
Textos escolhidos: SILVIA LÓPEZ RIVAS/El País/Brasil
Você se tortura e se culpa por tudo? Você precisa do “efeito do lago Wobegon”
O escritor uruguaio Eduardo Galeano dizia que “somos o que fazemos para mudar quem somos”. Em um mundo que tira tanto proveito (econômico, por exemplo) de que nos odiemos a nós mesmos, a ideia de sermos mais amáveis em nosso diálogo interior tem algo de subversivo. Para alcançar esse 'eu ideal' e essa vida perfeita que nunca parecemos capturar, tendemos a nos criticar com dureza, a nos culpar quando algo dá errado ou a experimentar sentimentos de vergonha ou medo. No entanto, várias pesquisas psicológicas mostraram que, além de um efeito desmoralizador imediato, essa atitude nem sequer apresenta bons resultados no longo prazo para alcançarmos nossos objetivos.
“Imagine um garotinho que tropeçou e começou a chorar. Diríamos a ele que é um desastre e que o merece por não estar atento? Ou o abraçaríamos e lhe daríamos afeto? E se o nosso melhor amigo chorar porque a parceira o deixou, diríamos ‘você é péssimo e não me surpreende’? Ou lhe daríamos palavras de encorajamento? Obviamente a segunda, porque estão sofrendo e queremos confortá-los”, diz o doutor Javier García Campayo, do serviço de psiquiatria do Hospital Miguel Servet de Zaragoza. “Mas, curiosamente, se algo der errado para nós, nos torturamos e criticamos, nos dizemos coisas que não diríamos a nenhuma outra pessoa e que ninguém nos diria, nem nosso pior inimigo. Se dar afeto e não criticar é razoável com crianças pequenas e amigos, por que não fazemos a mesma coisa conosco? Esse é o princípio da autocompaixão”, explica.
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