
RÉPLICA
(*) Mhario Lincoln
O pensador contemporâneo Olinto Simões, com ampla disponibilidade em ser bom, decidiu analisar uma frase minha publicada recentemente no Facebook e em outras redes sociais. Com sua maneira única de comentar e absorver o conteúdo e transformá-lo - neminem discrepante - em um conteúdo rigorosamente próprio, com nuances ultraimperceptíveis, até, burilando e acrescentando lógica ao meu simples escrito, ele acabou me surpreendendo mais uma vez.
Eu havia dito assim: "QUANDO O BEBER/ SE TORNA/ NECESSIDADE DE BEBER,/ O PRAZER SE TORNA PRISÃO/O AMOR VIRA ILUSÃO... / FIM DA VIDA MALSINADA./ NUMA MESA DE BAR QUALQUER (...) E O POETA É ENGOLIDO PELO DEMÔNIO DO NADA!".
Não sei o porquê. Contudo, Simões após 5 meses de reclusão domiciliar intensa (antes da Pandemia), por conduta não compulsória, acredito, vem à tona e me entrega um presente. Embora raramente tenha se manifestado nesse período, publicou na semana passada um comentário, em meu perfil, no Facebook. Todavia, não só o comentário. Mas o que me chamou a atenção foi, igualmente, esse recolhimento intenso. Então me lembrei da história de um velho chinês. O Ching-Yuen acostumado a se recolher por longos tempos para meditar. Ao ser divulgada a biografia dele, mais de um centenário depois de sua morte, um espanto: tornou-se membro do exército aos 71 anos e foi casado 14 vezes. Até aí, tudo bem. Segundo espanto: ele só morreu aos 250 anos de vida. E se Simões continuar, assim, a se doar 'a pro' intensidade literária, na hercúlea odisséia de servir, que ele também viva 250 anos.
Disse Simões sobre minha frase:
"Estou tão silente quanto possível e meus dedos descansam quietamente, sobre o inerte teclado.
Você um dia me chamou de Pensador Moderno ou Pensador Contemporâneo, não sei, não lembro, mas, o fato é que penso..., e muito.
E assim, no pensamento silente não falo, porém, meus dedos se inquietaram, então veja e leia o que sua frase de fechamento da postagem acima me suscitou:
- Se..., há um demônio do nada, deve também haver um deus do nada, já que um..., "É Nada Sem O Outro".
Esse pensamento me levou a outro:
- Se..., o demônio do nada "Engoliu" o "Poeta" o deus do nada, antes, deve tê-lo regurgitado.
Esse pensamento me levou a outro:
- Aprendi de há muito, que só vomitamos o que não conseguimos digerir, ou seja, o que nos faz mal.
- Se..., o deus do nada "Regurgitou" o "Poeta", a ele o poeta fez mal, e como o diabo do nada, não deve e não pode fugir à "Função E Dever" do "Diabo Convencional", que gosta do que não presta e valoriza o que faz mal, este engoliu aquele.
- Se..., o deus do nada vomitou o Poeta, o diabo do nada, de imediato engoliu o vômito.
Enfim, creio ter chegado à posteriori, a seguinte conclusão:
- Se..., o "Poeta" foi regurgitado pelo deus do nada, a este, aquele fez mal.
- Se..., o que faz mal..., é contrário ao que faz bem, o "Poeta" fez mal ao deus do nada porque é contrário ao que este representa.
- Se..., o "Poeta" é contrário ao que o deus do nada representa, logicamente o "Poeta" é tudo.
- Se o "Poeta É Tudo" e o demônio do nada o engoliu..., morrerá engasgado..., se é que já não morreu.
Resultado:
- Poeta cria Poesia e se o Poeta é o contrário do nada, a Poesia por ele criada..., "É Tudo". Se..., o Poeta "Cria" ele é "Criador" sendo ele "Criador de Tudo"..., O Poeta É DEUS e se fomos criados por Deus..., Somos Poesia.
Assim sendo, que os Ignóricos.... nos engulam !"
NE: Que Deus te mantenha entre os vivos 250 anos. Meu amigo pensador contemporâneo. Há muito que ensinar.
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