
@Editoria de Literatura e Arte da Plataforma Nacional do Facetubes
Foi mais que uma tarde de autógrafos. Foi um gesto de abundância poética. Naquela sexta-feira, 4 de março de 2022, o Palacete dos Leões, joia curitibana erguida em 1902 e hoje espaço cultural do BRDE, abriu as portas para um feito raríssimo: o poeta Daniel Maurício apresentou e lançou, numa única sessão, dez novos títulos de poesia. O endereço, na Avenida João Gualberto, 530, emprestou à cena a elegância histórica de seus salões e escadarias, onde Curitiba tem guardado encontros decisivos da cultura.
Os livros — AMAR É, POESIAS DA MADRUGADA, MIUDEZAS DO CORAÇÃO, OLHARES, ALMA LÍRICA, GOTAS POÉTICAS, ORIGAMIS, LEVE-ME, POEMININOS E PALAVRAS DE CHEIRO (este, prefaciado por Mhario Lincoln, editor-sênior desta Plataforma), — revelam um autor que escreveu silenciosamente por anos, até decidir partilhar, de uma só vez, a colheita de sua rotina diária de versos. O gesto foi noticiado à época e celebrado por pares da literatura, confirmando tanto o ineditismo local quanto a seriedade do projeto autoral.
Em termos de comparação, o que Daniel realizou é raro mesmo quando olhamos para fora do Paraná. Há registro brasileiro de superação numérica: em 2012, o poeta Guimarães Rocha lançou 15 livros de poesia no mesmo dia, em Campo Grande (MS), entrando para o RankBrasil pela marca que é uma façanha logística e criativa, e com o mesmo espírito de abundância. O que torna Daniel, entretanto, singular é a coerência temática e o acabamento do conjunto, pensado como constelação de afetos e imagens, em diálogo com leitores que o acompanham na cidade.
Convém sublinhar o palco escolhido. O Palacete dos Leões, com sua arquitetura eclética — ecos neoclássicos, barrocos e art nouveau —, tornou-se há décadas um símbolo de circulação de ideias em Curitiba. Ali, a poesia de Daniel ocupou o espaço como quem restitui à casa sua vocação de encontro, e projetou a cidade no mapa de grandes estreias literárias do país.
Destarte, a escrita de Daniel Maurício tem o timbre do que permanece: poemas curtos, incisivos, que apostam na potência do cotidiano e na delicadeza do humor fino — uma engenharia de leveza que o leitor reconhece de imediato. Ao publicar dez volumes de uma vez, o autor oferece não um “box” de ocasião, mas dez caminhos de leitura, cada qual com seu fôlego e sua assinatura emocional, de onde a matéria-prima é sempre o humano que ama, lembra, perdoa e recomeça.
Segundo o RankBrasil não é lançar dez livros em um único encontro que fará a qualidade. Mas sim, lançar 10 livro com o mesmo diapasão, a mesma seriedade, o mesmo ineditismo de poemas que foge e muito aos meros números "hankeados", numa planilha estatística.
Isso porque o que Daniel fez (e assim mesmo está em segundíssimo e importante lugar no Brasil) é uma tomada de posição. Num mercado que pede velocidade, Daniel escolhe a permanência, o trabalho paciente, o artesanato da palavra, a confiança na cumplicidade entre autor e leitor. Isso fez, até hoje, com que essa marca pertença, com méritos, a esse poeta paranaense e membro honrado da Academia Poética Brasileira.
Portanto, essa Comenda que ele recebe hoje marca dois momentos: seu lugar e sua coragem de lançar 10 títulos ao mesmo tempo, com sobriedade e catarses líricas diferentes e, ao longo desses 3 anos, pós-lançamentos, receber inúmeras manifestações de apreço e convites para participar de grandes eventos literários por esse Brasil afora. Ou seja: deu muito certo.
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Fontes — cobertura e registros do lançamento e do autor: Plataforma Nacional do Facetubes (09/03/2022); entrevista “Dez livros lançados simultaneamente” (Olho Vivo, 2022); informações históricas do Palacete dos Leões (BRDE e Wikipédia); referência comparativa de recorde nacional: RankBrasil (2012).
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