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(1ª Parte) Josué Montelo: LORD COCHRANE, HERÓI DA INDEPENDÊNCIA: por que alguns maranhenses desprezam o “Marquês do Maranhão”?

Integra o livro LORD COCHRANE E A ADESÃO DO MARANHÃO À INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

15/01/2023 às 10h13 Atualizada em 15/01/2023 às 12h03
Por: Mhario Lincoln Fonte: Independência do Maranhão/Cochrane
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APRESENTAÇÃO/Conteúdo do Livro:

"(...) O Centro de Estudos Constitucionais e de Gestão Pública - CECGP, e a SVT Faculdade, associados à Academia Maranhense de Cultura Jurídica, Social e Política - AMCJSP, à Academia Maranhense de Letras Jurídicas - AMLI, e à Casa de Cultura Josué Montello têm a satisfação de apresentar esta obra comemorativa dos 200 anos de Independência do Brasil.

O Maranhão levou quase um ano para aderir à nossa emancipação política, o que viria a ocorrer, formalmente, somente em 28 de julho de 1823. Na verdade, a autêntica batalha para a Independência do Brasil se deu na costa brasileira, mais precisamente nas províncias que tinham ligação direta com a metrópole: Bahia, Pernambuco, Maranhão e Pará.

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Mas se a controvertida adesão maranhense é apenas uma breve história, dentro de nossa história maior e mais abrangente, não o é, porém, menos importante e significativa até pela polêmica que ainda hoje causa a figura de Lord Cochrane entre alguns historiadores brasileiros e, particularmente, os do Maranhão, em que pese a sua atuação decisiva para a consolidação da Independência do Brasil e para a adesão desse Estado, o que o fez merecedor, pelas mãos de D. Pedro I, da grã- cruz da Ordem do Cruzeiro do Sul e o titulo de "Marquês do Maranhão".

Os textos que apresentamos neste livro, embora apresentem enfoques distintos sobre a atuação do Primeiro Almirante da Marinha brasileira, convergem, no entanto, em sua precisa contextualização dos fatos e na narrativa feita com a isenção que se impõe a uma obra dessa natureza (...)".

Nota do Editor do facetubes.com.br: Hoje, publicaremos o texto de Josué Montelo, inserido na obra LORD COCHRANE E A ADESÃO DO MARANHÃO À INDEPENDÊNCIA DO BRASIL, que reproduz belos artigos dos insígnes Sergio Tamer, Rossini Corrêa e Josué Montelo, este, abaixo:

 

(...) *Por sua vez, o texto incomum do consagrado escritor Josué Montello leva o titulo original "Cochrane no Maranhão". Ali ele revela, com riqueza de detalhes, a carta que Marie Graham fez para Lord Cochrane, tendo como portador o capitão Grenfell, que a pedido da Imperatriz Leopoldina alertava-o sobre a trama em andamento para prendê-lo no regresso ao Rio de Janeiro. Relata, ainda, todos os fatos e seus protagonistas - que dificultavam a adesão da província maranhense ao nascente império brasileiro, a exemplo do bispo da Diocese do Maranhão, o radical Frei Joaquim de Nossa Senhora de Nazareth, e a participação decisiva de Cochrane nesse histórico episódio. Esse texto de Montello, resgatado em minuciosa pesquisa bibliográfica obteve, por meio da Biblioteca da SVT Faculdade, autorização da Casa de Cultura Josué Montello para inseri-lo nesta obra. (Parte da apresentação do aludido livro, acima).

Reproduzido conforme original e autorização dos detendores dos direitos autorais do livro citado.

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COCHRANE NO MARANHÃO

Josué Montello

(1ªParte)

Uma figura se destaca nesse período como o chefe do movimento de reação à autonomia brasileira na terra maranhense: a de Frei Joaquim de Nossa Senhora de Nazareth.

Bispo da diocese do Maranhão, coube-lhe presidir a Junta Governativa criada pela Carta de Lei de 1 º de Outubro de 1821 e de que também fazia parte o Brigadeiro Sebastião Gomes da Silva Belfort, como Secretário, além dos seguintes membros: o Chefe-de-Esquadra Filipe de Barros e Vasconcelos, o Desembargador João Francisco Leal, o Tesoureiro da Fazenda Real Tomás Tavares da Silva, o Coronel de Milícias Antônio Rodrigues dos Santos e o Tenente de Milícias Caetano José de Souza.

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A Junta Governativa sucedeu na capitania ao Governador Bernardo da Silveira Pinto da Fonseca, de quem disse Luís Antônio Vieira da Silva, na sua História da Independência no Maranhão : “Este General distinguiu-se pela sua ilustração e tino prudencial.”

A ele deve o Maranhão a sua primeira tipografia, chegada a São Luís a 31 de outubro de 1821 e inaugurada com uma décima graciosa, improvisada pelo Major Rodrigo Pinto Pizarro, ajudante- de- ordens do Governador, na presença das senhoras que o acompanhavam:

Certas deidades um dia ,

Seguidas do deus vendado,

Foram ver por desenfado

A nova tipografia:

Uma página se imprimia,

Não sei de que natureza.

Mas Cupido com destreza

Tais voltas nos tipos deu,

Que na estampa apareceu:

“Viva amor! Viva a beleza!

 Nem por ter introduzido a tipografia no Maranhão escapou o General Bernardo da Silveira de ganhar ali um apelido com o qual passou à crônica histórica local. Como na sua arcada dentária superior sobressaía um dente incisivo, passaram a chamá-lo de Dente de Alho.

Foi Dente de Alho quem se lembrou de tirar Dom Frei Joaquim de Nossa Senhora de Nazareth do sossego de seu bispado para lhe dar uma função política como Presidente da Junta Consultiva a qual foi então criada, por imposição popular, na esteira da Revolução Constitucionalista eclodida em Portugal no ano anterior.

Josué Montello.

Da Junta Consultiva passou o Bispo, por eleição, a Presidente da Junta Governativa, instalada esta a 16 de fevereiro de 1822. O General Bernardo da Silveira não se limitou a introduzir no Maranhão a sua primeira tipografia: criou em São Luís, no prédio onde mais tarde se instalaria a Santa Casa de Misericórdia, a Tipografia Nacional Maranhense, e ali se imprimiu o primeiro periódico da terra de João Francisco Lisboa, O Conciliador do Maranhão. Antes de sair impresso, esse periódico saiu em manuscritos, compondo uma sequência de trinta e quatro números. E é no seu primeiro número impresso, saído a 15 de abril de 1821, que se lê um longo editorial político, de que transcrevemos estre trecho: “Raiou nos horizontes do Maranhão um dia que será memorável nos fatos de sua história; e com ele brilhou aquele entusiasmo de fidelidade e patriotismo, que em todos os fatos e épocas caracterizou os portugueses de ambos os mundos. A fausta notícia da Regeneração Política acontecida em Portugal havia dado aos habitantes do Maranhão a infalível esperança de participarem dessa vantagem nacional; porém o seu caráter probo e pacífico os conteve, esperando que as representações do Governo Provisório de Portugal, dirigidas à Corte do Rio de Janeiro, deliberassem o Ministério a prometer às capitanias do Brasil a adoção da justíssima causa, que a Nação abraçava.

Esperaram porém debalde: o exemplo da confinante província do Pará dispôs os ânimos para segui-lo; porém ainda esperaram. Esta moderação de bem digna de fazer-se notável em apologia dos honrados habitantes do Maranhão, ponderados os males de que esta capitania tem sido vítima, pelo sistema vicioso de nossa antiga administração; mas bastará dizer-se que o Excelentíssimo Governador Bernardo da Silveira Pinto achou tudo em ruínas: as finanças esgotadas, edifícios públicos nenhuns, ou em pedaços; a cidade intransitável; a província cheia de mucambos, e malvados; e de dois milhões que o erário Targino, Samuel & Young extraíam desta capitania, nem uma pataca se despendia a benefício dela: os seus defensores, os seus fiéis e beneméritos soldados percebiam quarenta e nove réis por dia! Quis talia fando . . .

Nessa situação é fácil de crer que todos ansiavam a Constituição, todos desejavam ligar-se de interesse, e manifestar os mesmos sentimentos e opiniões que os seus irmãos das províncias de Portugal e do Brasil: esta linguagem era comum, e sem reserva, porque o Excelentíssimo Bernardo da Silveira nunca foi um inquisidor.”

Todo o primeiro número do Conciliador do Maranhão exprime e espelha a situação política da capitania, vista do lado oficial: com a adesão à Revolução Constitucionalista de 1820, por um lado, e, por outro, com a crítica ao sistema administrativo do Brasil Reino, vigente quando ali chegou Bernardo da Silveira, em 1819.

No seu título, o periódico maranhense, que saía duas vezes por semana, indiciava um propósito de pacificação local Sinal de que, se a administração de Bernardo da Silveira fora benéfica, no plano das obras e dos melhoramentos públicos, não conseguira conter de todo a fermentação de ordem política, que se alastrava pelo Maranhão.

Dunshee de Abranches, que estudou em mais de uma obra esse período da vida maranhense, dele nos dá, em A Setembrada , esclarecedora visão retrospectiva, nesta fala de Garcia de Abranches: “Divididos nós outros, os portugueses de responsabilidade social, por disputas, rivalidades e rancores implacáveis, demos o triste exemplo de promotores imprudentes de insubordinações e revoltas na tropa e de motins civis nas ruas.

Os militares perderam o respeito devido aos seus superiores; os simples cidadãos se julgavam no direito de fazer e desfazer governos e autoridades.

Oficiais subalternos e soldados começaram a firmar representações sediciosas contra seus chefes, como a que promoveu o Capitão Santos Monteiro contra o Coronel Pinto de Magalhães para depô-lo do comando do Regimento. 

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Tenho minhas dúvidas, caríssimos.Há 3 anos José de Ribamar Freitas. Caxias-MaOi, gente. Tenho aqui em meus arquivos. "JOSÉ SARNEY-Cochrane, Iraque e Rachel", onde ele escreveu em 2003, na FOLHA:"Estava lendo um livro sobre as guerras da independência, a narrativa "No Libertar-se o Brasil da Dominação Portuguesa", de um sujeito pelo qual não tenho nenhuma simpatia: um tal de Lord Cochrane. Ele foi contratado pelo imperador dom Pedro para fazer o que tinha feito no Chile, participar das lutas pela consolidação da independência, é claro que pago e muito bem pago".
José Cândido FrotaHá 3 anos Brasília DFEm um artigo de Natalino Salgado sobre o assunto: Contratado às pressas por Pedro I, para comandar a recém-criada Marinha Imperial brasileira, enfrentou a resistência armada dos portugueses à Independência, nas províncias do Nordeste,ações foram tanto militares quanto políticas. Agiu sob as ordens do Imperador, com poderes totais para manter a ordem. Expulsou os vasos de guerra portugueses e pacificou províncias que haviam jurado fidelidade aos portuguêses, obrigando-as a aderir à Independência.
Anitta Francisco dos Santos, jornalista.Há 3 anos Imperatriz MACaros organizadores, o fato de "Dom Frei Joaquim de Nossa Senhora de Nazareth do sossego de seu bispado para lhe dar uma função política como Presidente da Junta Consultiva a qual foi então criada", nunca mudou. A Igreja - de qualquer esplendor - está sempre interpelando a vida pública. Até hoje. E quanto tempo faz.
Jacintho Guimarães, de Belém. EscritorHá 3 anos PANão conhecia esse documento. A publicação neste sídio vai ajudar demais, pois ficará arquivado para futuras pesquisas.
Antonio Guimarães de Oliveira Há 3 anos São Luís Maranhão Thomas Cochrane, petsonagem histórica marcante e controversa, porém devemos ressaltar que o mesmo era militar de carreira, teve sua formação completa na Real Marinha, agia como ouyros militares, bot8m de guerra era comum em todas. Achar que o Lord eta um simples pirata não creio nisso. Acho que prestar serviços e ter ambição era sua ídolo e de muitos. Devemos considerar sua marcante atuação no Brasil, que não se fraguimentou devidoseu desempenho e atuação.
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