Na continuidade do encontro cultural aqui em Pedreiras (MA), à convite da Plataforma Nacional do Facetubes, converso hoje com o poeta Edivaldo Santos — compositor, advogado e membro querido da família Lima. Compartilhou sua trajetória marcada pela poesia popular nordestina. Ele se define como “advogado por profissão, poeta por vocação e matuto por convicção”, destacando que sua escrita segue a tradição cordelista, com versos rimados e metrificados que o acompanham desde a infância. Edvaldo conta que aprendeu a ler folheando os romances de cordel vendidos nos interiores do Nordeste, e que, por mais que tente escrever poemas livres, sempre acaba retornando à rima e à métrica, como se fosse “refém” dessa estrutura que moldou sua sensibilidade artística.
O poeta reforça que sua produção é profundamente popular, carregada de identidade regional e de respeito às raízes culturais que o formaram. Para ele, o cordel não é apenas técnica: é memória, é afeto, é pertencimento. E é justamente essa base que o impulsiona a participar de festivais, parcerias e projetos que fortalecem a literatura e a música de Pedreiras, terra de João do Vale — seu maior mestre e inspiração.
Na entrevista abaixo, ele me conta que relembra com orgulho as participações em festivais ao lado de parceiros como Paul Guedes e Lucimar Pereira, todos membros da Academia Pedreirense de Letras. Suas obras já circulam em plataformas como YouTube e Spotify, ampliando o alcance da poesia e da música produzidas na região. Em 2023, o poeta foi agraciado com o 1º lugar no 14º Festival Nacional de Música de Imperatriz (IFMI), com composição assinada por ele e Lucimar, interpretada por Vinícius Lima. A vitória, disputada por artistas de vários estados, levou para Pedreiras um troféu que simboliza não apenas o talento, mas a força cultural da cidade.
VÍDEO-BÔNUS
Vinicius Lima - Erupção de Amor ( Edivaldo Santos e Lucimar) XIV Festival de Música de Imperatriz MA
Em homenagem ao eterno João do Vale, Edvaldo encerrou a conversa declamando uma estrofe que celebra o compositor como “rei da melodia” e “cientista do baião”, reforçando o legado que inspira gerações de artistas pedreirenses. O encontro terminou com registros fotográficos para o Facetubes, eternizando mais um capítulo da rica história cultural da região.
O DEPOIMENTO
Alô, todos e todas.
Eu costumo me apresentar da seguinte forma: eu sou advogado por profissão, poeta por vocação e matuto por convicção. Matuto por convicção por quê? Porque meus trabalhos, minhas poesias, os meus escritos são naquela linha bem matuta, na linha cordelista. Aquele verso rimado, metrificado, e por mais que eu tente fugir dessas amarras, das regras do cordel, eu não consigo. Eu começo assim: vou fazer um poema, de repente me dá aqui uma ideia, pinta uma inspiração de fazer um poema livre, um poema branco. Aí eu começo com uma frase, e daqui a pouco estou rimando. Então eu sou um refém da métrica e da rima.
Eu devo isso desde a minha infância. Eu fui acostumado, inclusive acho que aprendi a ler lendo aqueles cordéis, aqueles que a gente chamava de romances, nos interiores do Nordeste. Tanto é que eu não lembro quando aprendi a ler. Eu já me entendi lendo. Aqueles cordéis, aqueles livretos, foram minha fonte. Então eu tenho essa dependência da métrica e da rima. Eu sou um poeta popular, me considero um poeta popular.
Gente, e eu já me considero uma felizarda de estar diante de dois espetáculos aqui na minha frente. E quero saber, poeta Edvaldo, sobre os festivais, sobre as músicas ganhas em festivais. Fala um pouco quais, quem são as pessoas que estão ali compartilhando com você, fazendo parte de letras, parcerias. Vamos falar dos parceiros e das músicas que já enfrentaram festivais e que já ganharam também.
Olha, nós já concorremos em vários festivais, inclusive lá na nossa cidade. Eu e o meu confraterno Paul Guedes, porque nós dois somos membros da Academia Pedreirense de Letras, e temos vários trabalhos, inclusive já nas redes sociais, no YouTube, Spotify e outras plataformas. Você pode olhar lá: tem trabalho do Paul Guedes, Paul Guedes e Zé Lopes. Se você for nessas plataformas, vai encontrar trabalhos de Edivaldo Santos e Lucimar Pereira, tudo nessas redes. E participando de festivais.
Ultimamente, no ano passado, eu fui agraciado no Festival Nacional lá em Imperatriz, se não me engano o 14º Festival de Música Nacional de Imperatriz, o IFMI. E nós fomos primeiro lugar. Composição minha e do parceiro Lucimar, interpretada pelo Vinícius Lima, inclusive seu filho. Vinícius Lima interpretou, e a gente saiu de lá com uma taça, com o primeiro lugar. Música nacional, onde havia concorrentes de vários estados do Brasil. E a gente saiu com esse troféuzinho para comemorar e levar essa glória para Pedreiras, terra de João do Vale.
João do Vale, inclusive, é a nossa maior inspiração. Como o poeta Paul Guedes disse, que não só bebeu na fonte de João do Vale, como almoçou, jantou, merendou, lanchou, tomou café. E a gente participa desse banquete que o Paul Guedes participa. A gente participa também.
Para fechar a nossa conversa aqui, uma estrofe em homenagem ao João do Vale, que eu digo assim:
“João do Vale é um dos bons poetas desse terreiro, compositor verdadeiro, magro-negro dos tons. Enveredou pelos sons no racho da inspiração e mesmo sem ter lição de como fazer harmonia, foi o rei da melodia, um cientista do baião.”
CENTENÁRIO LB No centenário de Lopes Bogéa, vale ler, do livro “Pedras da Rua”: Erasmo e o Violão
Ceará vive Cultura Literatura cearense ocupa a cena com sertão, memória e poesia escrita por mulheres
Releituras Alguém teria coragem de negar a gramática como conhecimento, mas atacar a ilusão de que ela, sozinha, forme escritores?
VIAGENS “Prosa Portenha” Socorro Guterres, em resenhas de última viagem
MARANHÃO A dura realidade entre o passado literário e os novos poetas do Maranhão
Especiais Facetubes Academia Poética Brasileira (APB) empossa José Neres e fortalece sua presença literária no Maranhão Mín. 10° Máx. 23°
Mín. 9° Máx. 18°
Chuvas esparsasMín. 6° Máx. 19°
Tempo limpo
Coluna de RUY PALHANO Psiquiatra Ruy Palhano: “Todos se casam com seus pais em qualquer idade da vida”
Coluna SILVÂNIA TAMER, Literatura, arte e eventos APB na posse da Procuradora de Justiça Maria de Fátima Rodrigues Travassos Cordeiro
O Mundo Digital do Antes e do Depois “Fenomenologia do Espírito”: Hegel, o pensador da consciência em movimento
A LINGUAGEM DA INTERNET Por que os filhos tem odiado tantos os pais? Há uma razão para isso?