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Do imortal da Academia Maranhense de Letras, José Neres: "Rocha no meio do caminho"

Rogerio Rocha integra a Academia Poética Brasileira

19/04/2022 às 11h55 Atualizada em 19/04/2022 às 12h23
Por: Mhario Lincoln Fonte: José Neres
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Rogerio Rocha e José Neres.
Rogerio Rocha e José Neres.

Convidado: José Neres é professor, membro da AML, ALL e da Sobrames-MA

Quando se apela para a alquimia das palavras e se junta na mesma frase vocábulos como poema, pedra, penhasco, rocha e versos, os leitores mais afeitos aos clássicos antigos e que se alimentam de sonetos bem elaborados trazem logo à mente a figura de um Cláudio Manuel da Costa, o poeta que introduziu nas letras brasileiras a essência das máximas árcades que nos aconselham a fugir do meio urbano para aproveitar a vida em um local ameno. Outros leitores, no entanto, fazem logo a ligação direta com a cerebral e bem construída produção poética de João Cabral de Melo Neto, um dos mais completos poeta do século XX, um homem capaz de educar pela pedra e de transformar um único Severino em uma referência eterna para todos os Severinos condensados e metaforizados no ritmo de versos nucleares da poesia modernista. Mas ninguém poderá deixar de lado também a incômoda pedra no caminho do jovem Carlos Drummond de Andrade, poeta mineiro, que, em 1928, transformou uma mera pedra em um monumento às vezes incompreendido da poesia brasileira. Como esquecer também a pedra encontrada nas águas de março eternizadas na voz de Elis Regina.

              Porém, além dessas, há outras rochas e outras pedras que mais recente também se transformaram em versos e que merecem uma atenção por parte dos amantes das letras. Trata-se do livro Pedra dos Olhos (Editora Hamsa, 2019), do filósofo, poeta, advogado e professor Rogério Henrique Castro Rocha, mais conhecido como Rogério Rocha, e que tem dedicado parte de suas energias para compartilhar conhecimentos na grande rede de computadores, entrevistar autores de diversas áreas do saber, comentar obras de seus contemporâneos e traduzir em palavras, versos e estrofes suas observações, anseios, dúvidas e sentimentos.

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              Pedra dos Olhos é um livro que, em 190 páginas, reúne quase uma centena de poemas sobre temáticas diversas, mas sempre carregados de um olhar que mescla um olhar social e pessoal com múltiplas leituras feitas das obras de poetas, filósofos, juristas, sociólogos e outros intelectuais que acabam compondo um complexo labirinto de saberes que se bifurcam na busca da melhor maneira de o poeta expressar-se diante dos “sustos” cotidianos que o tiram de uma suposta zona de conforto e o faz acreditar que as palavras podem ter o poder de chamar a atenção para o que pode ser melhorado no mundo, para aquilo que sempre esteve bem diante dos olhos de todos, mas que parecem obstaculizados pelas “pedras” que nos impedem de seguir o caminho que está aberto à nossa frente.

              Mesmo sem intenção de fazer da tessitura do livro um “mosaico de citações” como certa vez disse Julia Kristeva, Rogério Rocha, mesmo buscando imprimir uma dicção poética própria em cada poema, acaba deixando para o leitor rastros de suas leituras: Tribuzi, Drummond, Vinícius, Cabral de Melo Neto, Nietzsche, Spinoza, Schopenhauer, Fernando Pessoa, Nauro Machado e muitos outros escritores que se entrecruzam nas malhas da intertextualidade.

              Em Pedra dos olhos há espaço para a discussão de temas tão diversos quanto o contato com o mundo cibernético, quanto o fascínio pela voz de uma estrela como Karen Carpenter, passando por indagações filosóficas, imersão no erotismo, as alegrias do nascimento de uma criança e a observação de coisas do cotidiano, como uma chuva que cai e as mudanças ocorridas na urbe. Tudo, de alguma forma, pode ser transformado em poemas pelo olhar atento de Rogério Rocha.

              Trata-se de um livro para ser lido com calma e paciência, sem se desviar das pedras, das rochas e dos obstáculos que podem aparecer a cada curva dos poemas. desviar-se dessas pedras seria deixar de lado a matéria-prima de que é construído cada poema: o olhar atento de um homem que se reconhece como em construção, mas que aproveitou cada pedra do caminho para encher seus olhos de esperança em dias melhores, mesmo que, às vezes, tenha que utilizar a força de um martelo para abrir caminhos em situações nas quais outros viriam apenas obstáculos intransponíveis. Afinal de contas:

Meu martelo profético desfaz e arrasa,

Com golpes potentes, enormes pancadas.

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As torres maciças que o templo resguarda.

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Linda BarrosHá 4 anos São Luís Uma das muitas coisas boas na literatura é "passar pelas rochas" pelo caminho, para assim poder ter a oportunidade de ler textos como esses ( de Rogério e de Neres). Parabéns aos dois e a este portal.
Prof de Letras/Rio. Gracielle Martins DummasHá 4 anos Rio de Janeiro/Caxias MACaro José Néres, escrever com caracterização simbolista e parabolista é incrível. Suas palavras escritas me ajudaram a entender um pouco mais o queridíssimo Drummond maranhense (Trata-se de um livro para ser lido com calma e paciência, sem se desviar das pedras, das rochas e dos obstáculos que podem aparecer a cada curva dos poemas.).
Marcluce MoraesHá 4 anos são Luís MaAdoro ouvir e ler Rogério Rocha. Viva o Maranhão paidégua.
Prof. Dr. Armando Casemiro Furtado (Catedrático de Literatura, aposentado).Há 4 anos São Paulo, capital. Nasci em Brejo MA. Orgulho-me disso.Meu caro Néres. Saí do Maranhão em 1970. Na efevescência dos movimentos malucos da poesia de protesto. Muita coisa boa, eu li, outras, não. Mas neste dias atuais você nos brindar com um filósofo/poeta? Aí me deu uma vontade imensa de voltar pra Ilha. Acho que começaram a retomar a seriedade das coisas por aí. Tenho lido aqui neste portal referência, tantos novos poetas, tantas novas ideias que me fizeram refletir sobre a "Athenas Brasileira". Obrigado Neres. Mais um bom, na minha lista.
RogerioHá 4 anos São Luís - Maranhão Minha gratidão e respeito ao grande professor José Neres e ao querido amigo Mhario Lincoln. Obrigado sempre.
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