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Paulo Rodrigues, APB e Prêmio União Brasileira de Escritores, na Semana Literária Maranhense do Facetubes

Membro efetivo da Academia Poética Brasileira, que contempla poetas de todo o país, é ensaísta e desenvolve uma pesquisa sobre a poesia contemporânea do Maranhão. Dois de seus livros publicados pela editora Penalux de São Paulo, são trabalhados pelo país: O Abrigo de Orfeu e Escombros de Ninguém. Professor de Língua Portuguesa na rede estadual de ensino, Paulo Rodrigues leciona no Centro de Ensino Francisco das Chagas Vasconcelos (município de Pindaré-Mirim).

13/01/2023 às 18h06
Por: Mhario Lincoln Fonte: Paulo Rodrigues
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Paulo Vice-presidente APB/MA
Paulo Vice-presidente APB/MA

A METAPOESIA DE QUINCAS VILANETO

 

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“A poesia cresce sozinha.

Já vem pronta

Vê-se a todo instante”.

 

Quincas Vilaneto

 

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Recebi os originais da obra Vila Poesia de Quincas Vilaneto no finalzinho do mês de novembro. Reli muitas vezes com a compreensão de que encontrava ali uma escrita madura, capaz de ampliar a metalinguagem para tons acima das águas normais. O enunciador ao longo dos poemas assume um ethos reflexivo e comprometido com a existência.

É claro que a discursividade de Quincas ocupa muitas avenidas. Ele carrega um existencialismo desconfiado (próprio do nosso tempo). Apresenta, na maioria dos versos, soluções de linguagem com imagens inquietantes.

Autores como Carlos Drummond e Ferreira Gullar trabalharam bem a metapoesia, na literatura brasileira. O autor de Vila Poesia também o faz com extrema consciência. Encontramos num fragmento de Poesia:

 

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Tens me virado

não é de hoje

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de cabeça para baixo,

para que daí saíssem as palavras

dadas como válidas

e sem risco de se converterem

em indizíveis, pela mordaça

ante o verbo e a pirraça.

 

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O enunciador mostra-se transformado pelo signo literário. Experimenta as mudanças nas manhãs: “tens me virado/ não é de hoje/ de cabeça para baixo”. Assume, portanto, que fora convertido pelos espantos da palavra.

A confissão fica exposta no antagonismo: “ante o verbo e a pirraça”. O eu lírico se liberta ao ultrapassar essa dicotomia.

Já no trecho do Poema Invocado, temos:

 

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A palavra existe

para nos revelar preciosidades.

Ela nunca deixa de produzir surpresas

e a gente passa o resto da vida sem entender.

 

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A poesia é um exercício de revelação. Em Quincas não tem fórmulas acabadas. Ele inventa os jogos possíveis, dentro desse desejo explícito de colocar em ordem a desordem da vida, até mesmo quando deixa claro que “a gente passa o resto da vida sem entender”.

Chalhub (2002, p.47) comenta: “o poema moderno é crítico nessa dimensão dupla da linguagem – que diz que sabe o que diz”. Há uma constante discussão em torno da poesia, na coletânea.  Posso afirmar que na poética de Quincas Vilaneto a metalinguagem organiza a sintaxe da “carpintaria humana”.

O uso da metapoesia espalha densidade filosófica no corpus do opúsculo. É um autor, sem dúvida, que se consagra entre os grandes caxienses. 

 

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Paulo Rodrigues, poeta, Ensaísta e Vice-presidente Regional da Academia Poética Brasileira, seccional do Maranhão. 

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Quincas Vilaneto.

Quincas Vilaneto (Caxias/MA). Poeta e pesquisador brasileiro. Possui graduação em Administração de Empresas, com pós-graduação em Administração Municipal, sendo Administrador do quadro efetivo da UEMA há muitos anos.

Entre outras publicações, é o autor de Balaio de Ilusões (1997), Itinerário Poético de Caxias (2003), A Lira dos Esquecidos (2006), Tear (2012), Caxias (2014), Empalavrando silêncios (2014) e Ao Pé da Letra (2016). Mora na capital São Luís e é um dos organizadores do sarau Na Pele da Palavra.

É membro efetivo da Academia Caxiense de Letras (ACL) e do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias (IHGC).

 

 

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JAIMEHá 3 anos BSB/DFPARABÉNS PRESIDENTE!!! MAIS UM SHOW DE PUBLICAÇÃO!!!
Marcelino PereiraHá 3 anos Cidade de São PauloIlustre conterrâneo. Todas as vezes que lhe leio aqui, volto, como um milagre, a minha terra natal. Obrigado.
LucíaHá 3 anos CordobaTenía muchas ganas de conocerte y quedarme a tu lado escuchando tu poesía Paulo. Viví 8 años en Bacabal-Maranhão, hasta que me separe. Soy de Cordoba.
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