Quinta, 06 de Agosto de 2026 13:36
(xx) xxxxx-xxxx
Brasil VICEVERSA

Academia Poética Brasileira: VICEVERSA com a acadêmica Vanice Zimerman (APB-PR)

Mais uma vez a Plataforma do Facetubes promove um diálogo franco e aberto entre a arte e a literatura, continuando a série VICEVERSA já consagrada pelo público. Algumas vezes atinge números significativos, além dos 2 mil acessos.

06/08/2026 09h37 Atualizada há 2 horas atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Plataforma Nacional do Facetubes
Zimerman: o contemplativo em sua odisseia pessoal.
Zimerman: o contemplativo em sua odisseia pessoal.

Plataforma Nacional do Facetubes

“Os versos não são, como se imagina, simples sentimentos; são experiências.” Rainer Maria Rilke, em Os Cadernos de Malte Laurids Brigge — tradução livre. - A frase de Rilke aproxima-se diretamente dessa ideia porque retira a poesia do território da improvisação fácil. A sensibilidade é indispensável, mas não basta. O poeta precisa ler, conhecer a tradição, dominar a linguagem, observar pessoas, paisagens e gestos, além de permitir que a vida amadureça dentro dele. O mesmo vale para o artista das cores: inspiração sem técnica pode produzir um impulso; somente o estudo sério e contínuo - muita leitura, a repetição e o conhecimento do 'entorno' conseguem transformar esse impulso em obra. Essa é o que chamo de 'beleza responsável' do trabalho artístico: criar não apenas porque se sente, mas porque se aprendeu a dar forma ao sentimento. A experiência pessoal oferece verdade; a observação fornece matéria; o estudo dá estrutura; e a prática desenvolve precisão. Quando esses elementos se encontram, a beleza deixa de ser mero efeito decorativo e passa a representar uma consciência em ação — a responsabilidade de entregar ao público não apenas emoção, mas uma obra sustentada por conhecimento, maturidade e domínio do ofício. É assim que eu vejo Vanice Zimmernan, uma das mais cultuadas artistas paranaenses, com uma extensa visão de Mundo artístico em razão de ter se preparado para isso. As suas respostas são elegantes, não no sentido pessoal, mas na demonstração inequívoca do seu prepara intelectual ardente - ainda em crescimento - na busca de ainda mais melhorar seus conteúdos. Fiquei deveras feliz em conversar com ela. Parabéns, Zimerman. (Mhario Lincoln, editor-sênior da Plataforma Nacional do Facetubes).

MHARIO LINCOLN X VANICE ZIMERMAN

Continua após a publicidade

MHARIO LINCOLN 1 - Sua criação literária nasce frequentemente da observação de folhas, gotas de água, insetos, janelas, objetos antigos, luzes e sombras. Como uma dama reconhece o momento em que uma imagem deixa de ser meramente visual e passa a exigir uma forma poética?

VANICE ZIMERMAN - As imagens e contemplações sensoriais citadas na pergunta fazem parte do meu dia a dia, mas há um pulsar mais forte do coração quando encontro algumas cenas especiais, contidas nessas vivências que chamam à minha atenção, por exemplo, numa caminhada recente, encontrei uma folha tonalizada pela passagem do tempo, aconchegada à tela de arame da quadra de esportes. A queda de folha foi adiada por segundos, nesta cumplicidade com seu encaixe na tela, e por instantes ali permaneceu com sua beleza e fragilidade à espera do vento, e assim a poesia nasce em palavras... Quanto à referência da queda de folha é um kigo, termo da estação, de inverno.

MHL 2 - Você trabalha com óleo, acrílico, colagem, fotografia e, atualmente, dedica especial atenção à aquarela. Ou será que a transparência, a fluidez e a imprevisibilidade da água influenciam sua escrita, especialmente os poemas curtos e longos?

VANICE ZIMERMAN - Sinto uma sintonia intensa com a fotografia, colagem e com as técnicas de pintura, principalmente a aquarela. E estas sensações de transparência, fluidez e a imprevisibilidade apaixonante da água me envolvem, de uma forma ímpar como se os contornos e nuances das cores matizassem também, meu corpo, alma, poesias textos e haicais. Gosto de acrescentar café, chá de hibiscus e vinho tinto ao pintar as aquarelas, é sempre encantador observar esse dialogar do vinho, mesclando-se a outros pigmentes, tintas para aquarela, guache ou nanquim. O papel Canson recebe o ‘abraço’ sutil da água e dos pincéis. Algumas vezes, encontro nas ruas folhas secas, flores de cerejeira, ou as encontro no jardim e as coloco coladas nas aquarelas.  

 

3 - Entre os grandes mestres da aquarela, como JMW Turner, John Singer Sargent e Winslow Homer, ou os aquarelistas brasileiros que você admira, quem exerce influência sobre sua percepção da luz, da paisagem e da composição poética? Essa influência aparece conscientemente em algum poema ou série de obras?

Continua após a publicidade

VANICE ZIMERMAN - Sim, os grandes mestres da aquarela como Turner, Singer e Homer e alguns mestres da pintura japonesa, continuam a fazer parte dos meus estudos e aprendizagens, entre eles, Yosa Buson (1716–1783). Nascido em Kema. Pintor do estilo nanga (pintura literária influenciada pela arte chinesa) e um dos maiores mestres do haicai (haiku) da história japonesa. Admirável poeta e pintor do período Edo (haiga, tinta e cores no papel), suas pinturas e poemas retratam a beleza da natureza e paisagens com forte conexão emocional e visual. E essa influência, se faz presente em muitos dos meus haicais e telas: luz e sombra, delineando formas, sensações de impermanência, mas que permanecem em minhas aquarelas, fotos e poemas. O Haiga é um haicai escrito sobre uma aquarela, sumi-ê, têmpera, etc.

Azul da Prússia

Ninho de pigmentos,

Antigas texturas

Laços en sintonia

Em folhas de Acanto

Continua após a publicidade

Tons de azul, Cianotipia —

Talvez, um sussurro

Uma lágrima? 

(Vanice Zimerman)

  

MHL 4 - Você definiu haicai como uma espécie de aquarela feita em três versos. Ao compor um poema, você pensa primeiro como um pintor — em termos de coração, espaço, textura e luminosidade — ou como um escritor, buscando a palavra exata e o ritmo mais apropriado?

VANICE ZIMERMAN - As imagens na maioria das vezes aparecem primeiro, mas pode também começar com um som, ou um aroma que sinto ao iniciar a escrita do haicai. Meu pensamento busca conexão entre o olhar de pintor e estabelecer um vínculo com as regras da escrita do haicai clássico. Deixo-me envolver pelas imagens, texturas, luminosidade e a companhia sensorial dos kigos, que na atual estação na qual estamos, nos presenteia com manhã de inverno, arrebol hibernal, borboleta-hibernal ou chuva de folhas secas... A lista de kigos desperta no haijin uma atenção maior com as contemplações e vivências que estão à nossa volta em cada segundo de vida. Quanto a ser uma aquarela em três versos; é a delicadeza presente na escrita do haicai: no primeiro, situamos o leitor em uma cena e nos dois versos seguintes há um acontecimento, encontro com algo que nos surpreende, depois acontece o fechamento; é como se fosse, a passagem de cores de uma aquarela, a gradação dos matizes envolvidos pela fluidez da água.

MHL 5 - Helena Kolody e Paulo Leminski representam diferentes caminhos do haicai paranaense: neste caso, contemplação e síntese; em Nele, experimentação verbal e liberdade formal. Em que medida esses dois autores nos ajudam a compreender sua própria posição dentro da poesia produzida no Paraná?

VANICE ZIMERMAN - Admiro Kolody e Leminski, e a leitura de suas biografias haicais faziam parte das Oficinas de Haicai e Aquarela que ministrava em escolas e museus. A leitura desses dois autores é importante, dentro da poesia produzida no Paraná são referências, pois cada um com seu estilo de escrita, ‘desenha’ com seus poemas instigantes olhares poéticos. Com o passar do tempo desenvolvi mais sintonia com as poesias de Helena Kolody. 

 6 - Na tradição brasileira do haicai, nomes como Guilherme de Almeida, Masuda Goga e Fanny Luiza Dupré exploram diferentes relações entre métrica, natureza, objetividade e musicalidade. Como esses aspectos da sua produção dialogam entre si e em que pontos uma mulher busca construir um caminho pessoal?

VANICE ZIMERMAN - A leitura e estudo dos livros dos escritores citados é importante. Minhas poesias e textos têm a influência real do cotidiano, e nuances do universo feminino, mas também sinto os contornos e cores como se meu olhar fosse um etéreo caleidoscópio. A cada dia, a cada posso vou construindo meu caminho, mantendo a essência da minha escrita e alma, inspirada em vivências reais, emolduradas, por pausas e reflexões. 

à sombra do véu

oculta traços do rosto —

ocaso hibernal...

 (Vanice Zimerman).

 

“Segundo Matsuo Bashô (1644-1694), o haicai busca o makoto (verdade sincera) através da simplicidade, serenidade e despojamento, capturando a essência da natureza e das emoções. O mestre do haicai valorizava o sabi (sobriedade), shiori (harmonia) e hosomi (tranquilidade atenta), criando poemas que, em 17 sílabas, refletem transformações profundas.” Participo de um Grupo Chá das Cinco, de Haicai Clássico no WhatsApp, organizado pelo haijin Mauricio de Oliveira, neste espaço, fazemos exercícios, revisões, Antologias, e compartilhamos textos do mestre Carlos Martins (O Zen do Haicai – Facebook) e de outros mestres que fazem parte da senda do haicai.  Penso que o olhar do haijin é sua máquina fotográfica, e também sua tela e paleta!

Vanice Zimerman x Mhario Lincoln

VANICE ZIMERMAN x MHARIO LINCOLN 

VANICE ZIMERMAN 1 — Em que fase de sua vida surgiu essa sintonia com a leitura e a escrita? Percebe-se em seus textos, poesias e livros, uma admirável cumplicidade literária, presente em seu cotidiano e em seu olhar poético, crítico e instigante.

Mhario Lincoln: Apercebi-me autonecessário já adulto. Acho que em torno de uns 20 anos. Nunca tive esse dom mágico de “escrever desde pequeno”. Não! Tudo para mim foi com muita dificuldade, apesar de ter começado no jornalismo desde cedo. Jornalismo é uma coisa; poetar, outra completamente diferente. O jornalismo me ensinou a desconfiar das aparências; a poesia, a desconfiar das certezas. Essa convivência entre as duas linguagens formou meu olhar. O jornalista procura o fato, confronta versões e exige provas. O poeta percebe o que o fato não consegue explicar. Hoje, a palavra representa para mim uma tentativa consciente de permanência. Escrevo porque a vida passa. Escrevo porque a memória falha. Escrevo porque há experiências que somente a literatura consegue impedir que morram. Aí me vem Clarice Lispector. Um dia perguntaram a Clarice: até que ponto o que você escreve altera alguma coisa? Clarice respondeu: "Não altera em nada. Eu escrevo para desabrochar", disse ela. Ora, achei magnífica essa resposta e guardei para mim. Comigo acontece o mesmo: nunca quis que meus textos alterassem alguma coisa. Não sou, nem represento Deus na Terra, nem sou 'dono da verdade', muito menos sou esse tal de 'influencer'. Mas meus textos são autovaliosos (pra mim) porque me fazem expelir lamúrias, saudades, amores e frustrações. É uma experiência catártica, quase sempre. Às vezes, escrevo como um soluço. Outras, como tosse; outras vezes, como um grito. Assim vem surgindo essa sintonia. Muita leitura (inclusive leio a mim, todos os dias quando acordo). Há necessidade dessa escrita diária, sem hora, sem escala, sem ódio.

VANICE ZIMERMAN 2 — Qual foi a influência de seus pais, familiares e professores nesse processo de convivência e dedicação à leitura e às artes?

Mhario Lincoln: A influência familiar foi decisiva. Minha mãe, Flor de Lys Felix, jornalista, poeta, comunicadora e mulher de extraordinária presença intelectual, colocou a palavra dentro de nossa casa. Com ela, aprendi que escrever não era apenas ordenar frases, mas assumir uma posição diante do meu mundo sem querer estupidamente modificar o mundo dos outros. Meu pai era um homem rigorosamente jurista: leis, responsabilidades civis, metas, horários e prazos. Ajudou-me também! Depois a música, depois os saraus, depois a vida adulta. Aí, exatamente aí, tive que me sustentar, fazer concurso público e a minha vida literária foi sendo amassada pelo jornalismo social, do qual, apesar de ter passado nessa atividade mais de 40 anos de minha vida, fiquei “livre”, há uns 20 anos para, finalmente, me dedicar, com exclusividade, à literatura, música e arte.

VANICE ZIMERMAN 3 — Entre escritores e escritoras clássicos e contemporâneos, quais estão mais presentes em seu universo literário?

Mhario Lincoln: eu sempre falo que tenho três bases incríveis em minha formação. Cem anos de Solidão, de Gabriel García Márquez, Os Tambores de São Luís, de Josué Montello e Don Quixote de La Mancha, de Cervantes. Acho que foram esses os livros-“start”  que me incentiram a - realmente ler - após 40 anos de quase inércia. Acredita? Antes, havia lido apenas uns 20 livros (alguns deles sobre OVNIS, outros livros técnicos etc). Mas tudo começou mesmo foi em 1994. Encontrei Meu Pé de Laranja Lima, romance de José Mauro de Vasconcelos, em um sebo, quando estava de férias no Rio - daí, além dos livros citados acima, inclui na minha lista Machado, Rui, Graciliano, José de Alencar. 'Peguei gosto", então, comecei a enveredar por túneis mais complexos como livros de poetas estrangeiros: Li Bai, Du Fu e Matsuo Bashō. Ainda: Confissões, de Santo Agostinho; A República, de Platão; Sobre a brevidade da vida, de Sêneca; Assim falou Zaratustra, de Nietzsche; e O mito de Sísifo, de Albert Camus e por aí vai, sem esquecer Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus; Úrsula, de Maria Firmina dos Reis; Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto; Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar; e a poesia de Ferreira Gullar, Nauro Machado, Laura Amélia Damous, Tereza Braúna Moreira Lima, Bandeira Tribuzi, José Chagas, Luís Augusto Cassas e Manoel de Barros. Falo esses, porque são poetas muito importantes para a construção de meu 'tento' poético. Algo como a linha mestra ou bússola quando as tempestades da incerteza cruzam em meu oceano vazio. Hoje, por graça, ainda mantenho o delicioso hábito de ler - às vezes forçado, é claro - uma média de 2 livros por semana, de todos os gêneros. Contudo, eu trabalho com isso. Essa é minha ferramenta de trabalho. Daí,  algumas vezes, 'forçado'. Mas ao fim me delicio do mesmo modo. Taí um livro muito interessante que comecei a ler nesta semana de nossa entrevista: “Hitler no Maranhão/ou o Monstro de Guimarães”, de Joaquim Itapary e já está na cabeceira de minha cama algo mais técnico para entender algumas pessoas que me rodeiam e que me são caras: “Boderlaine”, de Paul T. Mason e Randi Kreger.

 

VANICE ZIMERMAN 4 — Quando escreve um prefácio ou uma apresentação, você segue algumas etapas para analisar o livro e as sensações que mais chamaram sua atenção?

Mhario Lincoln: Sim. Um prefácio exige método, responsabilidade e contenção. Não pode ser escrito apenas com entusiasmo, amizade ou desejo de agradar. Prefácio não é coroa de flores, resumo promocional, nem vitrine para a vaidade do autor ou do próprio prefaciador. É uma forma de mediação crítica entre a obra e o leitor. Meu primeiro procedimento é ler o livro integralmente. Não começo procurando frases para elogiar. Procuro compreender a estrutura, a unidade, as recorrências, os silêncios, as imagens dominantes e as tensões internas. Depois, observo o lugar daquela obra dentro da trajetória do autor e, quando necessário, dentro da tradição literária à qual ela se aproxima ou da qual procura afastar-se. Em seguida, separo impressão pessoal de análise crítica. Uma obra pode me emocionar e ainda apresentar fragilidades. Pode contrariar minhas convicções e, mesmo assim, possuir grande valor literário. O crítico precisa resistir à tentação de transformar preferência pessoal em critério universal. Também procuro identificar aquilo que chamo de centro de gravidade da obra: a questão em torno da qual os textos parecem se organizar, mesmo quando o próprio autor não a enuncia diretamente. Somente depois dessa etapa começo a escrever. Na apresentação de Conexão VIII — Feira do Poeta, em homenagem a Geraldo Magela, (que você Vanice, fez parte), comecei da compreensão de que as antologias são também instrumentos pedagógicos e relicários literários. Elas reúnem textos antes dispersos, documentam uma geração e permitem que novos autores ingressem no espaço público da literatura. Aquela publicação reuniu 58 autores e demonstrou que uma antologia pode ser, simultaneamente, memória, oportunidade e documento cultural. Enfim, quando escrevo prefácios (e eu gosto muito), sigo também regras mais simples do que as técnicas que citei acima: o prefácio deve iluminar a obra sem ofuscá-la. Deve oferecer chaves, não fechaduras. Enfim, o leitor precisa desejar entrar no livro; e não ter a impressão de que o autor é “o máximo”. Na verdade, “é a obra que é ‘imortal’, nunca o autor”, palavras do grande poeta Alex Brasil (AML/APB-MA). 

VANICE ZIMERMAN 5 — Sobre a Academia Poética Brasileira, da qual é presidente e fundador: quais atividades literárias e artísticas da instituição mais o encantam e emocionam?

Mhario Lincoln: A Academia Poética Brasileira foi criada com uma concepção clara: não ser um clube de vaidades, uma confraria de elogios recíprocos ou um espaço controlado por castas, amizades e conveniências ideológicas. Tudo feito de forma digital. Por isso, sem sede, sem joias mensais ou anuais. A APB é uma academia internacional com representantes nos Estados Unidos, Alemanha, Holanda, Equador, Inglaterra, Argentina, Espanha e Portugal. Isso justifica a ideia que tive: fazer circular a literatura produzida por nossos 50 membros. Na verdade, isso é ao mesmo tempo, preservação da memória e abertura de novos caminhos. Posso afirmar que dentro do quadro de membros, não existe (pelo menos aflorada) quaisquer tipos de vaidades. Eu não apoio a vaidade, autoelogios, jactância. Isso porque, na minha opinião, toda vaidade é um blefe. Se o vaidoso olhar para o lado, sempre haverá alguém melhor do que ele. Assim, essa compreensão é essencial para qualquer instituição cultural ter uma vida útil significativa. Aliás, títulos, medalhas e solenidades podem ter valor simbólico, mas não substituem a obra, a leitura, o serviço coletivo e compromisso público. Enfim, as atividades que mais me emocionam são aquelas que retiram o escritor do isolamento: publicações coletivas, antologias, recitais, encontros, intercâmbios, projetos audiovisuais, seccionais regionais e ações de divulgação. A Academia precisa funcionar como ponte entre quem escreve e quem ainda não teve oportunidade de ser lido.

 

VANICE ZIMERMAN 6 — Seu amor e dedicação à leitura e à publicação de livros ocupam parte importante de sua vida. Há algum novo livro, em especial, que sonha publicar?

Mhario Lincoln: Após ver “Ina a Violação do Sagrado” rasgar os sete mares e vender 20 mil exemplares, além mar, lá pelos idos de 1994/2000, venho pensando muito antes de lançar uma outra obra. Um romance, por exemplo: está em meus alfarrábios um manuscrito de 700 páginas intitulado O INCÊNDIO DO MARIA CELESTE. É interessante isso porque na primeira tentativa de publicá-lo, em uma determinada editora nacional e após análise de sua “Comissão Avaliadora”, eles solicitaram que eu reescrevesse o livro e diminuísse para 400 páginas (miolo). Ora, essa obra, após mais de 20 anos de pesquisa, indo para a biblioteca pública, analisando cada detalhe do acidente, colhendo informações e opiniões de famílias envolvidas e criando uma tensão imensa no roteiro original (inclusive envolvendo uma possível guerra biológica, após o caso do “ET de Vaginha”, com reviravoltas estrondosas; nunca poderia ter esse texto reduzido para alimentar a "comercialidade" de uma editora. Mesmo sendo ícone nacional). Então, desisti. Mas está à espera de novas negociações com as 700 pgs. O outro livro que era para ter saído, mas as negociações profissionais são realmente difíceis, é O SEXTO SEXO. Talvez o livro poético mais maduro (até onde posso ir até agora, com estudos técnicos incansáveis), complementando um possível “dom poético”. Assim, chego à conclusão escrever foi difícil. Contudo, mais difícil ainda é tornar a obra final, pública. Aí vem aquela pergunta que não quer calar: como um poeta profissional, à mercê das editoras brasileiras, se comporta diante dessas "elocubrações" fícias e mentais? Desta forma, não quero escrever uma poesia "domesticada" para caber em cerimônias, cartilhas ou expectativas institucionais. Quero profissionalizar-me. E até lá.... haja Deus!

 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
NILCEIA ALBUQUERQUE FRANCAHá 16 minutos atrásPonta GrossaParabéns a ambos! Importantes conteúdos, que nos abrem novos universos! Viva a Literatura! Vivas aos escritores e aos poetas!
Joan Mussella. Há 40 minutos atrásParis, France. La beauté de lart est une bonne chose. Mais la beauté de la connaissance est supérieure. Monsieur Joan Mussella. Paris, France.
Thousé Aboud (artista Plástico e Aquarelista)Há 43 minutos atrásUberabaMG-(Porto/Portugal).Cara Vanice, receba a minha mais pura homenagem não só por suas respostas (às perguntas difíceis do entrevistador). Mas por seu posicionamento diante do Mundo das Artes. Hoje tem tanta gente querendo fazer arte - como eu. Mas antes precisa entender que tudo tem que ter uma base (mesmo que nem tanto sólida), mas uma base. Suas palavras me emocionaram e eu vou ter que mudar algumas rotinas em meu ateliê. Primeiro: trazer pra cá os livros de arte que estão jogados em casa.
Tereza SappiHá 47 minutos atrásPorto alegre RGSGenttteeee. Sem leitura ninguém vai a lugar nenhum. Leiam o que essa moça diz: “Segundo Matsuo Bashô (1644-1694), o haicai busca o makoto (verdade sincera) através da simplicidade, serenidade e despojamento, capturando a essência da natureza e das emoções. O mestre do haicai valorizava o sabi (sobriedade), shiori (harmonia) e hosomi (tranquilidade atenta), criando poemas que, em 17 sílabas, refletem transformações profundas.” Ou lê, ou fica no caminho.
Maria do Perpétuo Socorro AndradeHá 49 minutos atrásCuritiba ParanáMhario querido tenho ido há dois domingos na Feira do Poeta e não tenho mais te visto por lá. Dá um toque em meu celular. Preciso te convidar para prefaciar minha mais nova obra. OK? Adoro vc em sua plenitude. rarara
Mostrar mais comentários
Mostrar mais comentários
Curitiba, PR
Atualizado às 12h01
20°
Chuvas esparsas

Mín. 11° Máx. 22°

20° Sensação
1.79 km/h Vento
74% Umidade do ar
100% (4.11mm) Chance de chuva
Amanhã (07/08)

Mín. 12° Máx. 22°

Chuva
Sábado (08/08)

Mín. 12° Máx. 25°

Chuva
Ele1 - Criar site de notícias