender a essência, que pede escuta atenta, suspensão de juízo e empatia; o aplauso vazio não orienta nem transforma". Por isso, Ceres, merecidamente, muitas palmas.
Aluizio Dantas, livreiro. Teresina PIHá 8 meses PiauiQuem quiser conhecer e ler os ensaios sobre a loucura, é bom fazer logo. Esse livro está citado nos catálogos e perfis institucionais e está na bibliografia oficial da Academia Maranhense de Letras e em entrevistas/perfis recentes.
Luiza MacárioHá 8 meses Salvador BACeres, dona Zozoca deve estar muito feliz em ver a neta receber tantos louros. Eu também.
Marluce Soares da Fonseca LimaHá 8 meses Brasília DFO grande jornalista e poeta Mhario Lincoln foi imensamente feliz quando escreveu sobre Ceres: "O que mais gosto é a maneira como ela transfere o que tateia com seus olhos para a folha de papel que compõe seus textos". Em poucas palavras ratifica o que meu amigo Blume resumiu: "Há Seres e há Ceres..." Então me diga. É ou não é esta Plataforma o máximo atual da cultura brasileira?
Maria dos anjos PenudiHá 8 meses Santa CatarinaA sua ideia, professora Ceres, de adocicar o significado da morte com crônicas cheias de humor com o tema cemitério, velório etc, deu frutos. A médica e escritora Ana Claudia Quintana Arantes lançou seu primeiro livro infantil, “O céu é de verdade?”, que aborda a morte e o luto para crianças a partir dos 6 anos.
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