Letícia Mariana
Nunca penso em mim como uma lágrima dos poucos anos que vivi. Muito chorei, pouco vivenciei. Oras! Amei, sofri, gritei, perdi e ganhei. Li o máximo de livros que pude, não plantei árvores, mas o clichê dos livros escritos eu conquistei rápido demais. E rápido demais eu reflito sobre o amanhecer de rupturas! Eu me quebro.
Eu me sinto como nunca, eu me escrevo como uma obra inacabada. A juventude me ensina, pois penso ser a imortal dos imortais. Parece que a vida não vai acabar, não é mesmo? Dizem que quando a velhice chega, perdemos um pouco do encanto. Digamos que eu tive momentos de pouco encantamento, mas a escrita os trouxe novamente. Penso que, quando eu tiver cinquenta anos, poderei reler tudo que propus neste texto e rir das reflexões inadequadas de uma menina. Minha maior preocupação é se conseguirei realizar tudo que anseio, por vezes esquecendo de tudo que já realizei.
Aos nove anos eu já lia poesias. Escrevia, lia, sentia. Como se soubesse algo da vida além do meu brinquedo e do cereal de cada manhã. Hoje eu brinco de escrever, meu pão é o alfabeto, meu foco é o parágrafo. Se não existissem as letras, creio que eu não existiria aqui. Eu namoro a escrita como se fosse uma roupa na vitrine, como se eu costurasse cada tecido dela! Refletir sem escrever é tormento. Preciso disso, vivo disso! Sou uma autora sonhadora. Sonho em envelhecer com mais de dez, vinte, trinta livros publicados! O tempo não existe para os jovens, não é mesmo? Não entendo de matemática, mas acho que se eu respirar cada vez mais o trabalho, posso ter um pouco mais de trinta livros publicados e diversos textos on-line. Nada me impede – nem mesmo a lógica – de sonhar.
Lancei o meu primeiro filho aos dezoito. Refletindo além do que deveria, lembro do deboche alheio de quem desacreditava. Muita gente ri de quem somos, mas há sempre a esperança do sonhar para nos acalentar.
O adormecer de quem lê e, portanto, escreve. Dormimos num espaço-tempo que desconhecemos. A cada página, cada verso e prosa, nós nos tornamos um magnetismo de quem dorme. Quem sonha. Quem se embriaga de imaginações sem nem precisar de quaisquer substâncias! É mágico. É a vida literária.
Sou uma jovem escritora, mas vou envelhecer e me tornar somente eu. Sem a idade para me definir ou exaltar. Apenas alguém que escreve, lê, escreve e lê, sem parar, sem parar.
Jamais esqueça de refletir sobre o que você é. Jamais!
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