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“SEGUNDA POÉTICA já é referência entre os bons poetas do Brasil”

A frase foi dita pelo articulista literário do Rio Grande do Sul, jornalista decano Sérgio Gilbran.

10/11/2025 às 18h22 Atualizada em 10/11/2025 às 19h04
Por: Mhario Lincoln Fonte: Segunda Poética Poético
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Arte: mhl-Ginai
Arte: mhl-Ginai

 

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SEGUNDA POÉTICA

ANNA LIZ - Maranhão.

 

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1 -ANNA LIZ

O poema de Anna Liz nasce do limite. Da fadiga que pede colo, o pranto que promete conter-se. Em três movimentos curtos, a voz poética desenha um mapa de exaustão sem grito, com uma contenção que, paradoxalmente, amplia o impacto. A linguagem é enxuta, sem adornos; cada verso carrega a exatidão de quem sabe que, diante da dor, as palavras só servem se não sobram. É essa precisão que confirma a beleza do poema e a facilidade lírica de Anna Liz.

 

UMA MULHER MORRENDO

(Anna Liz)

 

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estou cansada!

deixa-me repousar em teu colo.

prometo não chorar.

o choro queima minha face

e dentro de mim tudo é frio

nem em meus sonhos

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há leveza, brandura.

só vejo anjos quando,

exausta, cerro meus olhos.

****

 

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Elle Marques (Santa Inês-Ma)

2 – ELLE MARQUES

Nos versos de Elle Marques, a poesia se apresenta como uma órbita mansa e contínua, como um universo ligado à eternidade que acolhe amizade, carinho, saudade e amor. A enumeração breve, respirada, cria uma cadência de uma catarse íntima, onde cada palavra é passo íntimo (mas sem excesso e sem ruído). Ao dizer que “nunca se engasga”, o poema declara seu próprio método: linguagem clara, aroma de inspiração, nada que fira a paixão. O fecho — “cortejo gentil do coração” — funciona como imagem-síntese e assinatura afetiva da própria poesia que conduz, acompanha e celebra. É beleza de discretas intensidades, feita de proximidade e verdade.

 

Cortejo gentil

    Por Elle Marques

 

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A poesia é universo

ligado à eternidade

guarda sempre

a amizade,

o carinho,

a saudade e

o amor

É uma profusão

de versos e

de palavras

com as quais o leitor

nunca se engasga

pois tem o aroma

da inspiração

jamais ofende

a paixão, é

cortejo gentil

do coração.

***

 

Monica Puccinelle - Curitiba-PR

3 - MONICA PUCCINELLI

Nos versos de Monica Puccinelli, a chuva cai como metáfora das “lágrimas da história”, convocando o leitor a medir o descompasso entre o avanço técnico e a maturidade do espírito. Enquanto a humanidade ergue ciência e progresso, o poema pergunta pelo que falta. E isso é claro, como o cuidado do “eu”, a responsabilidade pelo próximo, o sentido da passagem pela terra. Assim, o dia chuvoso suspende o ruído do mundo e abre espaço para a pergunta essencial

— “a que viemos?”.

A voz poética sugere que a resposta não é espetáculo, mas dever silencioso de reconhecer o que nos compete cumprir, unir consciência e ação, e orientar o coração para Deus.

 

CHOVE

Monica Puccinelli

 

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Chove… na terra,

são lacrimas da

história da humanidade.

Cegos construímos

tecnologia, progressos

na ciência, aparentemente

estamos evoluindo mas…

nós, o nosso eu espiritual

que maturidade emocional

carregamos nesta passagem 

pela terra, o que fazemos por

nós, pelo próximo, qual é

nossa tarefa a cumprir…

sabemos o que nos compete,

a que viemos?

Nada melhor que um dia

de chuva para nós questionamos

e…buscarmos a resposta que o

a nós é a Deus, devemos

****

 

 

Natércia Garrido/Doutorado USP

4 - Natércia Moraes Garrido

 

O poema organiza-se em pares tensionados: nada/tudo, dor/cores, luz/esconder, ver/pensar. Esses contrastes não se anulam; geram um campo de força onde a experiência se reconhece ao mesmo tempo que a economia verbal — versos curtos, substantivos essenciais, verbos precisos — cria pausas que funcionam como respirações de consciência. “Refletiu a luz, fugiu”, na verdade, captura a natureza elusiva do instante. Ou seja, a realidade aparece e, no mesmo gesto, se retrai. Quando Natércia Moraes Garrido afirmar que “a razão encontrou sua dona”, o texto dá um passo decisivo, porque não é a razão que domina o sujeito, é o sujeito que se torna titular da razão. Muito bom isso.

 

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NADA

Natércia Moraes Garrido

 

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Era o nada.

Era o tudo que queria.

Que acreditava.

Era tanta dor...

Eram tantas cores...

Refletiu a luz, fugiu, mas o

pensamento restou.

A razão encontrou sua dona.

Os olhos viram o que a luz

escondeu.

******

 

 

Daniel Maurício-Paraná.

5 – DANIEL MAURÍCIO

Nos “origamis de palavras” de Daniel Maurício, a forma mínima carrega gesto amplo. O primeiro dobra o clima: “Fim de estiagem… / Mansamente / A chuva beija o telhado.” Há uma kigo clara (estiagem/chuva) e um corte que instala o instante — o som do telhado substitui a narrativa. Bem à propósito, mínimas palavras guardam imensa densidade. O advérbio “mansamente” regula o andamento, a imagem do “beijo”. No segundo, “as rendas / bordadas pelo tempo” deslocam o olhar do ornamento para a duração da própria vida, que “revela seus segredos” sem estardalhaço, como quem levanta um véu. O terceiro origami é sinestésico e preciso: “Na penteadeira da noite” aninha a cena no íntimo, enquanto “folhagens iluminadas” “se perfumam ao luar”. Lindo essa imagem de perfume de luz. Uma espécie de mistura botânica, quarto e céu. (Incrível simbolismo).

 

ORIGAMES DE PALAVRAS

Daniel Maurício

 

Fim de

estiagem…

 

Mansamente

 

A chuva beija o

telhado.

 

*

 

Com as rendas

 

Bordadas pelo

tempo

 

A vida revela os

seus segredos.

 

*

 

Na penteadeira

da noite

 

As folhagens

iluminadas

 

Se perfumam ao

luar.

 

 

 

Joizacawpy Costa/S.Luís-MA.

6 – JOIZACAWPY COSTA

 

O poema “Quem Será?”, de Joizacawpy Costa, já nasce com pulsação melódica e com profusão de imagens nítidas, versos respirados, refrões naturais (“Águas calmas no córrego…”) e uma cadência de espera que oscila entre rio e mar. Chiquinho França e Mhario Lincoln perceberam nessa beleza de lírica, uma letra para uma trilha musical que por si só, já estava pronta. E foi a partir de versos como “o colibri, o bem-te-vi, a canoa e o pescador” como que se formasse uma orquestra de símbolos, a música foi construída. Tudo, pela grande sensibilidade da autora. Uma prova de que na música, a brisa que “afaga os cabelos” vira dinâmica, a pausa vira síncope, e a “espera”, companhia e consolo. 

Foi assim que Chiquinho e Mhario traduziram essa delicadeza de letra, sem perder a clareza do conjunto de sentimentos do poema, pois deixaram a palavra respirar, dando passagem sonora para o tempo da maré. (O vídeo está abaixo)   

 

QUEM SERÁ?

Joizacawpy Costa

 

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Amanheceu e eu aqui

Pés no chão descalça

A espera do meu amor

Um amor que demora chegar.

Quem será o meu amor

Um colibri faceiro

Ou um bem-ti-vi cantor

Um animal guerreiro.

 

Águas calmas no córrego

Mar a vista logo à frente

Canoa já no leito

Pescador solitário a deslizar o leme.

 

Do mar ao rio

Ou do rio ao mar

Vento afaga meus cabelos

E pede para esperar.

 

Águas calmas no córrego

Mar a vista logo a frente

Canoa já no leito

Pescador solitário a deslizar o leme

 

Se virá não sei

Amar-me também pouco sei

A espera é minha companhia

Para aliviar a minha agonia

  ****

 

VÍDEO-BÔNUS

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Antonio QueirozHá 7 meses São Paulo SPParabéns aos poetas e às poetas pelo encanto de seus trabalhos. Sigam com esse vigor literário que abrilhanta nossos horizontes.
Maria Nauza Luza Martins Há 7 meses Brasília Sensacional reportagem exaltando talentosas poetas. Parabéns a todos os envolvidos. Salve salve!
Joizacawpy Há 7 meses São Luís Gratidão já nem cabe no tamanho das minhas emoções. O Facetubes e a APB se fizeram morada em mim, um lugar onde sinto conforto, acolhida e força para continuar. Um agradecimento muito especial ao meu grande amigo Mhario Lincoln.
Élle Marques, Escritora e Poeta brasileiraHá 7 meses MaranhãoQue preciosidade figurar com singelo poema de minha autoria entre um mar de talentos poéticos. Mhario Lincoln, sua apresentação literária me emocionou profundamente, seu texto amplifica as intenções do poeta e o sentido dos versos, reverberando na "assinatura afetiva da própria poesia"... e poesia é você também nos preâmbulos do "cortejo gentil"!
Monica Puccinelli Há 7 meses Curitiba Paraná Brasil Confrades, conferirá, estar no mundo da poesia e um presente de Deus a cada um de nós,a poesia nós dá a possibilidade de amenizar as dores, vestir de esperanças todas as dores,sem esquecer a Fé que nos indica as melhores direções. Obrigada Mestre muito amado, Mhario Lincoln, grata por tudo quevc faz por cada um de nós
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