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ANTROPONÁUTICA, cinco décadas depois ou parece que foi ontem

Texto recuperado do facebook de Luis Augusto Cassas.

10/11/2022 às 12h03 Atualizada em 11/11/2022 às 19h41
Por: Mhario Lincoln Fonte: Luis Augusto Cassas/Antroponáutica
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Poeta Cassas
Poeta Cassas

"A nossa juventude – todos estávamos no vintenário – exigia posição a altura. Afinal, tínhamos o necessário:  duas mãos e o sentimento do mundo". (Cassas).

LUÍS AUGUSTO CASSAS

1972. Tinha 19 anos. Amava os Beatles, Drummond, Caetano, Gullar e os Rolling Stones. E queria mudar o mundo pela poesia.

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O nome Antroponáutica, título de um dos mais belos poemas de Bandeira Tribuzi encerrado com o antológico “o infinito maior é o próprio homem”, foi a senha que nos agrupou (eu, Valdelino, Fontenele, Viriato e Chagas Val) em torno de objetivo comum: derrubar os falsos moinhos de vento da velha ordem que pretendia restabelecer o caos e o atraso quando se comemorava o cinquentenário da Semana de Arte Moderna. E, claro, vender o nosso peixe lírico-atômico assado nas brasas interiores.

Ademais, Tribuzi tinha cara de guerrilheiro-zen. Trazia na travessia coimbrã de retorno à urbe a memória da revelação do sol português e repovoava a nossa imaginação com a encarnação moderna de outro grande incompreendido que comera o pão que o diabo amassou: Antonio Gonçalves Dias. Poeta, jornalista, consultor econômico de programas governamentais, esse perfil não o cindira da provedoria doméstica. Era comum cruzarmos com ele, na travessia para o Liceu Maranhense, retornando do mercado, trazendo em uma das mãos um côfo de legumes, e na outra, uma galinha viva. Essa simplicidade franciscana exibia rico simbolismo: era um mestre em repartir a luz.

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O ambiente de 1972 era tóxico, mas alegre. Éramos felizes, mas não sabíamos. Erasmo Dias arranchado nos  Apicuns, chorava desolado no enterro de Natasha Trupskaia, gata vadia que Erasmo proclamava de elite e Sérgio Brito,retrucava, afirmando que transava com todos gatos vagabundos dos telhados. Carlos Cunha em verve hecatômbica deixara empenhado o filho, Carlos Anaxímenes, no Bar Athenas e demorara resgatar o vale, o que valeu choro e ranger de dentes dos clientes. O velho sábio Rubão Almeida desanovelava aos ventos, a bola branca com cinco carretéis de linha zero, que alavancava os “bodes” de Zezé Caveira, até depositá-los no colo de Deus.

Era questão de modernidade ou morte. A nossa juventude – todos estávamos no vintenário – exigia posição a altura. Afinal, tínhamos o necessário:  duas mãos e o sentimento do mundo. Mas estávamos mais para desbunde poético-tropical que movimento, essa coisinha andróide, com manifesto, programação, parecendo pré-vestibular acadêmico. Éramos na anti-rotação da ordem, um contra-movimento. Nossa sede eram os bares da vida.

Fontenele e Viriato, mais afoitos, passaram o comunicado de guerra aos jornais. Valdelino, era o public relation da guerrilha. Eu e Chagas Val nos especializamos em bastidores, operações especiais e profecias de bar. Todas deram certo. Depois, seguidos pelas mulheres, seguimos  adiante para as nossas milionárias carreiras-solo. O IML não registrara nenhum cadáver passadista. Na verdade, já estavam mortos. O que fizemos foi cuspir o último gole na cova. 

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50 anos depois, releio a Antologia Poética do Movimento Antroponáutica (lançada pelo Departamento de Cultura do Estado,em 72),com capa do compositor César Teixeira. E um frio saudoso percorre-me a espinha.  Tribuzi, o patrono  virou adubo de rosas. Valdelino foi brincar de boi no céu. Chagas Val pulou nas águas do encantamento.  O tempo que converte tudo em elegia, desfalcou-nos do “técnico” e “torcedor de bar”, José Ribamar Estrela Vasquez, que nos legitimava pela maturidade da presença etílica, compensando nossa jovialidade.

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Refletindo na poesia os nossos enigmas, estigmas e paradigmas – o louco, o filosófico, o palhaço, o visionário, – vivendo e anti-vivendo nossa ira de ser, a lembrança do Antroponáutica sempre foi um sinalizador do menino interior. Cincoenta anos depois, através de mergulho na psicoterapia, ascese do azul, cavalgado os portais do manicômio e paraíso, redescobrimos a essência do real, a poesia. 

Em 1972, éramos poucos. Agora somos muitos. Arrependimentos? Deveríamos  ter amado mais, ousado mais, errado mais, e ter cumprido a promessa feita a Tribuzi, no poema “Compromisso”, de “ República dos Becos.” Tocar fogo nessa Academia. Teria prestado serviço de utilidade às gerações vindouras. 

Em 1972, minha utopia era mudar o mundo pela poesia. Hoje, véspera de emplacar 70, nos idos de março, única certeza é que o mundo só poderá mudar pela poesia.

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Antroponáutica: éramos 5,em 1972. Valdelino Cécio, Chagas Val, Raimundo Fontenele,Viriato Gastar e Luis Augusto Cassas, este que vos escreve. 50 anos depois e duas baixas, Chagas Val e Valdelino Cécio, numa foto comigo em final da década de 90, o Antroponáutica retorna às bocas. Eis o meu depoimento. Rsilvana

Luis Augusto Cassas e Valdelino Cécio.

 

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Prof. Arquiteto, João Bartolomeu. Mestre em Arquitetura ClássicaHá 2 anos São PauloInesquecível vitória do placebo que virou cura!
Francisco Tribuzi Há 4 anos Whsts App São Luís MARAVILHA!!!
Gracindo DuarteHá 4 anos Fundionário da Prefeitura de São LuísPoeta, vale aqui lembrar o poeta raiz de tudo: Tribuzi "Não quero meus versos numa antologia. Quero-os rolando caminhos e dias na boca do povo: rosa da esperança vermelha e florida"
Jandira Inocência dos Santos (a Dica Trovadora), coordenadoraHá 4 anos Miranda do NorteCassas, temos uma comunidade chamada de POETAS NOTURNOS. Nos reunimos nos fins de semana a partir das 3 da manhã. O endereço www.noturnas.net.com.br Como é ótimo ver vc poeta aqui nesta site que é o melhor do país quando se fala em poesia. Volta logo, tá?
Plácido Linhares de Azevêdo Neto, poeta mineiroHá 4 anos Uberaba MGPoeta, bravíssimo. Extraordinária contagem de tempo. Arquejo-me para arquivá-la em meus anais imorredoiros. Minha esposa é maranhense e já fui a São Luís diversas vezes. Ver vc aqui é como visitasse o Maranhão novamente.
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