
EDMILSON SANCHES
Há cinco anos, em 2017, eu ainda não havia feito opção pelas redes ou grupos sociais via telefone celular. E, ainda um ano antes das eleições de 2018, já eleitores se engalfinhavam verbal e até fisicamente na sacrossanta defesa de seus sagrados ícones políticos.
Claro que não se espera, no reino dos humanos, que política tenha “P” maiúsculo. Jamais será um debate de todo civilizado. Não será uma prática conventual, freirática, monástica. Não. Em nome de poder, dinheiro, conveniências, candidatos e eleitores, pessoas físicas e jurídicas agridem e transgridem. É o normal, é o comum, o usual. Assim, “la nave va”. Assim a Humanidade caminha.
A seguir, o texto que escrevi e publiquei em 2017.
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Não tenho o tal aplicativo WhatsApp nem Internet em meu "smartphone". O que faz um telefone inteligente ("smart") não é a tecnologia nele, mas o uso que dele se faz...
Pois bem. Por não querer ter (ainda...) esses troços aí de cima, por não sentir falta deles, um amigo faz questão de repassar-me as "últimas" quando aqui e acolá nos encontramos e conversamos. Esse amigo praticamente é "viciado" em aplicar horas de sua vida diária lendo em seu telefone conteúdos "políticos" os mais diversos em "grupos", "blogs" e "sites".
Em recentes contatos, o que ele me disse, com pesar, sobre o que está vendo/lendo nos grupos de WhatsApp em espaços (páginas) das redes sociais é a baixaria pura e simples, os fuxicos, a futrica, as agressões -- e o período oficial de campanhas ainda está é longe... Enfim, nenhuma novidade: parece que esses seres humanos têm prazer em desperdiçar o precioso tempo da vida em "coisas" que em nada justificam o fato de, na loteria da vida, terem sido eles os sorteados... Bom, cada um faz do seu tempo o que quiser. O céu é melhor, mas cada um tem o direito de fazer seu inferno em paz... -- desde que não leve ninguém mais junto...
De qualquer modo, com base no que ouvi do frequentador de WhatsApp e espaços assemelhados, revisito uma reflexão talvez necessária.
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O que acham que estão fazendo de bom, de bem e de justo os que, em virtude de suas preferências políticas, estão destilando ódio, xingamentos, preconceitos e outras coisas não positivas?
Opinião, manifestação do pensamento é uma coisa; arrogância, ignorância, grosseria é outra.
É claro que não há palavras de ponderação que aplaquem o excesso de raiva, descortesia, ignorância ou frustração de quem se sente enraivecido, frustrado, desapontado, magoado, arreliado, chateado, desapontado com os "posicionamentos", comentários, críticas políticas que não lhe agradam. resultados de eleições. Afinal (li em Isaac Asimov), contra a ignorância até os deuses lutaram em vão...
Porém, é recomendável limites quando da externalização ou exacerbação desses sentimentos. Sabe-se o quanto a emoção, a paixão tem levado pessoas aos mais inimagináveis crimes e violências -- no amor, no casamento, no futebol... e na política, em especial nas eleições.
Antigamente, quando os agricultores romanos aravam a terra, sulcando e remexendo o solo, aplicava-se a esse ato o verbo "versum" ou "vertere". A esse verbo foi juntado o prefixo "ad-", que transmite a ideia de "aproximação" a algo ou alguém. Assim surgiu a palavra "ADVERSÁRIO", que se registra em Língua Portuguesa pelo menos desde o século 14 e que em nenhum momento (pelo menos nas suas origens) tem a ver com ataques, sejam estes verbais ou físicos. A ideia da palavra é aproximar-se do outro e colocar junto ( = "ad-") a ele uma outra forma de ver, um diferente ponto de vista, a razão de uma distinta escolha, preferência, opção. Enfim, "adversário" tem a ver com o contraponto de ideias e opções, não com o combate a pessoas.
Também nos tempos antigos, entre os romanos, dava-se o nome de "rivales" aos ribeirinhos, aos moradores dos terrenos próximos a um rio. Como não há rio sem suas / sem duas margens, os moradores de ambos os lados às vezes disputavam alguma coisa ou alguém -- em especial o amor de uma mesma pessoa. E foi assim que surgiu a palavra "RIVAL", com o sentido de "concorrente".
Até mesmo a palavra "INIMIGO", que vem do século 12, traz, grávida em si, o verbo "amar". "Inimigo" é o "não-amigo", mas não necessariamente o "não amoroso". Ou seja: não compartilhar da amizade de alguém não quer dizer que eu desame esse alguém, no sentido de querer que ele morra, suma, desapareça ou se lasque...
Desse modo, nesse epidérmico exercício etimológico, vê-se que, seja na palavra "adversário", seja no termo "rival" ou mesmo no substantivo "inimigo", todas elas são palavras construídas sobre uma base de amor, proximidade, tolerância.
Será que somos tão grosseiros e incompetentes a ponto de não sabermos discutir, debater política e outras "coisas" sem esquecer as regras de respeito e civilidade que deveríamos ter aprendido em casa ou na escola e a base de amor sobre ou com a qual as pessoas são feitas?
Qual a diferença entre os que reclamam da baixaria entre os políticos e os que verbalizam e vociferam do modo mais vil, inclusive agressões xenofóbicas, preconceituosas, criminosas? Só mesmo muita misofilia (o gosto por sujeiras).
Se tudo isso que escrevi aí em cima é ingenuidade, então, continuem com sua sabedoria, Senhoras e Senhores brigões, grosseiros, ignorantes, arrogantes, intolerantes... Vocês acham mesmo que o mundo fica melhor com essas atitudes? Já não temos violência -- inclusive verbal -- demais?
Tá bom... tá bom!... Não tenho nada a ver com isso...
Então, repito, continuem exercendo seu sagrado direito de fazerem seu próprio inferno em paz...
Ô vantagem!...
Estou fora.
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EDMILSON SANCHES
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