Nota da Redação: "Esta manifestação poética recebeu da nossa Editoria de Arte, Poesia e Música MENSÃO HONROSA e LOUVOR POÉTICO pela estrutura lírica e mistura de vários conceitos de criatividade independentes". (Mhario Lincoln, editor-chefe).
LUCIAH LOPEZ
(...)
eu não parei pra ouvir o vento
e nem mesmo soltar o redemoinho de areia ou o sacrifício da dor.
não houve o tempo das lamentações e
nem duvidei do gosto da sopa ou
da chuva ácida que guardei dentro da mala.
tudo é enigma!
e as dores nada mais são
que alimento pra alma enquanto a carne se liquefaz
na brutalidade dos manguezais .
jamais a covardia me feriu
quando com suas patas de cascos fendidos
passou rente ao meu coração e não deixou rastros
porque não era nada...
...nada além de uma covardia que estanca o olhar
mas não impede a visão.
e os idiotas mantém sua lucidez na prenhez das ideias
e dizem inverdades em poemas concretos
sem que seja preciso algo mais que um rabisco
numa folha ou num saco de pão.
as migalhas enchem o papo dos pombos
e as estatuas defecadas em seu silêncio imaginário
engolem o rubor de suas faces brancas de guano
enquanto canhões lançam balas incendiarias.
os mortos se levantam famintos
agitando xales de teias de aranha
como fossem bandeiras tremulantes
em busca da liberdade e canções profanas.
restam as brasas e o calor e o vento lunar
e o Sol que conhecerá os meus dias finais
porque eu nasci num ciclo dentro de outro ciclo
que nunca termina numa estrada por onde rodam
ônibus e carros levando em suas corcundas
a negritude da palavra vã.
permaneço em pé enquanto o dia engole a negritude da noite.
.
Ilustração: MHL
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Luciah Lopez, poeta, contista, articulista e membro da Academia Poética Brasileira.
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