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Poeta e escritora Anely Guimarães (Kalil Guimarães) & o jornalista Mhario Lincoln

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11/10/2022 às 12h01 Atualizada em 12/10/2022 às 09h56
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln/Anely Guimarães
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VICEVERSA

Mhario Lincoln / Anely Guimarães, pseudônimo: Kalil Guimarães.

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1- Mhario Lincoln - Qual a sua sensação entre escrever um texto poético e uma prosa, transformada em crônica, conto ou flertes literários?

Kalil Guimarães - A sensação transcende, porque são textos que possuem uma aproximação inegável. Todos envolvem sonhos e mistérios que alimento com os sentimentos que estão entre a lógica e a razão.

 

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2- Mhario Lincoln - Sinto-me tocado de muita emoção ao ler suas obras. Tem segredo?

Kalil Guimarães - O segredo é o amor que alimento com a exteriorização das expressões humanas que oculto no coração e vai além da visão e da consciência e se esconde no interior dos sentimentos e da percepção humana e se localiza entre a lógica e a razão.

 

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3- Mhario Lincoln -  A vida! O que é a vida, quando o personagem dela é um poeta?

Kalil Guimarães - A vida é uma celebração interior com Deus através dos versos que estão no dia a dia que estruturam os poemas do cotidiano. A vida dos poetas é a experiência do que sente e gosta para comunicar sua poesia. Sou uma mulher de fé. Preciso acreditar em Deus e nas palavras de Cristo. “Amar ao próximo como a nós mesmos”. Sei que o ser humano é utópico, porque nasce com muitas ambições, como poder, dinheiro, inveja, ódio e destroem o amor ao próximo. A vida é curta e só tem ida, nascemos, cressemos, envelhecemos e morremos.

 

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4- Mhario Lincoln - Fale-me sobre sua produção literária. Quais livros? A próxima obra?

Kalil Guimarães - Minha produção literária é um aprofundamento que surge dos sonhos, do desejo e do amor que é possível no encontro com Deus. O poeta tem visões vê as imagens e as transfigurações. Humaniza as coisas. Em consequência surgiram: 'Bailando nos Sonhos', 'Tecendo Poesias', 'Espelho de uma Alma', 'Ecos do Silêncio', 'Voz do Inconsciente' e a próxima obra é 'Abstrato da Alma', a ser publicada em breve.

 

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(Kalil Guimarães).

5- Mhario Lincoln - O nosso www.facetubes.com.br publicou recentemente uma poesia forte de sua autoria. “Violência Doméstica”. Então, sua poética também sente necessidade de caminhar por esse tema?

Kalil Guimarães - A violência doméstica tem sido muito discutida nos últimos anos. Ela atinge a integridade física e moral das mulheres, crianças, idosos. Destaque-se que as mulheres são as maiores vítimas desse tipo de violência, mas a nível mundial é o que recebe menos denúncia, não só por vergonha, mas para defender outras pessoas da família pelos mesmos atos.

 

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6- Mhario Lincoln - Tenho uma curiosidade sobre uma de suas melhores obras: “Ecos do Silêncio”, publicada em 2018. Pode me contar como surgiu o tema central para a publicação do livro?

 

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Kalil Guimarães - "Ecos do Silêncio" surgiu de brados, impressões, rumores, repercussões, reflexos, recordações e reproduzidos pelos gritos do coração que explodem da alma. Você ao escrever a apresentação do livro destacou que: “poesia/ é silêncio não se vê/ se sente (…)”. "Ecos" surgiu dos cárceres, da utopia, das súplicas, das paixões, dos amores que clamam, choram e explodem da alma. É um som reproduzido por repetição de palavras que bradam aceitação, glória e lembranças que ecoam na amplidão do infinito. 

**************

Anely Guimarães, Pseudônimo Kalil Guimarães / Mhario Lincoln

1-Kalil Guimarães - Como foi tua trajetória com o jornalismo e com a literatura?

Mhario Lincoln -  Vou revelar um fato interessante que marcou essa minha história do jornalismo com a literatura. Meu primeiro texto publicado no Jornal Pequeno, no comecinho de minha carreira, levado que fui pelas mãos de José Ribamar Bogéa, dizia respeito ao "Sítio do Físico", uma gleba situada no Bacanga, em São Luís-Ma, lugar de muitas histórias. escrevi quase duas laudas sob forte emoção. Quando terminei de redigir na velha "Remington", subi correndo as escadas da redação que levava à sala de Bogéa. Qual não foi minha decepção. Em poucos minutos de leitura, ele, simplesmente, passou um grande "x" com lápis vermelho nas folhas e me disse em alto e bom som: "Pedi uma reportagem, não uma página poética". A partir daí, tive que aprender a escrever na linguagem do jornalismo, não de um contista. Foi bom porque passei a escrever dessas duas maneiras, de forma separada e definida. No meu caso específico, uma coisa levou a outra.

 

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2- Kalil Guimarães - Acreditas que as mídias e imprensa têm  responsabilidade na promoção da cultura e da paz?

Mhario Lincoln - Tarja Turtia, especialista da divisão 'Liberdade de Expressão' da Unesco, em recente entrevista que li, disse: "A mídia livre, independente e plural, é essencial para fortalecer a transparência e lutar contra a corrupção, pois são facilitadores importantes das demandas públicas de responsabilidade e receptividade de seus dirigentes". Imediatamente concordei com ela, principalmente porque a liberdade de expressão, a livre circulação de informação e o trabalho da imprensa, passam a ser muito importantes para dirimir conflitos porque levam ao público o que é gerado nas fontes de cultura, no berço das artes, em quaisquer que sejam suas origens. Prendo-me aqui, não à imprensa comprovadamente lateral, fantasiosa ou atípica. Mas àqueles veículos que divulgam conteúdos com qualidade e responsabilidade pelo que entregam ao leitor, independente das assertivas ou discursos ideológicos. Então, será que existe uma imprensa global livre? Possivelmente sim. Difícil? Sim. Mas existe, acredito!

 

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Mhario Lincoln.

3- Kalil Guimarães - Que prêmios ganhaste como jornalista e poeta?

Mhario Lincoln - Recebi ao longo de mais de 50 anos de jornalismo, ininterruptos, poucos prêmios. Todavia, alguns reconhecimentos que me valeram muito mais por tê-los em meu coração, do que à vista, lotando prateleiras em meu escritório. Dentre esses, Medalha de Ouro alusiva à Instalação do Grande Oriente do Brasil, no Rio de Janeiro; título de Comendador dos 200 Anos da Imprensa no Maranhão (UFMA); Comendador, na categoria Cavaleiro, concedido pelo Governo do Maranhão; Comendador da Academia Maranhense de Letras; Embaixador Universal da Paz, concedido pelo Cercle Universel des Ambassadeurs de La Paix. Por último o Diploma "Silver in Sales", que marcou a distribuição de 20 mil exemplares do meu livro "Ina-A Violação do Sagrado no Brasil e em vários países", na década de 90.

4- Kalil Guimarães - Que trabalho te marcou como escritor?

Mhario Lincoln - Foi certamente ter escrito um livro que ainda hoje repercute, apesar de tantos anos passados, desde o lançamento da primeira edição. Na semana passada recebi um pedido da direção de uma importante biblioteca afro-religiosa solicitando um exemplar de "Ina-A Violação do Sagrado" para compor a prateleira de " (...) livros históricos e importantes da literatura brasileira, no gênero (...)". Infelizmente todas as edições foram esgotadas e eu busco apoio para editar uma 4ª edição. Gostaria muito que fosse por alguma instituição histórica de nosso Maranhão. Até porque o livro retrata um dos maiores acidentes marítimos em águas de São Luís e sua imensa repercussão no Mundo inteiro: o naufrágio do terceiro maior graneleiro sólido do mundo, o "Hyundai New Word",  enterrado no golfão maranhense. Só isso já qualifica o livro na condição sine qua non, para ter sua nova edição impressa em território ludovicense.

5- Kalil Guimarães - Fala-me do teu estilo e da tua voz literária.

Mhario Lincoln - Quando iniciei no jornalismo de campo, todos os dias tinha que escrever sobre diversos assuntos. Isso porque a própria dinâmica das matérias me levavam a estudar muito, a fim de que não produzisse textos fora dos padrões intelectuais que o momento exigia. Afinal, escrevia numa mesma época de Erasmo Dias, Bernardo Coelho de Almeida, Eider Paes, Cunha Santos, Walbert Pinheiro, José Louzeiro, Bandeira Tribuzi e grandes nomes contemporâneos. Isso me levou automaticamente a misturar gêneros e vozes, a fim de compor esse maravilhoso coral de ideias, viézes, timbres, harmonias e arias. Uma coisa, entretanto, era unânime, na época: todos esses a quem me prendi em leitura tinham significância na defesa (voz) de assuntos pertinentes à comunidade ludovicense. Essa foi a razão de fincar meu estilo nesse campo plural, vindo a adaptar-me a quaisquer que fossem as vozes embutidas na linguagem dessa bela época motora. Tanto que minha produção passeia entre o clássico e o popular, acho eu, de forma espontânea e harmônica.

6- Kalil Guimarães - Ultimamente muitas pessoas escrevem poemas e contos. Essa manifestação poderá prejudicar a poesia e a crônica?

Mhario Lincoln - Acho que não. Há leitor para todos os tipos de manifestações lítero-poéticas. São essas manifestações que dão o direito ao leitor de escolher que linha ou gênero pretende seguir. Aliás, voltando um pouco no tempo, lá na época do Iluminismo, essa liberdade era consagrada. Todos tinham o direito natural de pensar e se expressar. Lembrei da frase clássica de Voltaire: “Ouse pensar por si mesmo”.  Na verdade, o próprio Voltaire cunhou outra frase dentro do mesmo espírito de liberdade, bastante conhecida e citada aos ventos: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-las”. Por isso, quanto mais se produzir, mais o leitor terá opção de escolha. Mesmo porque, ninguém é dono da verdade. Na própria Constituição, há registrado no Artigo 5º:  "(...) IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença".  

 

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José de Ribamar FlagoreHá 4 anos Imperatriz MA[Kalil Guimarães - A violência doméstica tem sido muito discutida nos últimos anos. Ela atinge a integridade física e moral das mulheres, crianças, idosos. Destaque-se que as mulheres são as maiores vítimas desse tipo de violência, mas a nível mundial é o que recebe menos denúncia, não só por vergonha, mas para defender outras pessoas da família pelos mesmos atos.] Estamos juntinhos nessa luta cara poetisa Anely Guimarães.
Marluce PradoHá 4 anos São Luís MaAnely querida. Esplêndida entrevista. Inteligente e muito bem situada na nossa época.
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