Entrevista exclusiva: CLAUDIA LARA

Artista, natural de Curitiba/PR, graduada em Educação Artística pela Faculdade de Artes do Paraná e pós graduada em História da Arte Moderna e Contemporânea pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Possui no currículo várias exposições coletivas e individuais no Brasil e exterior, e teve o prazer de receber premiações em salões da Secretaria de Estado e Cultura do Paraná e salões de arte no Brasil e Paris, França. Em 2020 é premiada no 67o Salão Paranaense, fazendo parte do acervo do Museu de Arte Contemporânea do Paraná - MAC, Curitiba/PR.
------------------------
TEXTO de Mhario Lincoln sobre a exposição, escrito em 2019
A ARTE INFINITA DE CLAUDIA LARA
* Mhario Lincoln/2019
Você entra nas salas do Museu Guido Viaro onde expõe Claudia Lara e imediatamente é injetado nas veias do fruto figurativo entre formas que detalham a natureza humana em seu conteúdo mais cobiçado: a criação.
Como no Éden, os bordados de Claudia Lara, nesta exposição - AVE MÃE - cheiram vida nos quatro cantos da exposição. Há cheiro de luta, de agonia, de pontos de alinhavo, ponto atrás, cuja imaginação firma a ideia ilógica na mistura das pontas, cores e chuleios.
Há cheiro de saudade nas linhas soltas por trás da encantaria bordada na alma. Há cheiro de Gustav Klimt engastado por entre as criações multicoloridas dos fios que se completam em casulo. Onde não há dentro, nem fora, longe ou perto, mas sim a milagrosa evolução milimétrica do borbulhar do novo tornando-se ovo, tornando-se novo, tornando-se tudo, tornando-se arte.
Então essa obra diferentemente das que a gente tem lá embaixo ela está sem o chassi de propósito montada dessa forma que mostra o caimento do tecido porque a gente trabalha com pano que tem essa maciez, esse caimento, esse esse elemento mole. Então, do mesmo jeito ele é bordado na pintura, na pintura em acrílica e atrás tem o caimento dos fios e ele já vem dentro da minha poética que são os ninhos. Eu trabalho o elemento essa forma do ninho que remete ao feminino a um local de aconchego. Aqui a importância do caimento dos tecidos e foram fitas trabalhadas só atrás do trabalho pra remeter também a esse universo feminino do armarinho, da loja de sianinhas e rendas e fitas. Então esse esse essa intervenção com as fitas é pra trazer esse universo do das lojas Armarinho. E aqui essa pintura não tem bordados e ela é propriamente dita o a imagem de ninho. O nome dessa obra é o ninho da mãe. Então todo esse início inspirado na família da mãe nessa exposição com os ninhos é em homenagem a todas as mulheres da minha família e todas as mulheres em geral. A força dessa desse ninho de gerar vida valores do do fazer manual que por um tempo as artistas queriam ficar longe de rendas e de babados queriam mostrar que estavam em pé de igualdade com no trabalho, na força e no cigarro, hoje não, hoje a gente vê o empoderamento das mulheres também através desses trabalhos manuais
Há cheiro do ontem, do hoje e do amanhã. Há cheiro de noiva, modista, de costureiras ou de saudades transformadas com restos de uma luva branca, que, talvez, nunca tenha sido fervorosamente beijada ou um lenço de seda presenteados a Claudia por pessoas que quisessem perpetuar lágrimas de amores perdidos, numa alquimia de estrelas.
O Museu Guido Viaro nunca esteve tão bem vestido com os incríveis bordados coloridos. Nuca esteve tão agasalhado como nos ninhos de Filó. Nunca esteve tão vivo dentro dos casulos. Nunca esteve tão preso a verdades nas teias, que levam toda a imaginação a ser a protagonista nessa viagem de Claudia Lara, muitas vezes, uma viagem entre suturas ou na completa acepção de slowmotion deixando que fluídos da percepção do agora também se façam presentes nessa evolução atualística da criação.
A visão de Cláudia Lara não encerra conceitos ligados a mas amplia-os de forma originais onde o beijo em óleo e ouro de Klimt, pode, de repente, representar glóbulos sanguíneos, plaquetas, borboletas ou aranhas enfileiradas, penduradas, entrelaçadas em longos fios da eternidade.
Vida longa, Claudia.
Curitiba-PR, em 2019
Mhario Lincoln,
Presidente da Academia Poética Brasileira
A ENTREVISTA EM VÍDEO
Produção: TV Artesanal
Direção-Geral: Mhario Lincoln
Imagens e som totalmente ambientes e originais, com celular Sansung S10.
Museu Guido Viaro/2019
CORDEL BRASILEIRO ACLC celebra cinco anos de existência cultural e escreve página histórica
JOEMA CARVALHO Joema: Que seja 'húmus', enquanto durar. E 'manejos de poda', enquanto houver luta!
Auxilium duplex Há um grande movimento contra alimentar a biografia de Carolina Maria de Jesus com a 'romantização da miséria humana'.
NERUDA Pablo Neruda e a criança que sobrevive no adulto: brincar também é uma forma de permanecer humano
EDITORIAL DE HOJE Cada livro, é um pedaço da alma de Maria José Lima: lamentos, silêncios e simbioses
Há 1 ANO-TBT A força da música do Maranhão ouvida na região sul do país Mín. 12° Máx. 19°
Mín. 10° Máx. 22°
Tempo limpoMín. 13° Máx. 25°
Chuva
Esmeralda Costa ACLC celebra cinco anos de existência cultural e escreve página histórica
Marco Neves De Homero ao autoclismo português: 3000 anos de grego
Coronel Carlos Furtado FALMA: unidos, conquistamos espaço para a literatura maranhense
José Neres “OBRAS LITERÁR(IA)S?”, crônica do professor e membro APB-MA, José Neres.