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Site “Notícias da Região Tocantina” publica texto de Mhario Lincoln sobre sua terra natal

Agradecimentos a Marcos Fábio Belo Matos e José Neres pela deferência.

09/11/2025 às 19h47 Atualizada em 09/11/2025 às 20h06
Por: Mhario Lincoln Fonte: Orquídea Santos.
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Arte: mhl/ginAI
Arte: mhl/ginAI

Matéria publicada no site "Notícias da Região Tocatina".

 

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Acesse: https://regiaotocantina.com.br/

 

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MINHA SÃO LUÍS MARCIANA

*Mhario Lincoln, presidente da Academia Poética Brasileira

 

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Nas profundezas da caverna de Platão, suscito memórias da serpente encantada, onde sombras imperceptíveis dançam como verdades absolutas. Meu rastejar transformou minha alma inocente em um rinoceronte de vidro, diante da travessia insana das águas do Boqueirão, nas chuvas de abril. Mesmo assim, ó glorioso Santo Antonio, minha alma anseia por São Luís e por solfejar nessa terra de lendas e murmúrios ludovicenses.


Porque ainda ouço os tambores do bairro da Liberdade, do Beco das Minas, do arrastar das sandálias de Jorge da Fé em Deus, no grosso ladrilho português do terreiro. O som limado ressoa como o próprio pulsar do coração da ilha, nas madrugadas de verão a pino, incorporando orixás, através da ‘orin’ compassada, entre o ontem e o hoje.


E quando aumenta a briga por espaço entre a nuvem chuvosa e o clarão lunar, aparecem silhuetas da serpente encantada de d’antes, agora, por sob a Fonte do Ribeirão. Ela desliza silenciosa pelas minhas únicas memórias e me amarra com ‘nós’ de marinheiros, perdidos na escuridão da noite ufológica da Ilha dos Caranguejos, sob o riso abusivo das ladeiras-pedregulhas, ensopadas pelo limo verde, musgo de antanho.

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E os poetas continuam cruzando romanticamente com os paralelepípedos; esses, sangraram sob os pés dos escravos, porque a tradição imperiosa molda o modo de vida, sempre exigente, como o mar que invade a cidade com o cheiro salobro da Princesa Ina e seus vassalos, verdadeiros feromônios do prazer, embutidos nas lendas da tarde noite, no Cais da Sagração.


Ainda bem que vivi intensamente a Praça dos Amores. Lá fui testemunha inconteste do florescer da poesia inocente, sob a lua fogosa, espraiando-se por sobre o Rio Anil, murmurante e ansioso por fazer espumas de gozo. Lá, também, grandes poetas sentaram inertes e, como ‘voyeur’, assistiram ao pedido de casamento da lucidez com a traição. Aliás, quantas vezes a lua se tornou amante dos poetas?


Depois, meus olhos subiram a rua dos Remédios e desceram pela rua do Sol. Desembocaram silenciosos ao lado de João Lisboa, que imediatamente tornou-o arauto do infindável amor da Ilha pelos versos da brisa noturna. Lá à frente, os bondes, sob trilhos barulhentos de ligas de aço, acendiam fagulhas para maestrar harmonicamente atos nupciais de sabiás e naufrágios, com misturas aleatórias das serenatas e de coros serpentários do Coral São João.

 

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"Notícias da Região Tocantina".

Mas, fez-se silêncio a madrugada empírica para guardar segredos da boemia, espargidos pela Rua 28 de Julho. Consequentemente, São Luís começou a viver insônias poéticas, gritando dores pela voz de Nauro Machado, protestando alhures com Carlos Cunha, metamorfoseando-se nas palavras de Erasmo Dias, ressuscitando modernismo com o equinócio de Luis Augusto Cassas somando-se ao réquiem para os mortos-vivos de Raimundo Fontenele. Resultados, talvez, do milagre de Guaxenduba, do cadafalso para Manoel Beckman: cicatrizes na alma da cidade perpetuamente sob o domínio febril e indomável de Ana Jansen.

 

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Sim! Existiu uma época de revoluções, como a Greve de 51, a da meia-passagem ou evoluções, como a musical do imensurável Chiquinho França e a efervescência autêntica da Madre Deus, que insistiram mudar a história. Wellington, Bucão, Godão: ecos que reverberam até hoje, para diminuir o luto da explosão do bólido “Maria Celeste”. Da mesma forma, o urro do cantador Coxinho rompeu o silêncio melódico do pesado batalhão, forçando livrar-se do umbral de ferro do Cemitério do Gavião.


Ainda ouço, enfim, o desengasgo lúdico do padre Antônio Vieira, da tribuna antonina eterna, proclamando verdades que transcendem peixes e homens. Ó, São Luís, espelho das sombras e luzes da caverna, és a alegoria da minha existência, um costurar de saudades que habitam o labirinto do meu ser: este, nunca realmente revelado.

 

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Cacá DimasHá 7 meses São Luís Ma "Ainda ouço, enfim, o desengasgo lúdico do padre Antônio Vieira, da tribuna antonina eterna, proclamando verdades que transcendem peixes e homens". Infelizmente Vieira se foi e os peixes ficaram nas águas cores ao redor da Ilha.
Luis Carlos AyoubHá 7 meses Piracicaba SPÉ o Marcos Fábio da Univeridade? Se for, trabalhamos juntos quando morava em São Luís.
José de Ribamar Soares CostaHá 7 meses São Luís Maranhão Cláudio posso meter a colher? É que tu nao moras mais aqui. Se morasse iria saber que o Mhario Lincoln tem muito prestígio aqui na terra dele e onde ele.mora agora...ele é querido... tem algumas pessoas ( e eu sei quem são) que olham enviesado. Todo mundo que faz sucesso tem seus contrários. E isso é que equilibra as ações. Ele não liga. Faz um trabalho sem pensar nessas coisas. Acho que é o segredo do sucesso dele. E na dele. Risoss
Claudio Pinto Soeiro (Moro na Itália, há 18 anos).Há 7 meses Nápoles ITCaro Mhario. Há algum tempo venho lendo a Plataforma do Facetubes. Que tu eras um bom jornalística, isso eu já sabia desde a época das colunas sociais diferenciadas. Mas que tu se tornou um intelectual de primeiríssima linha isso me surpreendeu bastante. Porque, um homem de tnda tua idade, financeiramente estável, continuar a fazer esse trabalho muito grande (sem esperar nenhum reconhecimento). Isso surpreende. Se tu fazes não por reconhecimento, nem grana, então é VERDADEIRO! Sou Maranhense.
Luis Carlos SandanhaHá 7 meses Brasília DFProf Juliano é que pintam São Luís como a Cidade dos Sonhos, mas está mais para o Planeta do Pequeno Príncipe. A inocência só pode imperar na minha cidade. Inocencia essa que não enxerga que acabaram com a Cultura, literalmente, acabaram com as praias. Literalmente, acabaram com o sorriso do povo, Literalmente acabaram com a paz das cadeiras nas calçadas. Literalmente. Acabaram com os nobres poetas. Acabaram com a música genuinamente maranhense, acabaram os rádios regionais. A cidade morreu.
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