
Convidados-membros da Academia Poética Brasileira:
1 - FRANCISCO BAIA (Escritor e poeta. São Luís-Ma)
Já me preparei talvez antes de nascer, pro passar da vida, pois, por ela, tudo passará, infância, juventude, velhice, com elas, sonhos, bens, poderes... A terra, matéria prima que serviu pra nossa existência, nos receberá de braços abertos, num espaço tão pequeno, incomparável, com os metros quadrados que nos cercaram. A vida é tão curta, e nós mesmo sem sabermos, se no amanhã respiraremos, somos: egoístas, perversos, maledicentes, insolentes, indolentes, gananciosos, mentirosos, dúbios, bipolares, traidores, infiéis, desconfiados, invejosos... Não aproveitamos nossa passagem efêmera pela vida, pra dizer as pessoas, que as amamos, não ouvimos as lamúrias, dores, inquietações do próximo, só pensamos em nós mesmos, somos o reflexo da transparente realidade cruel; somos o inverso das coisas boas que nossos pais nos ensinaram, porque não queremos perder o jogo das esquinas; somos o avesso do que é certo, pois errar sem punição, tornou-se banal; somos na verdade uma folha seca ao vento, fração de um segundo de um pensamento...
Na verdade não somos NADA e queremos ser TUDO! Minha'lma chora a dor que habita em mim, e lamenta o grito de dor que vem do outro lado de lá!
RE ...
Eu,
Buscando:
Redescobrir(me)
Recondicionar(me)
Rever(me)
Reavaliar(me),
Redirecionar(me),
Remendar(me),
Remir(me),
Redimir(me),
Refazer(me) ...
Sempre, constantemente, todo dia, porque, é preciso aprisionar a alma e libertar a poesia!
É mister acatar a palavra de Deus, ferir os joelhos, e olhar para os céus, e enxergar além nuvens, a mensagem escrita pelas Mãos do Criador, TODOS SÃO FILHOS MEUS!
Francisco Baia
======================
2 - ROGÉRIO ROCHA (Escritor, poeta e filósofo. São Luís-Ma)
ENQUANTO
Enquanto você passeia, eu escavo relíquias.
Enquanto você dança, eu ouço vozes distantes.
Enquanto você ri, eu grito para o nada.
Enquanto você se agita, eu descanso no solo.
Enquanto você cozinha, eu respiro o pó das horas velhas.
Enquanto você ouve Wagner, eu me retorço em pesadelos.
Enquanto tuas mãos tateiam a porta, eu silencio.
Enquanto tu sobes a escadaria, eu sorvo um copo de café.
Enquanto teus olhos marejam, os meus cintilam qual vaga-lumes.
Enquanto te finges de morta, aprecio a tarde deserta.
Enquanto tratas teus casos, eu desço a rua com mil coisas na cabeça.
Enquanto tu tomas sorvete, eu vejo Chaplin mais uma vez.
Agora ouve! Ouve essa música estranha, a tocar vazia,
sem ressonâncias, num vento que vem de tão longe…
NO COLO DO SOLO
O corpo-cobra desfaz-se
da casca
Beleza faceira esvai-se
… desaba
A linda face definha
a pele resseca…
Corre o tempo enfim
como sempre assim
precário e cruel
Até que nos reste
apenas o solo
cedendo seu colo
aos ossos sob o céu
Mín. 13° Máx. 20°