
Sobre a noite de autógrafo de Meu Ser Espelhado em Mim
Gabriel Barros Neres, Jornalista
Foi lançado no sábado, dia 14, o livro “Meu Ser Espelhado em Mim”, da escritora, atriz, professora e Membro da Academia Poética Brasileira, Linda Barros. A obra é um copilado de poemas com cunho intimista, onde o espelho é o objeto imagético que retrata e mostra o ‘interior’ dos seres humanos.
“Meu Ser Espelhado em Mim” é um livro de poemas, com uma temática livre e do cotidiano da autora. Alguns poemas são textos a título de homenagem, seja a amigos, seja a familiares. Em uma visão bem simplista, “Meu Ser Espelhado em Mim” é uma obra em que a autora transpassa o próprio universo particular e leva o leitor a refletir sobre passagens aparentemente corriqueiras, mas que, quando vistas sob a ótica da poesia, acabam ganhando outra perspectiva.
“Fico muito feliz e emocionada por lançar meu segundo livro, muito satisfeita por ver tanta gente conhecida, amigos e familiares”, declarou Linda Barros.
Para dar início ao evento, todos tiveram a oportunidade de ver um poema da autora e transformado em música pelo artista cearense JotAlencar, onde o mesmo cantou “Nasce o Dia”, texto de Linda Barros. Em seguida, foi reproduzido o vídeo enviado por Mhario Lincoln, Presidente da Academia Poética Brasileira, em que deu as boas-vindas a todos os presentes e em poucas palavras fez uma homenagem à autora. Houve também declamações de alguns poemas da autora por parte de membros da plateia.
A noite de autógrafos contou com a presença de diversas pessoas, entre familiares e amigos da autora e vários escritores, poetas e membros de outras instituições literárias, como a Academia Maranhense de Letras, a Academia Maranhense de Trovas, representada por sua presidente, a escritora Wanda Cunha, a AJEB (Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil), a Sobrames (Sociedade Brasileira de Médicos Escritores) e a Academia Ludovicense de Letras. Ainda esteve presente no evento o Vice-Reitor da Universidade Federal do Maranhão e editor do site Região Tocantina, o professor, escritor e doutor Marcos Fábio Belo Matos.
PREFÁCIO
Matura ímpios semitae ipsius
(ou a transposição do espelho)
Mhario Lincoln
Recebi com muita significância a incumbência de prefaciar esta segunda obra lírica de Linda Barros, minha nobre confreira da Academia Poética Brasileira. Afora isso, Linda Barros tem se mostrado ao longo dos anos em que convivemos através de trabalhos literários conjuntos, uma mulher capaz de dirigir entre as nuvens da alma um Zeppelin cada vez mais cheio de capacidade intelectual, perseverança, talento e maturidade no que faz.
Maturidade essa explícita nesta obra que ora leio, “Meu Ser Espelhado em Mim”, com surpresas incandescentes que remontam a mais profunda sensibilidade lírica, às vezes forte, como as guerreiras de um Olimpo, imersas em saudades, outras vezes, submergidas na convivência diária com a realidade, como nesse encômio ao marido, imortal José Neres (AML):
“(...) Tu, homem/Que não combina com/o sol/tu, que sempre sorriu/para o vento,/tu, que está sempre/disposto/a correr contra o tempo./Tu, que jamais desalenta/vem/ vem/e/pisa nesta terra/que é o teu chão.”
“Meu Ser Espelhado em Mim”. Sim, este é o segundo livro de poesias de Linda Barros, apresentado aqui, nestas páginas vestibulares. É como um ato fenixal de renovação para respirar ar puro, entrar em contato com a natureza e renovar sua energia poética, fortificando o espírito buliçoso, criativo, renovador e forte: “(...) Mulher?/Sim/ Mulher?!/Sim/Mulher que carrega/As dores nas costas/ Mulher que se olha/No espelho/Sem medo de seu reflexo”.
É no encontro dessas virtudes o início da provocação singela entre o leitor e a autora, numa peleja que se integra, como em simbiose, a versatilidade de Linda, na ideológica de suas catarses, balanceadas entre o ‘aqui e agora’, sem o costumeiro ilusório e metafórico ‘poetar desproporcional ao sentimento pessoal’. Neste “Meu Ser espelhado em Mim”, a poesia é real, incrustrada de dor, alegria, saudade e realismo, concentrado, em letras e versos, tudo o que mais precisamos hoje em dia: interação com juízo; verdades com luminosidade; coragem com abundância de talento:
“(...) Matando o tempo/No dente/Com o doce sabor/Da partida/E com as rodas/Do destino deslisando/Bravamente o caminho/Que nos leva a/Um destino longínquo/E incerto”.
Ao ler e absorver este compêndio lírico, têm-se a sensação grata de um ato onde é congregado uma madura reflexão sobre poesia, tempo-espaço geográfico, percepção social e crescimento factual de uma menina vinda do interior do Maranhão, mais especificamente, da pequena-linda cidade de Pastos Bons, como se um rio franzino, enlarguecendo as margens e avolumandose em conhecimento, enquanto atravessa a pradaria da consciência cotidiana. Hoje, desembocando no lugar mais abissal de um oceano indo alojar-se na galeria dos grandes nomes da poesia maranhense: “(...) Por que me abandonas?/se ainda tenho sorriso aberto,/pupilas dilatadas,/ e coração batendo? (...)”, simplesmente incrível alusão a igualdade de sentir, de ter, de possuir com dualidade, numa clara visualização do outro, em sua individualidade egóica.
O que tenho em minha mão, lendo amiúde, são reflexões confirmatórias – agora documentadas - do potencial aleatório, espalhado pelas redes sociais, onde eu conheci Linda Barros. Eram pontas soltas multiplicadas, mas assopradas para vários cantos literários, chegando o mais longe possível ao construir uma base sólida em um segmento de difícil acesso. Lembro-me, aí, de Safo, a mais impactante poeta grega em nossa tradição e a única que conhecemos mais de perto, porque foi trazida até nós por Éolo, o guardião dos ventos, citado na Odisseia, de Homero. Com Safo, aparecem também embaladas por um vento um pouco menor, Praxila, Telesila, Mirtes e Corina. No caso de Linda Barros, essa, alçou voo através de suas próprias asas. O vento de Éolo, apenas a fez chegar ao cume do Monte Olimpo: “(...) Escrevo porque perpasso/Os muros dos sonhos./Escrevo porque converso/ Com a solidão./Escrevendo sou ser libertador,/pois assim posso dizer não. (...)”.
Impressiona ler “Meu Ser Espelhado em Mim”. Impressiona conhecer a alma de Linda Barros. Impressiona a construção tijolar da caracterização versicular, a partir de um pensamento que beira a singularidade da prosa. Mas sem ser prosa, nem prosa poética. Há uma construção perceptível de plasma, avolumando-se entre o físico e o seio coronário, onde flui a maior parte das emoções líricas que lhe sobem ao cérebro e provocam a sinapse artística: “(...) Um amor puro/Um amor doce/Um amor duro/Um amor que floresce/Um amor que adormece/E some,/Sem nada dizer!”.
Enfim, Linda Barros acaba provocando o leitor a ir mais longe, acompanhando os estreitos caminhos de um raciocínio muito fiel à poesia. Não uma poesia comum. Mas uma poesia visceral. Só dela, resultando de uma intimidade fora do comum com ela mesma, buscando no calabouço do coração, excertos magníficos, transformadores e catárticos. Uma prova inconteste que a poesia, no caso de Linda Barros e seus novos caminhos, não se resume, apenas, a flocos utópicos, haja vista o sentimento pessoal pelos seus (esposo e filhos), pelo amigo que desencarnou, o poeta Carvalho Junior: “(...) No alto do Morro do Alecrim/ele aprendeu a caminhar sozinho/com seus versos, suas rimas./Descendo a Grande Ladeira (...)”. Ou, ainda, numa homenagem a amiga e poeta Dilercy Adler e ao padrinho Grangeiro.
E como saio após a última página deste compêndio poético? Saio acreditando ainda mais na poesia como alimento da alma. Esta obra é o reinício de um novo caminho, ainda mais intenso em razão de não ser uma simples experiência ou um momento único de inspiração – como no livro anterior. Agora, Linda faz descobrir a função maior das palavras ajustadas harmonicamente (ou desarmonicamente), cheias de energia cósmica alteradora da forma como vivemos, trazendo muito mais júbilo à vida. Como a ribalta, não iluminando os rostos dos personagens, mas o coração de uma poeta consciente do seu amadurecimento, nesse novo caminho que acaba de seguir:
“(...) Essa sou eu/Implacável/Solícita/Ingênua e/Triste/Essa sou eu/Como a gaivota/em meu voo solitário/com meus devaneios/Insólitos e/Fugazes/ Essa sou eu/trilhando os caminhos/Incertos./À procura de quê?/De sonhos,/Então, essas somos todas nós/Atrás de um novo saber”.
Avante, nobre poeta!
Com respeito,
Mhario Lincoln
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