O SENTIDO DE “AMAR-SE” EM SUA ESSÊNCIA
*Mhario Lincoln
Poucas pessoas se dão conta de uma das mensagens mais bonitas do Cristianismo: “amar o próximo como a ti mesmo”. Porém, só vai entender realmente esse incrível ensinamento quem se ama de verdade. Não se maldiz no primeiro erro. Não tem ódio daqueles que lhe enganam. Não se vinga com retaliações bobas. Não desdenha dos pedidos feitos por Oração e não respondidos em tempo desejado. E mais: perder a Fé é algo muito preocupante.
Maldizer-se no primeiro erro é se afundar ainda mais nos subsequentes. Se os sábios se acercaram da máxima, "errare humanum est" para exemplificar o “continuar lutando par alcançar todos os objetivos possíveis”, é porque há uma verdade nisso. Desta forma, Alexandre Herculano foi também sábio ao deixar na história essa frase: “Eu não me envergonho de corrigir os meus erros e mudar de opinião, porque não me envergonho de raciocinar e aprender”.
Outra coisa infeliz e que demonstra exatamente o contrário do "amar-se" é o ódio em razão dos males que lhe são causados. Óbvio que existem barbáries que nunca serão esquecidas. Existem maldades humanas inaceitáveis. Contudo, ter o coração cheio de ódio, em busca de vingança só piora as coisas, não para o ofensor, mas para o ofendido. Hermann Hesse disse certa vez ser o ódio por si mesmo, é idêntico ao flagrante egoísmo e, no final, conduz ao mesmo isolamento cruel e ao mesmo desespero. Em tempo: eu analiso aqui o “gostar-se', o ”amar-se", primeiro. Não discuto se a retaliação é necessária ou não. Que fique entendido.
Outra insensatez imensa, nessa linha, é desdenhar da Oração, por não ter as situações requeridas, imediatamente solucionadas. E o que falar da Fé de Moisés que pediu para entrar na terra prometida e o pedido lhe foi negado? E de Davi? Ele orou por semanas pedindo que o filho recém-nascido não morresse... e ele faleceu. De Santo Agostinho que, ainda criança, pedia em oração, que os professores não lhe batessem, mas continuava apanhando na escola? O mesmo Santo Agostinho escreveria anos depois: “Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no evangelho que você crê, mas, sim, em si mesmo”.
O pior do não “amar-se a si mesmo” são as consequências. Vão perdurar por toda a vida, se não corrigir tais imprudências pessoais e intransferíveis. Aí entra o poder da autoconfiança. E o que é realmente isso? M. J. Ryan nos ensina em seu livro a essência do “ser autoconfiante”. Primeiro e fundamental, é não se achar superior aos outros. Depois, esforçar-se para conhecer os próprios talentos e limites. Indo mais em frente, usar os nossos pontos fortes para superar obstáculos e obter resultados positivos com o que temos. Ryan também fala de algo de muita coerência: “alegrar-se com as conquistas e aceitar as derrotas”, como consciência de que “sempre aprenderemos a recomeçar com os erros”.
E eu acrescentaria outra coisa que a mim, me fez crescer muito. Aplaudir as vitórias e o crescimento interpessoal dos outros. Até mesmo daqueles que me trouxeram algum prejuízo espiritual, em algum momento de minha passagem por este Planeta de provações e expiações. E tais maldizeres e traições para comigo geraram frustrações ou ódio? Nem uma coisa, nem outra.
Tudo que acontece hoje e sempre, servirão de base evolutiva sine qua non. E somente com um crescimento mental, espiritual e dos chacras interiores é que se realizam algumas situações, dantes impossíveis, como, por exemplo, a libertação definitiva da sensação de incompetência, (eu tive muitas vezes), do medo e da culpa, utilizando alguns princípios básicos que o mesmo M. J. Ryan sugeriu: ter autoconsciência para saber distinguir o que é importante (ou não) para aquele momento - como também sugere a Oração da Serenidade, “aceitar as coisas que não podemos modificar e sabedoria para distinguir umas das outras” - ter autoaceitação, acolhendo a forma como nós somos, dentro da complexidade do pensamento; e, por fim, da liberdade para escolher o melhor para o nosso crescimento, sem depender da aprovação dos outros. Volto à Oração da Serenidade, “Coragem para modificar as coisas que podemos”.
Ryan, então, fecha o pensamento afirmando: “quando confiamos em nós mesmos, nos permitimos ser mais gentis e tolerantes conosco, o que se reflete em todos os nossos relacionamentos. Entendemos que a vida é uma jornada de aprendizado e seguimos em frente com otimismo e alegria”.
No item “perder a Fé”, por não receber respostas imediatas de Deus, nas orações, simplesmente vale seguir a sugestão explicativa do teólogo Josanan Alves: “Quando oro, eu vou a presença de um Amigo e não de um político ou de um Papai Noel cósmico...”.
Que assim seja!
Mhario Lincoln
Presidente da Academia Poética Brasileira
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