Angela Hadade navega entre a prosa e habitat lírico, de forma a equacionar os mistérios da vida, da existência, e da capacidade de amar.
Motivo para existir
Nossas vidas entrelaçaram-se em algum ponto do tempo
e, nesse mágico momento,
sentíamos que ele parecia parar.
Nossos olhos refletiam o mais puro brilho,
que a nossa obscuridade passava a iluminar.
E as palavras já não faziam sentido,
diante dos nossos sentidos plenamente preenchidos.
Emoções em abundância,
presas pela força do abraço
e em seguida derramadas no beijo,
que estalava com a chama
acesa pelos nossos corpos,
que juntos
produziam faísca
e, sobretudo, o mais convincente motivo para existir.
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Questão de tempo?
O que é tempo?
Uma entidade relativa, que desaparece
para algo, que alcança a velocidade da luz?
Meramente a medida de movimentos?
Uma ponte entre causa e efeito?
Uma rota que, da ordem para o caos, nos conduz?
Uma dimensão,
que fundida ao espaço,
dá origem a uma trama mágica e mutante,
que está em tudo e tudo que existe está nela?
Uma incógnita que segue tragando e expelindo uma nova realidade
ou a uma nova ilusão?
Deixando-nos apenas a memória,
como único elo ao que se foi?
Ou, ainda,
apenas a impressão de um fluxo contínuo de acontecimento…
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Silêncios
Há silêncios e silêncios.
Os que promovem um mergulho interior,
um encontro com nós mesmos,
que movem, removem, comovem,
que enchem de paz as mentes justas
e de terror as consciências pesadas,
porque sempre revelam verdades cristalinas.
Há silêncios profundos, que limitam a vida,
antes do nascer e após o fenecer.
Há silêncios perturbadores, que falam de desinteresse, esquecimento e recusas.
Silêncios que são impostos e que calam vozes que queriam se expressar.
Silêncios que arquitetam planos não consensualmente elaborados.
Há silêncios ensurdecedores, que endossam uma vil covardia.
Mas há aquele momento para o qual, o silêncio é o arauto principal.
As palavras simplesmente emudecem,
porque não ousam atrapalhar
o pulsar dos sentimentos!
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