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INCENTIVO À LEITURA: o papel da Feira Literária de Itapecuru Mirim nesse contexto

Essa crônica é de grande importância ao incentivo dessas manifestações culturais que não deixam um dos grandes legados maranhenses morrerem.

11/11/2025 às 10h19 Atualizada em 11/11/2025 às 11h10
Por: Mhario Lincoln Fonte: Joseane Souza
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Joseane Souza, Gestora CCJM
Joseane Souza, Gestora CCJM


Joseane Souza
Bibliotecária, Mestranda em Políticas Públicas – UFMA
Gestora da CCJM


As feiras ou festas literárias — como são comumente denominados os eventos voltados principalmente para os livros e a leitura — são espaços em que o mundo da leitura ganha vida. São idealizadas como grandes celebrações para os amantes dos livros, da literatura e da leitura, e em alguns casos se ampliam para as artes, a música e a cultura em geral, reunindo pessoas de todas as idades em um mesmo lugar, bebendo da fonte inesgotável do conhecimento: o livro.


As feiras de livros desempenham um papel fundamental na promoção da leitura, pois criam um espaço de imersão cultural dinâmico, no qual o público — especialmente crianças e jovens — tem a oportunidade de se aproximar dos livros e dos autores de maneira interativa e prazerosa. Esses eventos contribuem para o desenvolvimento do imaginário, a difusão do conhecimento e o fortalecimento do senso de comunidade, além de evidenciarem que a leitura é uma prática plural e enriquecedora, que vai muito além de uma simples obrigação escolar.

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Isso é o que acontece há oito anos na cidade de Itapecuru Mirim, com a Festa Literária de Itapecuru Mirim – FLIM, evento realizado pela Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes – AICLA, com apoio da Prefeitura Municipal, por meio de suas Secretarias de Educação, Saúde, Igualdade Racial e diversos parceiros institucionais, como o SESC, a Secretaria de Cultura do Estado, através da Casa de Cultura Josué Montello e da Biblioteca Pública Benedito Leite, entre outros, que contribuem significativamente com o evento.


Nos dias 5, 6, 7 e 8 de novembro, a Praça Gomes de Souza, na cidade de Itapecuru Mirim, se transformou em um palco repleto de atrações literárias e culturais, recebendo centenas de pessoas durante os quatro dias de festa. O ponto alto da programação deste ano foi a presença do cantor maranhense de renome Zeca Baleiro, que também é escritor. Ele participou de uma roda de conversa em homenagem ao músico itapecuruense Nonato Buzar, juntamente com o cantor Gerude e o Sr. Antônio José do Nascimento, amigo pessoal do homenageado. A atividade foi mediada pelo historiador Marcus Saldanha e, em seguida, Zeca Baleiro brindou o público com uma sessão de autógrafos de seu livro Memórias do Estaleiro. Na noite de abertura, presenteou a todos com um belíssimo show musical com sua banda. A música faz parte da FLIM desde sua primeira edição, valorizando os artistas locais.


Seguindo com a programação, enfatizamos a importância das palestras, rodas de conversa, contações de histórias, oficinas e lançamentos de livros que aconteceram durante os quatro dias de festa. Essas atividades contribuem para a criação do hábito da leitura. Imagine os adultos, jovens e crianças que participaram dessa programação: os conteúdos abordados, as discussões geradas, as inquietações despertadas — tudo isso tende a se solidificar.


Um exemplo foi a palestra “O Rio Itapecuru como cenário da literatura maranhense”, proferida pelo Prof. Dr. Dino Cavalcante, da UFMA. Sem dúvida, após a palestra, muitos se sentiram estimulados a buscar os autores apresentados e ler suas obras. A roda de conversa com a Prof.ª Dr.ª Gabriela Santana e Marcus Saldanha, em homenagem aos 90 anos do poeta Nauro Machado, também despertou curiosidade: quantos conheciam o poeta? Quantos podem dizer que o conhecem a partir dessa palestra?


O mesmo ocorreu com a homenagem às escritoras maranhenses Dagmar Desterro e Conceição Aboud, mediada pela bibliotecária Aline Nascimento (gestora da BPBL) e pelo escritor José Neres, da AML.


Destaca-se ainda a participação do Colégio Leonel Amorim, com a apresentação de um trabalho realizado em sala de aula e coordenado pelo Prof. Brenno Bezerra, sobre o romance Os Tambores de São Luís. Houve também o lançamento da edição especial de 50 anos da obra, apresentado por mim e a bibliotecária Wanda França (CCJM), seguido da apresentação da atriz Linda Barros, interpretando Donana Jansen em um texto adaptado pelo Prof. José Neres, inspirado no encontro do Damião e Donana Jansen narrado no romance.

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O espaço da Flimzinha, que oportuniza o contato das crianças com a literatura infantil, promoveu a arte da contação de histórias realizada por vários profissionais, que levaram a literatura de forma lúdica, leve e divertida, fazendo com que o público interagisse e saísse de lá com vontade de querer mais e mais.


O papel das instituições educacionais e culturais também se fez presente com a exposição de projetos, acervos literários e culturais e experiências tecnológicas nos 16 estandes montados na FLIM. A Tenda das Artes contou com a presença de artistas locais, apresentando suas técnicas de desenho, pintura e produção de objetos. O contato do público com essa gama de atividades proporciona uma imersão no universo literário e artístico em toda a sua diversidade, de forma prazerosa. Nos lançamentos de livros, conhecer e ter contato com os autores e suas obras faz toda a diferença para o leitor — tanto para os que já conhecem quanto para os que estão conhecendo.


Um episódio interessante aconteceu no estande da Casa de Cultura Josué Montello, instituição que participa da FLIM desde sua primeira edição. Neste ano, levou como principal atração o lançamento da edição comemorativa de 50 anos do romance Os Tambores de São Luís, realizado no dia 6 de novembro, no auditório Nonato Buzar. Durante a feira, passaram pelo estande diversos estudantes e professores de escolas locais, leitores do escritor e muitos visitantes que passaram a conhecê-lo a partir daquele momento.


Entre os visitantes, destacamos a senhora Júlia Almeida, maranhense residente em Urbano Santos, que está iniciando no mundo da escrita. Em relato próprio, apresentou-se como leitora e fã do escritor Josué Montello, contando que conheceu e teve acesso à obra do autor na cidade de Curitiba, onde residiu por muitos anos. Leu todas as obras que encontrou e demonstrou tanta paixão que abraçou e beijou carinhosamente um totem em tamanho natural do escritor exposto no estande. Ela levou um exemplar de Os Tambores de São Luís para presentear o filho.


Essas e muitas outras situações vividas e presenciadas durante os quatro dias da FLIM confirmam a importância de eventos literários serem realizados e mantidos continuamente. Que sejam inseridos nas agendas governamentais como políticas públicas de cultura, com investimentos voltados à formação de uma sociedade leitora, garantindo o acesso ao livro, à leitura e à cultura — direitos fundamentais, assim como a educação, a saúde e a segurança, assegurados na Constituição Federal de 1988.


Para finalizar, enfatizo que participar de uma feira ou festa literária é muito mais do que comprar livros: é fazer parte de um movimento que valoriza a leitura, os escritores e a cultura em suas diversas formas.
Entre os benefícios oportunizados ao público das feiras literárias incluem: Descoberta de novos escritores; Exploração de diversos gêneros literários; Estímulo à criatividade; Fortalecimento do hábito de leitura; Democratização do acesso ao livro.

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Assim, as feiras de livros são eventos essenciais para abrir horizontes e enriquecer culturalmente os jovens, oferecendo a chave de acesso ao mundo literário de forma envolvente e ajudando a formar leitores bem-informados e apaixonados pela leitura.  Iniciativas como a FLIM mostra como é possível incentivar crianças e jovens a se apaixonarem pelos livros. A leitura abri portas para novos mundos e as feiras de livros são um convite para essa aventura.
Que venham muitos eventos literários!


Que a FLIM 2026 venha com mais atrações e apoio!

Festa literária...

 

 

Joseane Souza
Bibliotecária, Mestranda em Políticas Públicas – UFMA
Gestora da CCJM

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Samira FonsecaHá 7 meses Itapecuru Mirim -MaParabéns pelo texto, Joseane. Excelente! Que no próximo ano seja uma festa melhor. E obrigada a você e a Wanda pelas palavras de apoio e incentivo. Vocês são a prova de que livros geram, não apenas conhecimento, mas amizades verdadeiras. Meu abraço e meu carinho por vocês.
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