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Brasil 8 de Março/2022

Clevane Pessoa, Vice-Presidente da Academia Poética Brasileira, escreve sobre a "Força da Mulher"

Clevane Pessoa é da seccional Minas Gerais.

08/03/2022 08h27 Atualizada há 4 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Clevane Pessoa
Clevane Pessoa
Clevane Pessoa

A força das mulheres

Nunca é demais lembrar porque em 8 de março comemora-se o DIA INTERNACIONAL DA MULHER. Em Nova York, as operárias uma fábrica de Cotton reivindicaram uma jornada de trabalho menor. Queriam trabalhar menos horas. Como se sabe, a jornada operativa das mulheres, é dupla. Põem o pé em casa – e já tem início toda uma infra-estrutura a ativar: lavar / passar / cozinhar, ensinar tarefas escolares, arrumar, educar e... cumprir as “obrigações sexuais”, senão, é um “Deus nos acuda”. Hoje, felizmente, com o advento da pílula anticoncepcional, descobriram que tinham direito ao prazer, que a sexualidade não existia apenas para a procriação...

Mas voltemos à data e questão. Os patrões simplesmente mandaram atear fogo onde estavam as rebeldes grevistas. Assim consta. Morreram queimadas. As que trabalhavam para sustentar ou ajudar a sustentar a casa, os filhos... As que tinham lá a convivência de uma história de amor, deixando os companheiros sozinhos... As mães, cujos filhos as estavam aguardando em casa, com a ansiedade das crianças cujas mães saem todos os dias, e elas esperam que voltem – mas nunca têm absoluta certeza (no consultório, em ludoterapia estou sempre testando essa angústia infantil, ajudando a curar as psicossomatizações... com a violência humana de hoje, então – “o ladrão pode matar a mamãe, que é auxiliar de enfermagem e sai tarde do trabalho...” “minha mãe tem que trabalhar para me dar as coisas” “eu quero ir junto, mas não posso...” “ela me disse que agora que ela e papai se separaram, vai trabalhar nos Estados Unidos e vou ficar...” “Tenho medo que...”... São dores legítimas, temores justificados... E os que não sabem falar, desenham, modelam, choram)...

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Fico pensando naquelas que estariam grávidas... A morte multiplicada no corpo, como digo num poema. Nas que ainda iam iniciar a vida em comum, nos intervalos e folgas, a coser, bordar o enxoval... Nas que tinham um pai, mãe, avós idosos tão dependentes delas quanto crianças...

Trabalhei na Casa Abrigo Sempre Viva, que a Prefeitura Municipal mantém. Mulheres assustadas, ali escondidas com seus filhos, a quem reensinávamos a re / viver, a se re / conhecer, tão perdidas de si mesmas e assustadas estavam. Havia quem apanhasse porque penteava os cabelos – uma vaidade, um pecado, sentenciava o algoz.. Quem tinha de “suportar” o marido drogado de pé, contra a parede, enquanto amamentava um bebê. Sem carinho, sem desejo, objeto de uso! Quem poderia, a qualquer momento ser assassinada – como queima de arquivo, já que o companheiro era traficante... As vítimas de delírio celotípico (o monstro do ciúme, injustificado, a torturar mental e fisicamente)... As casadas com adúlteros machistas, que batiam nelas enquanto paparicavam amantes. Os maus, os monstros, os doentes mentais...

A luta é constante.

Mas mulher se refaz de si. É forte, corajosa e bela. Como a Fênix mitológica, grega, que renascia das cinzas, mas bela. Ou como a Fênix japonesa, bicando o peito num período de seca, para alimentar, com o próprio sangue os filhotes a piar nos ninhos...

A mulher antiga tinha a intuição altamente desenvolvida. Via, com os olhos da alma. Preparava remédios fitoterápicos. Fazia partos. Amparava tantos os que nasciam quanto os que morriam. E continuava amparando os que viviam.

Na Inquisição, taxadas de feiticeiras e torturadas barbaramente, morriam pelas dores, por ataques cardíacos, por cansaço, pelo fogo, enterradas vivas, desarticuladas. Passaram às demais, a noção de PERIGO. Era perigoso ser mulher.

E, na ampulheta do tempo, longo tempo se passou, para escoar a areia, até que hoje, todas querem se renovar, se empoderar. Na moderna Wicca – a ciência do natural – recuperam o perdido...

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Este escrito hoje, é para homenagear a vocês, MULHERES, e lhes desejar LUZ para que jamais sucumbam nem permitam que lhes seja roubada a sua extrema FORÇA. VOCÊS PODEM.

Pensem nisso.

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Joema CarvalhoHá 4 anos atrásCURITIBAO que relata ainda é fato e reflete uma realidade muito primitiva. Ainda bem, que estamos ativas e mais unidas. Este movimento é crescente e não tem volta. A busca pela nossa ancestralidade, conforme mencionou, é fundamental neste processo. Texto forte! Parabéns!
Keila MartaHá 4 anos atrásSão LuísSó investindo na educação, na formação de valores das novas gerações, de meninas e meninos que esse cenário pode ser mudado. Enquanto ficamos a assistir a vida das mulheres ao acaso, umas com sorte outras com pouca, e não vai dizer que se restringe a uma determinada classe social, cor de pele, cabelo ou tipos de profissão...
Keila MartaHá 4 anos atrásSão LuísUma excelente reflexão, ontem em homenagem às mulheres preferi o silêncio porque sei, que muitas a cada instante estão sofrendo algum tipo de violência, desrespeito e até feminicídio. Eu posso dizer que tenho privilégios, lugar de fala, uma boa formação e sou cercada de homens bons o que isso me permite é aumentar a empatia e sonoridade, mas infelizmente o machismo estrutural está entranhado no discurso de muitas mulheres, e isso causa impotência, por ser um problema enraizado.
Kalil Guimarães Há 4 anos atrásBrasília DFParabéns Clevane. Seu texto expõe uma realidade triste e que deixa marcas profundas. A luta é grande. Mas o grito de liberdade ecoa. Os grilhões estão sendo cortados. A bandeira da liberdade está sendo hasteado.
Monica Puccinelli Há 4 anos atrásCuritiba Na história de todos os tempos, nos mulheres, fomos, muito lentamente deixando improntas de nossa determinação e força interior, nossa intuição que estimula nosso caminhar, como se fosse Eu escondido que diz, vai vc consegue, vc e capaz. Na verdade não lutamos para ter méritos mas sim para abrir e melhorar o caminho de que nos segue através os séculos. Grata, Clevane Pessoa, amém seu texto, minha admiração por sua pessoa, só cresce
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