O INVERSO DA MOEDA
(ou a Síndrome de Jocasta)
*Mhario Lincoln
Quando o Secretário-Geral da ONU, António Guterres disse em plena Assembleia-Geral, dia 21 de maio de 2021 que “a diversidade cultural é uma riqueza e não uma ameaça”, foi um recado direto para aqueles que se dizem promotores da inteligência cultural, mas, no fundo, são eméritos narcisos, onde o próprio umbigo vale mais que a grandiosidade e a história das manifestações culturais. Faltam-lhes conhecimento para entender que a Cultura é um grande poder, que gera renda, que produz insumos, que restaura almas, que intercede na felicidade do todo atingido.
Cultura não é um ato político, nem propriedade de administrações públicas, nem privadas. Cultura é, sim, nas palavras de Guterres, “um gerador econômico indiscutível”. Por isso, neste 2021 também é celebrado o “Ano Internacional da Economia Criativa para o Desenvolvimento Sustentável”.
E como disse António Guterres, "(...) a cultura é a flor do ser humano, o fruto de suas mentes, o produto de tradições, a expressão de anseios". Sim, Cultura é diversidade, mostra a parte verdadeiramente rica da civilização, além de ter a potência de empregar milhões, quando bem administrada, e promover o progresso econômico, sendo, indiscutivelmente, uma força de coesão social.
Infelizmente fico pasmo ao ver pessoas totalmente fora do contexto serem designadas para administrar em benefício comunitário, algo tão poderoso, que deveria ser dirigida, exclusivamente, às comunidades, e não, a serviço pessoal. Isso mostra, além de incompetência, egoísmo e relaxamento, total falta de conhecimento prático e teórico pertinentes ao Sistema de Execução e Difusão da Cultura, nas regiões a que esses estão ligados.
Assim, passamos o dia 21 de maio - Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento - sem sequer, obtermos resultados positivos, que não apenas, tentativas de locupletação político-partidárias, sem nenhum efeito lógico. Isso é decepcionante.
Urge, portanto, e imediatamente, que todas as vozes se juntem no sentido da conservação da Cultura e sua Diversidade. O Patrimônio Comum da Humanidade está embutido nesse raciocínio.
Precisamos que seja homogeneizada a identidade e o reconhecimento básico da arte daqueles grupos que sempre foram oprimidos e marginalizados no decorrer de gestões meramente politizadas.
Vale destacar que toda geração cultural, sejam elas quais forem, têm de ser respeitadas em sua origem. Essas são caraterísticas, inclusive, que não fogem a unicidade da conservação do meio ambiente em que são praticadas, inclusive, respeitando a diversidade (raça, religião e conceitos) dessas manifestações que, quando reproduzidas por incautos, acabam suprimindo ou alterando radicalmente o original, adaptando-as ao tempo em que vivem, pois alteram, criminosamente, Direitos Coletivos.
Exemplo explícito de falta de interesse e desconhecimento total do que fazem ou administram, pois onde está o interesse básico pelo diálogo intercultural? Não há e isso tem uma causa triste: total desconhecimento do tesouro incomensurável da multiculturalidade.
Finalizo este meu desabafo apenas lembrando a todos aqueles que confundem Cultura, com 'Amargura': as indústrias criativas e culturais geram anualmente algo em torno de US$ 2,250 bilhões para a economia global e empregam 29,5 milhões de pessoas em todo o mundo. O total equivale a 3% do Produto Interno Bruto, PIB, do planeta. Porém, nem isso, esses geradores culturais fajutas, sabem, pois desconhecem o conteúdo - teórico e prático - do significado de Direitos Humanos e Liberdades Fundamentais.
*Mhario Lincoln é presidente da Academia Poética Brasileira.
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