
Neres: manejo e aplicação da inteligência sóbria
(Mhario Lincoln)
Para traduzir José Neres enquanto pessoa humana não há mistérios, porque no primeiro contato direto com ele, a mim pareceu entrar numa máquina do tempo e ir buscar a presença de Carl Sagan, nessa lógica:
“Saber muito não lhe torna inteligente. A inteligência se traduz na forma que você recolhe, julga, maneja e, sobretudo, onde e como aplica essa informação”.
Exatamente um dos pontos nevrálgicos da personalidade forte de Neres reside em “onde e como aplica essa informação”. E como eu sei? Porque meu filho foi aluno dele, enquanto residíamos em São Luís. E todo mundo que o teve como mestre, desnuda elogios diferenciados ao professor José Neres.
Sim e por uma razão: ele é um peregrino usual e intelectual, cruzando estradas composteladas dentro da própria alma e consumindo livros, por necessidade biológica. Vivenciador da origem, pensador de efeitos ácido-nucleicos diferenciados, cujo DNA explicita uma linhagem com mais células de suporte, do que a média das pessoas.
Aí entra um fator da personalidade indelével de José Neres: "(...) a humildade ainda é a parte mais bela da sabedoria". Essa força ativa ajuda-o a determinar o relacionamento das pessoas, baseado em seu padrão de interação social. Logo, amigos, leitores e fãs se inteiram do universo neriano e o traduzem como referência nos pensares, nas arguições e nas atitudes; como eu.
A propósito da abastança conceitual de José Neres, chamo para conversar a cientista, pesquisadora e educadora americana Marian Diamond, considerada uma das fundadoras da neurociência moderna, mostrando o cérebro como estrutura dinâmica, "(...) nunca estática.
Então, no meu bestunto de escrivinhador, passei a entender que, quanto mais se capta variações e se provoca uma ebulição hipotalâmica, mais a capacidade de aprendizagem aumenta e impregna a tendência pessoal de criar, no artista, no escritor, no físico ou no poeta. É assim que se dá, a partir do cérebro, a criação humana. Volto a minha tese sobre a qual, só o talento não é suporte para a criação humana deslumbrante.
"Sicut ad productionem", o leitor mais atento de José Neres, descobre, de chofre, essa tendência: abocanhar o universo de informações que lhe possam ser úteis para produção de tantas obras importantes e, como consequência natural, receber o Prêmio Odylo Costa, filho, concedido pela Prefeitura de São Luís pelo livro Resto de Vidas Perdidas; Prêmio “A Importância do Livro no Brasil do Século XX”, concedido pela Academia Brasileira de Letras em parceria com o jornal Folha Dirigida e “Medalha do Bicentenário de João Lisboa”. Logo, esse caminho o levou à Academia Maranhense de Letras, onde ocupa a Cadeira nº 36, como sucessor de outro grande nome, Ubiratan Teixeira.
Essa é a base inequívoca do conhecimento de José Neres. Como aquela gota única, vertida por sobre o ramo de palma e da coroa de louros, no podium dos heróis. Enquanto lá fora, chove a cântaros!...
Vale ressaltar, enfim, que todas as vitórias das pessoas boas revelam uma grande simplicidade de espírito, e que, ainda, um bom espírito sempre ajuda a dirimir dúvidas pertinentes a complexa hermenêutica da imortalidade acadêmica.
Destarte, caro amigo José Neres, receba meus mais sinceros parabéns neste dia de seu aniversário e relembre nossa entrevista recente.
VÍDEO BÔNUS: com a participação do jornalista GABRIEL BARROS NERES.
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