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O acadêmico APB Eloy Melonio escreve deliciosa crônica sobre o ir e vir dos amigos

Eloy Melonio é membro da Academia Poética Brasileira, seccional do Maranhão

22/07/2022 às 21h47 Atualizada em 29/07/2022 às 21h08
Por: Mhario Lincoln Fonte: Eloy Melonio
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Papo com o amigo Ricardo Freire para recuperar o tempo perdido (cerca de 20 anos). Esse reencontro é o tema desta crônica de hoje.
Papo com o amigo Ricardo Freire para recuperar o tempo perdido (cerca de 20 anos). Esse reencontro é o tema desta crônica de hoje.

 

ACHADOS E PERDIDOS

Eloy Melonio

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Amigo é aquele que, antes do ombro, dá o coração.” (Mhario Lincoln)

 

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Para anunciar a escalação do nosso timaço ― da forma como ele realmente merecia ― só mesmo chamando Galvão Bueno, com sua voz inconfundível. Não sem antes impor uma condição: ele deve anunciar seus nomes como se fossem os craques da Seleção Brasileira.

 

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E, se quiser, pode consultar seu “VAR” particular, ou seja, "o Velho Arnaldo", para uma consideração técnica (Pode isso, Arnaldo?).

 

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Esse “isso” não tem nada a ver com as posições ou qualidades dos “jogadores”, mas com os nomes pelos quais eram chamados quando estavam no campinho de peladas onde nos encontrávamos quase todas as tardes.

 

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Então, vamos lá! Imagine-se agora ouvindo a narração de Galvão Bueno: O time da COHAB-Anil vai de Farinha, Magriça, Pé de Bicho, Maguari, Maior, Boca de Galinha, Gringo, Elefante, Natal, Via e Bombom.

 

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Não são nomes tão estrambóticos assim, não é mesmo? Eram, na verdade, apelidos que nasciam de flagrantes inusitados que a galera não deixava escapar. E, raramente, alguém se chateava com isso. Apenas uma explicaçãozinha para sustentar a leveza das nossas intenções: “Via” era o apelido de um "estrábico” do elenco. Os outros deixo por conta da imaginação de vocês. Ah, e vou logo avisando: não vou revelar o meu.

 

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Espero que não se decepcionem com esta informação: esse time nunca existiu no sentido de agremiação futebolística. Podia ser esse ou outro qualquer. Ou seja, era mais que um time de peladeiros dos primeiros anos da COHAB-Anil (conjunto residencial/1967). Era um time de amigos. Amigos que eu não vejo há muito, muito tempo. Amigos que inscreveram seus nomes no meu livro da saudade. E que talvez já não estejam mais neste nosso mundo.

 

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Esta conversa toda só para falar ― isso mesmo! ― sobre “amizade”. De amigos que se perdem e que se acham. E também por causa dessa “roda viva” de que nos fala Chico Buarque: "Tem dias que a gente se sente/ Como quem partiu ou morreu". Nessa canção, as estrofes sempre terminam com os versos: “Mas eis que chega a roda-viva/ E carrega (destino/saudade) pra lá”.

 

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Em se tratando de amizade, a “roda-viva” ― sem aviso prévio ― pode “trazer ou levar” as pessoas a quem nos ligados pela afeição, simpatia, estima. Como disse antes, imagino que a galera do time anunciado por Galvão Bueno já está toda “perdida”.

 

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Mas eis que ― depois de cerca de vinte anos ― chegou o Ricardo para entrar no time dos "achados” (ou "reencontrados") na curva do vento. Um amigo com quem convivi por cerca de oito a dez anos. E com ele a inspiração para esta crônica. Eita roda-vida danada!

 

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Amigos, todos os temos. E o bom da vida é que temos todos os tipos de amigos. Generosos, confiáveis, amáveis, problemáticos. Um sem-número de adjetivos se aplica a essa categoria social. Temos o “médico-amigo” das campanhas eleitorais. Os best-friends das redes sociais. Já tivemos até “O Amigo da Onça”, um típico malandro brasileiro criado pelo cartunista Péricles de Andrade, que foi sucesso na Revista O Cruzeiro (1928–1975).

 

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A arte sempre reserva um cantinho para a amizade. Milton Nascimento, por exemplo, revela o melhor lugar para se guardar os amigos. O grupo Fundo de Quintal achou os versos mágicos para amplificar esse lado bonito da vida: “A amizade/ Nem mesmo a força do tempo irá destruir / Somos verdade / Nem mesmo este samba de amor pode nos resumir”. Um hino cristão, aproveitando a sabedoria do provérbio 18:24, refere-se a Jesus como “um amigo mais chegado que um irmão”.

 

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Hoje os meus amigos são outros. Outros senhores, outros perfis, outros humores. Igual mesmo só o “laço” que nos une. E, entre “achados e perdidos”, a galera da COHAB-Anil sempre estará guardada no lado esquerdo do meu peito.

_____

Eloy Melonio é contista, cronista, ensaísta, letrista e poeta.

 

 

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Allysson RibeiroHá 4 anos São LuísÉ simplesmente magnífico recordar, preservar e viver amizades. Amigos são irmãos que Deus nos dá. Parabéns poeta Eloy Melonio.
Heyder Há 4 anos São Luís Parabéns meu nobre amigo. Quem é bom já nasce feito.
Hilmar HortegalHá 4 anos São Luís MAA Arte sempre reserva um cantinho para a amizade. A amizade nem mesmo a força do tempo irá destruir. Os amigos sempre mantêm o laço que os une. Vc é um amigo verdadeiro, que canta poesia, uma voz que brota da alma. Parabéns
Ricardo FreireHá 4 anos São LuisEloy é o nosso "Gigolô das Palavras". Uma amizade, uma eternidade!
Pastor Do CarmoHá 4 anos Arari-Maranhão, Assembléia de Deus.Sei que você é evangélico, caro professor. Portanto, posso pregar a palavra aqui nesta crônica dizendo que existe pessoas que são colegas e outras que podemos chamar de amigos em um círculo bem menor. Jesus, era seguido por multidões, mas na hora de evangelizar mesmo, Ele chamava os três: Pedro, Tiago e João. Amém. Que a paz do Senhor Jesus esteja com o irmão Eloi.
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