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Há muito tempo, um costureiro chamado Dener, reinou no Brasil. Uma "belle époque".

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02/03/2022 às 16h33 Atualizada em 02/03/2022 às 18h02
Por: Mhario Lincoln Fonte: Redação Facetubes
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Reprodução de Arquivos Google Imagens.
Reprodução de Arquivos Google Imagens.

Capa: Em 1972, já em declínio, ele lançou sua autobiografia “Dener – O Luxo”, relançada em edição especial pela Cosac Naify em 2007. Nela, é possível sentir a afetação do estilista, que mistura ficção e realidade para contar sua história. Esse foi um dos últimos atos de autopromoção do designer. No fim da década, em 1978, Dener optou pelo exílio. Com pouco dinheiro e desgostoso com os rumos da moda no país, ele acabou se rendendo ao vício em álcool e morreu em 09 de novembro.

Dener mudou a história da moda de luxo no Brasil. Por isso ele é fascinante. Teve tanta coragem de falar abertamente que sabia dizer o que era ou não, realmente, a palavra 'luxo', nas peças e vestidos usados por grandes e famosos nomes daquela época. Uma de suas clientes era nada menos que Maria Teresa Goulart, a primeira-dama do Brasil.

O trabalho de Dener foi revolucionário. Vestiu com classe e consciência, mas desenhou com ousadia e desenvolveu sem sombra de dúvida, algo que podemos chamar de “moda brasileira”. Ele próprio costumava dizer que “agora as grandes senhoras do país não precisam mais se vestir na Europa”.

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Sua vida foi excentrica. Um fato que é contato no livro “Bordado da Fama, Uma Biografia de Dener”, do sociólogo Carlos Dória. Uma história real de que Dener, para receber o milionário playboy alemão Gunter Sachs, a pedido de Caio Alcântara Machado, "(...) vestiu suas copeiras com roupas de baiana, decorou sua casa no Pacaembu com as cores brasileiras e imaginou uma gaiola com pássaros exóticos sobre cada mesa. Como não os encontrou, comprou pombas e resolveu pintá-las e enfeitá-las. Tinha até pomba com pena de faisão. Só que no meio da festa, as pombas caiam estateladas, intoxicadas pela tinta em suas penas. Felizmente, graças à rebuscada decoração das gaiolas, os convidados não perceberam o desastre".

Entre suas clientes internacionais, a excepcional a atriz hollywoodiana Vivian Leigh (a protagonista do filme "E o vento levou") . Certa vez ela veio ao Brasil fazer uma visita à residência dele. Nessa visita ela levou vários vestidos! Com toda essa fama, ganhou vários prêmios nacionais e internacionais. Foi capa dos jornais e revistas mais importantes do país. Entre seus amigos e clientes estava gente da sociedade, políticos, atores, músicos, poetas, banqueiros e grandes artistas. em seu lado "promoter", ajudou na organização da primeira Fenit, em 1958.

Capa do livro. (Reprodução).

ALGUMAS FRASES POLÊMICAS (ou não):

" Há uma diferença grande entre mulher bem vestida, mulher chique e mulher elegante. Agora criei uma nova categoria : a mulher luxo ! "

" ... o mais chato, o mais esnobe, o mais culto, o mais industrial, o mais besta, pois na verdade, sou tudo isso ... " 

AS POLÊMICAS

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Dener e Clodovil - outro ícone da moda brasileira - se rivalizaram muito nas décadas de 60/70. Mas, há quem diga que Denner ficou muito irado com seu oponente foi quando ele, Clodovil, foi convidado para o enterro de Coco Chanel.  Dener a tinha como deusa e era apaixonado pela francesa.

Essas e outras polêmicas deu até novela na Globo. Lembram de Ti-ti-ti? Há quem diga que foi literalmente inspirada na notória rivalidade entre Dener e Clodovil. A briga entre ambos se dava devido à inveja de um pelo outro, quanto a aparição na mídia. "Dener se queixava que Clodovil não fazia mais moda, sendo apenas alegoria de programas de auditório". Já Clodovil devolvia no reverso da moeda, "(...) tudo isso é pura inveja dele (Dener)".

Contudo, saindo do ideário coletivo, a consultora de moda Costanza Pascolato deciiu abrir o coração e dizer:" (...) essa rivalidade não passa de jogada de marketing: Dener e o Clodovil eram amicíssimos. Eles sabiam que forjando essa rivalidade, ganhariam espaço na mídia. O que de fato conseguiram”.

FOTO

Com a Primeira-Dama Maria Tereza Goulart

Na matéria da revista "Veja", de 12 de abril de 2019, sobre o livro "

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", do jornalista Wagner William, o seguinte, reportando-se, sobre 1964: 

"Em 1º de abril daquele ano, a sempre elegante Maria Thereza foi expulsa da Granja do Torto com os dois filhos, Denise e João Vicente, e apenas uma mala de roupa — suprema heresia para quem tinha um guarda-roupa cheio de peças assinadas pelo estilista Dener". 

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