“Vencida a resistência
Em paz,
Fecharam-se as pálpebras.
E a alma
Que já conhecia o caminho,
Partiu sem resmungar”.
(Daniel Mauricio)
É simplesmente muito pessoal a forma e o olhar de cada um para algo que até hoje abala nossas estruturas emocionais: a morte. O maior segredo humano, talvez seja exatamente esse.
Encarar o peso da morte, da separação, do desenlace é difícil. Por isso, não são recomendados conselhos paliativos. Todavia, cabe lembrar que existem, ainda, legados vivos, deixados por quem desencarna. Continuarão bem vivos valores, afetos e muitas memórias.
É exatamente isso - essa memória forte - que irá me acompanhar todas as vezes que Yeda Stela da Silva Salim Rosa me vier ao pensamento. Ela faleceu recentemente, mas deixou um importante legado que nos fará relembrá-la todos os dias.
Mulher forte e culta, Yeda Stela, esposa do meu amigo e colega de profissão, jornalista José Salim Rosa, foi brilhante em suas ações em todos os quadrantes do Maranhão.
"A nossa querida amiga Yeda Stela da Silva Salim Rosa, fez muito pelo Canto Coral em São Luís quando esteve trabalhando no Departamento de Assuntos Culturais DAC/UFMA durante vários Festivais de Coros do Maranhão (FEMACO)", publicou em seu Instagram o maestro Fernando Mouchrek, do Coral São João.
Yeda Stela também marcou sua passagem pela Terra quando foi diretora administrativa do Teatro “Arthur Azevedo”, onde contribuiu para o sucesso de muitos artistas maranhenses. "Sempre presente, dedicando-se ao outro, como a si mesma", como se expressou o artista Fernando de Carvalho.
Então, diante de tantas memórias, falar (só) em morte de Yeda Stela é paralisá-la no tempo. É quantificar seus dias. É privá-la de continuar energizando nossos caminhos.
Claro que há muita saudade em todos nós. Porém, quem tem Fé entende que seu desencarne nos fará evoluir, enquanto ser humano, pois ela faz parte, hoje, da plêiade de boas almas que oram por nós, todos os santos dias.
Aliás, presenteou-me de forma incrível quando veio a Curitiba, visitar o filho Salim Junior e a nora Sandra. Oportunizei-me em gravar um vídeo (capela) com a sua interpretação espontânea, de uma das melodias mais originais do caboclo maranhense. Trata-se de “Canoeiro”, do cancioneiro popular, uma pérola que divido com todos, neste instante.
Certeza tenho que Yeda tornou-se imortal. Imortalidade essa garantida pela bem-aventurança de uma pessoa extremamente agradável, simples e talentosa.
VÍDEO-BÔNUS
Coralista e intérprete, além de ativista sociopolítica, Yeda Stela resgata a música de raiz do Maranhão, especificamente dos municípios de Pedreiras e Itapecuru (MA).
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