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EXCLUSIVO: membro APB, Paulo Rodrigues entrevista Joãozinho Ribeiro

"Creio que música e literatura são linguagens artísticas que, por si sós, não transformarão o mundo por milagre ou coisa parecida..."

28/02/2022 às 18h24
Por: Mhario Lincoln Fonte: Paulo Rodrigues
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Paulo Rodrigues e Joãozinho Ribeiro
Paulo Rodrigues e Joãozinho Ribeiro

 

ENTREVISTA COM O POETA E COMPOSITOR MARANHENSE

JOÃOZINHO RIBEIRO

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Paulo Rodrigues

Joãozinho é o poeta da vida, dos becos e das bandeiras. Amigo da arte, filho da cultura, irmão do tempo. Tem perfil de Desterro e me mostrou que a diferença entre história e causo está na importância da bandeira que se carrega”.  CLÁUDIA LOBO

 1.PR. Joãozinho Ribeiro, você está lançando em todas as plataformas digitais o EP intitulado “Apesar dos coronas contrários”.  Como você observa o cenário brasileiro para a música produzida no Maranhão? O que falta para a sonoridade maranhense tocar a alegria da nação?

JR. Apesar dos coronas e dos contrários ... hehehe, o cenário é de uma produção criativa bastante rica e diversificada. O acesso ao mundo digital deu voz e vez a muitos compositores, intérpretes e músicos que se encontravam encobertos pelo manto da invisibilidade cultural. Claro que ainda temos, dentro destas considerações, uma desigualdade imensa regional, social, geracional etc. Os meios de comunicação tradicionais não facilitam muito neste sentido. Paradoxalmente, a pandemia contribuiu para que novas formas de comunicação fossem praticadas e consolidadas, assim como os editais. Entendo que a questão colocada em relação a uma certa sonoridade maranhense não seria muito aplicável ao atual momento. Acredito que, no passado, até  aconteceu essa possibilidade, nos anos 1970/80. No presente, a coisa se dá de forma mais dispersa e individualizada. Às vezes existem algumas experiências coletivas pontuais, como é o caso do EP “Apesar dos Coronas Contrários”, mas, no geral, creio que não existiria essa tal “sonoridade maranhense”, o que não desqualifica a boa safra de produções criativas que estão sendo levadas a cabo em todo estado do Maranhão. A alegria da nação precisa ser resgatada, com muita luz para iluminar o futuro e reencantar a esperança.

 2.PR. Joãozinho, suas composições são carregadas de beleza, lirismo e humor. Em “Apesar dos coronas contrários” essas caraterísticas são ampliadas. Você acha que o humor nos ajudará a atravessar este período de trevas? 

JR. No Brasil, o humor, mesmo nos períodos mais tenebrosos da nossa História, foi e continua sendo uma fonte contundente de resistência à barbárie. Sempre que tivermos de escolher entre civilização e barbárie, nunca estaremos do lado da barbárie! Nossa irreverência e capacidade de indignação, seja por meio do riso ou de qualquer outra forma de resistência, são partes integrantes e inteligentes do nosso modo de dizer não ao retrocesso, não ao negacionismo, não ao fascismo e a todas as formas, disfarçadas ou explícitas de suas manifestações: censura, fake news, prisões, tortura, exílio, e até a eliminação pura e simples de quem pensa diferente.

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 3.PR. Chico Buarque disse em entrevista (recente) para o Arquivo Visão: “O que me atrai na literatura – e na música também – é a sua perfeita inutilidade”. Você concorda com a fala do autor de Budapeste?

JR. Creio que música e literatura são linguagens artísticas que, por si sós, não transformarão o mundo por milagre ou coisa parecida; porém não consigo compreender um mundo transformado sem elas. Talvez essa colocação do Chico, artista que muito admiro e respeito, se dê num momento de perplexidade, diante de um instante histórico que parece se repetir, ao mesmo tempo como tragédia e farsa. Cabe a todos nós, progressistas e humanistas do presente, lutar pela superação da tragédia, e desmascaramento da farsa, para que o autoritarismo não prevaleça como vencedor, mais uma vez, em nosso sofrido e amado País. 

 4.PR. Como andam as atividades políticas do homem público Joãozinho Ribeiro? O que acontecerá no Maranhão quando finalizar o brilhante mandato de Flávio Dino? 

JR. Penso que sempre que faço arte (música, poesia, literatura etc.), também faço política. Sou um artista militante o tempo todo e todo o tempo, ainda que não ocupe nenhum cargo político na esfera administrativa do Estado. Faço isso quando escrevo, quando componho, quando canto e quando encanto; e o mundo se encontra bastante carente de novos encantamentos. 

“Tempo que sobra é passado / Tempo que falta é futuro.”

Acho que o principal legado do governo Flávio Dino está inscrito nas páginas do passado, já virou História! A escrita do futuro é uma coisa coletiva, fruto do confronto e do conflito das forças políticas que disputam o poder atualmente. Não há uma coesão, nem um consenso neste sentido. Nem poderia ser diferente. O Maranhão sobreviverá! Espero que os que vierem honrem o legado que receberem.

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 5.PR. Deixe uma mensagem de esperança para os leitores.

JR. Da recente parceria com o cantor e compositor Erasmo Dibel (O futuro é pra ontem), reafirmo minha esperança em versos: “Minha esperança é urgente / Felicidade pra agora / Que seja a meta dos dias / Presente a toda hora / Que chegue com alegria / E nunca mais vá embora”

 

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