
MOSAICO
Por Renata Barcellos (Pós-doutora em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira pela UFRJ)
Ontem, dia 12 de janeiro, eu, Renata Barcellos, e Raimundo Campos Filho fomos ao Teatro Arthur Azevedo, em São Luís, prestigiar a nova turma de formandos do curso técnico do CACEM (Centro de Ensino Profissionalizante de Artes Cênicas do Maranhão), dirigida por Josimael Caldas. Trabalho fabuloso de toda equipe envolvida. Fizeram jus ao lindo local escolhido para apresentação do ESPETÁCULO.
A proposta foi um mosaico cuja definição é a arte representada pela colagem próxima de pequenas peças, formando um efeito visual: desenho, figura, representação, envolvendo organização, combinação de cores, de materiais e de figuras geométricas, além de criatividade. Segundo o diretor Josimael Caldas, a escolha foi devido à “diversidade da turma Intensivão. Uma construção coletiva. Um espetáculo permeado de recortes cênicos temáticos, levando os formandos a exercitarem a interpretação e desenvoltura, o trabalho em equipe e aplicação dos conhecimentos adquiridos durante o processo de formação teatral”.
A montagem do espetáculo foi composta por quatro esquetes, com dezesseis excelentes atores, que conduziram a ação central para a culminância de um grande mosaico colorido, propiciando a nós, o público, vivenciar diversos gêneros teatrais como: comédia, drama...
O esquete I: PRECISA-SE DE UM PERSONAGEM, cuja autoria é de Franckestenio Teixeira e o elenco composto por: Tarú Gabie, Luis Fernando Ramos, Edward Oli, Morganna, Dawid Cássio e Alice Morais. Neste primoroso texto filosófico literário, o autor nos leva a navegar pelas obras de William Shakespeare (poeta, dramaturgo e ator inglês, considerado o maior escritor do idioma inglês e o mais influente dramaturgo do mundo) ao mencionar personagens célebres como Hamlet ("Ser ou não ser, eis a questão”), Macbeth... O roteiro nos proporciona refletir sobre quem somos, nossas escolhas, competências...: “Quem é você?”, “ De onde surgiu?”, “Quem me dera saber quem sou realmente”, “ Ser atriz de teatro num país de noveleiro”. E termina com uma bela mensagem: “você não pode desistir!”.
Esquete II: UMA PEÇA CURTA PARA DUAS, de Lucas Durão e Marcelo Flecha. O elenco é constituído pelas atrizes Tons de Maria e Jéssica Montes cuja atuação foi brilhante. O figurino inusitado: saia confeccionada por 3 bambolês... Este roteiro cheio de humor faz alusão a uma das obras de Shakespeare: Romeu e Julieta. E também a um grande filósofo: Sócrates com a célebre frase “só sei que nada sei”. Esta sintetiza a importância atribuída por ele ao pensamento crítico, à incerteza e à tomada de consciência da própria ignorância. Nele, são citadas as 3 características fundamentais para o exercício deste ofício: dedicação, estudo e talento. O teatro lotado riu e interagiu com as artistas (levantaram a mão, bateram palmas...). Um dos pontos de destaque do mosaico.
ESQUETE III: JOÃO E O CANGACEIRO, de autoria e encenação dos alunos formandos Darlysson Chagas e Daniel Durans retrata uma cena típica ocorrida no quotidiano de um sertanejo na época do cangaço. O figurino, as músicas (Carcará, de João do Vale e Asa Branca, de Luiz Gonzaga) e a atuação estavam perfeitos. Os atores conseguiram num curto texto apresentar um fato histórico: o fenômeno do banditismo, crimes e violência ocorrido em quase todo o sertão do Nordeste do Brasil, entre o século XIX e meados do século XX. Seus membros vagavam em grupos, atravessando estados e saqueavam cidades, onde cometiam furtos, assassinatos e estupros.
ESQUETE IV: CHÁ DE MADAMES, autoria da aluna formanda Mirian Mendes. O Elenco foi composto por: Francyelle Alves, Mirian Mendes, Alexia Alves, Pedro Serra, Idiandra Nunes e Mirinele Castro. O texto cômico faz uma crítica ao comportamento das mulheres do século XVIII e à relação dos patrões com as serviçais. Em um habitual chá entre as “madames” da época, constata-se alguns fatos recorrentes: intriga, falsidade... até o momento do desmascaramento cujo desfecho foi ao som O fortuna de Carmína Burana (canções de Beuren, primeiro elemento de uma trilogia composta por Carl Orff, obtiveram um dos maiores êxitos internacionais da música contemporânea, sendo considerados uma das obras corais e instrumentais mais importantes do século XX). Outro momento de destaque do mosaico. A plateia toda aplaudiu. Não poderia ser diferente.
Assim foi constituído o mosaico com temas filosóficos, literários e sociais e gêneros teatrais diversos sob a brilhante direção de Josimael Caldas, expressão corporal e caracterização de Anderson Garros, técnica vocal de Julian César (Dimmy), iluminação de James Lopes, músicos: Nonato Pinheiro e Daniel Bertholdo e apoio da SEEDUC e do Governo do Estado do Maranhão. Ao término do espetáculo, o público estava extasiado com a qualidade dos textos e da atuação de cada um dos 16 formandos. Que os próximos tenham o brilhantismo desta turma!!! Viva o CACEM por lapidar artistas de excelência!!!
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