Sexta, 12 de Junho de 2026
12°C 17°C
Curitiba, PR
Publicidade

Uma festa de Super-Heróis numa pizzaria de supersabores faz a gente refletir com força de filósofo?

O outro lado do Homem Aranha.

05/11/2022 às 21h14 Atualizada em 05/11/2022 às 21h16
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln
Compartilhe:
MHL
MHL

Além do Homem-Aranha dos Quadrinhos

*Mhario Lincoln

Levado pelos meus netos, conheci a pizzaria temática “Liga dos Heróis”, com supersabores e super-heróis, aqui em Curitiba(PR). Um atendimento diferenciado, com características muito especiais. Claro que entre tantos personagens, o Homem-Aranha não poderia faltar. Confesso que fiquei empolgado. Não só com o personagem, como também pela performance dos atores-garçons, que vestiam as fantasias do Homem de Ferro, Mulher-Gato, Mulher-Maravilha, Hulk, Pantera-Negra, Batman, Capitão-América, Thor, Doutor Estranho, esses, que estiveram ao redor da mesa em que estávamos.

Continua após a publicidade

Isso me trouxe muitas recordações, pois desde cedo, tenho um apreço incomensurável pelo Spider-Man, essa figura pragmática, porque ultrapassa quaisquer visões da semântica ou da sintaxe, na hermenêutica dos heróis da Marvel.

MHL com atores na Pizzaria “Liga dos Heróis”, em Curitiba/12.10.2022

 

Bom relembrar que lá na origem, quando Stan Lee - seu criador - propôs uma história em quadrinhos de um homem com superpoderes adquiridos após ser picado por uma aranha radioativa, o editor da Marvel disse que esse roteiro não cairia no gosto popular, porque o mundo estava com os nervos à flor da pele, em função do medo de uma possível Guerra Nuclear.

Todavia, Lee insistiu na ideia até encontrar uma dolorosa brecha de oportunidade: a revista Amazing Fantasy, onde trabalhava, entrou em decadência. Então, o editor, sem nenhuma esperança, autorizou a publicação da história sobre a origem do herói aracnídeo e... foi um sucesso. Resgatou a revista e a credibilidade dos executivos dela.

Começava ali, a saga de um super-herói “gente como a gente”, como disse seu criador em uma entrevista nos anos 80. E mesmo com poderes, Peter Parker, o homem atrás do collant vermelho e azul, tinha os pés no chão. Sofria com a indiferença da jovem que amava, tinha amigos normais, estudava como qualquer adolescente, sofria bullying.

Por isso, foi obrigado a aprender com os próprios erros, a partir do assassinato do seu tio Ben, pai de criação junto com a tia May, que assumiram Parker, após os pais morrerem em um ‘discutidoacidente de avião. Ao descobrir seus poderes, Parker ainda pensou em usar os poderes para conquistar tudo, todos e fazer fortuna.

Continua após a publicidade

Infelizmente, o que veio depois foi uma grande lição de vida, onde seu “sentido de aranha”, na verdade, o fez enxergar que ‘nem tudo que reluz é ouro’. Aliás, muita gente poderia ter esse “sentido de aranha” entendendo assim, sempre haver alguém – bem do nosso lado - muito melhor do que nós mesmos, tornando sofrida a pretensão de ser o melhor, sempre. Fatídica ilusão!

Voltando ao sucesso real do Spider-Man: o gibi deu a milhões de leitores adolescentes um herói com quem podiam se identificar, especialmente aqueles alunos calados, introvertidos, sofredores de bullying, os excluídos pelas patricinhas e pelos times de atletas superiores da escola, como escrevi em parágrafo anterior. Tudo isso, mesmo que fossem alunos brilhantes.

Então, o Homem-Aranha é um herói baseado na realidade nua e crua porque nem todas as histórias de super-heróis e vilões são tão inocentes como parecem. Há que se entender de uma forma mais real. No fundo, há uma outra conotação, pois abordam questões muito mais sérias. Quer um exemplo?

Vou chamar para a conversa quem bem entende disso: o professor Gelson Weschenfelder, o filósofo dos quadrinhos. Ele ensina que há embutido nas HQ’s, muitas referências "(...) à ética, à responsabilidade pessoal e social, à justiça, ao crime e ao castigo, à mente e às emoções humanas, à identidade pessoal, à alma, à noção de destino, ao sentido de nossa vida, ao que pensamos da ciência e da natureza, ao papel da fé na aspereza deste mundo, à importância da amizade, ao significado do amor, à natureza de uma família, às virtudes clássicas como coragem e muitos outros temas (...)".

Tal abordagem, por demais interessante, me fascinou quando li e aprendi que foram os gregos, os primeiros a experimentaram a força viciante das tramas fortes nas produções de entretenimento, fazendo o leitor/espectador/ouvinte passarem a refletir sobre as condições humanas. E quem descobriu isso de forma mais real foi Aristóteles, ao retratar a natureza dos conflitos entre a compaixão e a justiça.

Pois bem! E se entendêssemos os quadrinhos de super-heróis com uma pitada filosófica? Vamos nos reportar diretamente ao caso do Homem-Aranha.

Continua após a publicidade

Comecemos com a seguinte frase: “com grande poder, vem grandes responsabilidades”, ouvida por Peter Parker, após a morte de seu tio Ben. É esse parâmetro que diagnostica as atitudes do Spider-Man, quando veste o manto de super-herói. O mestre Gelson Weschenfelder, a quem me referi antes, também ensina:

"(...) Isso é o que os filósofos Benthan (1748-1832) e Stuart Mill (1806-1873), chamam de utilitarismo, onde somos obrigados a executar a ação que produz maior bem geral. Isso faz O Homem–Aranha se tornar um herói, salvando vidas, e não usando seus poderes para benefícios próprios. Isso nos mostra que Peter Parker deverá estar preparado a fazer sacrifícios para cumprir seus deveres morais (...)".

Até mesmo nos quadrinhos se aprende a ter ética e a encontrar o lado bom da vida humana. Spider-Man nos faz encontrar bem dentro de nós algo muito mais intenso e superior do que simples acrobacias circenses, pulando de um prédio ao outro, para mostrar-se hábil diante das câmeras e flashes dos incautos apoiadores de plantão.

Curitiba, 12.10.2022

Mhario Lincoln

Presidente da Academia Poética Brasileira

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Carlos NedriguesHá 4 anos São Paulo, Legião dos QuadrinhosSuper Mhario Lincoln, finalmente uma história pra chamar a galera. Show. (Legião dos Quadrinhos).
Chiquinho França, músico.Há 4 anos São Luís (Whats)Chiquinho França Muito bom. Emocionante, Mhario!
Augusto Pellegrini FllhoHá 4 anos São Luís(Whats) Mhario demonstrando seus superpoderes!
Izabel Lopes ShammerHá 4 anos Apucarana PRJá anotei aqui, Mhario Lincoln. Sou de Apucarana. Logo estarei com meus netos em Curitiba. Vou levar na (pizzaria temática “Liga dos Heróis”, com supersabores e super-heróis, aqui em Curitiba-PR). Obrigado Mhario por divulgar essas coisas lindas.
Marlon Gualhardo, ator, tablado.Há 4 anos Rio de Janeiro.Como ator quero dizer que todas as manifestações artísticas são muito boas. Essa, nessa pizzaria liga dos heróis, a coisa não é diferente. Cumprimento a todos e a todas pelo papel de superheróis, com certeza a alegria da criançada hummmm dos adultos também, não é Mhario? Quando for a Curitiba irei nessa pizzaria correndo.
Mostrar mais comentários
Mostrar mais comentários
Curitiba, PR
13°
Tempo nublado

Mín. 12° Máx. 17°

13° Sensação
1.9km/h Vento
97% Umidade
100% (7.14mm) Chance de chuva
06h59 Nascer do sol
05h34 Pôr do sol
Sáb 18°
Dom 16° 10°
Seg 13° 10°
Ter 13°
Qua 18°
Atualizado às 01h01
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,10 +0,01%
Euro
R$ 5,91 +0,14%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 342,207,15 -0,16%
Ibovespa
171,497,23 pts 1.71%
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias