Teatro na contemporaneidade
O Ator cria e vive personagens. Imagina e transforma o mundo.
O Teatro é o palco da Vida e amplia a esperança ao fechar e abrir cortinas. (João Junior)
A palavra teatro vem de origem do grego “théatron” cujo significado está relacionado a um conjunto de espetáculos teatrais e ao lugar onde essas apresentações ocorrem. Esta arte surgiu na Grécia Antiga, mais precisamente no século IV A.C. em consequência dos festivais anuais em consagração a Dionísio: o deus da alegria, do vinho, do entusiasmo e da fertilidade. Nessa época, eram realizados rituais em louvor a esse deus mitológico. As celebrações duravam vários dias e ocorriam na época da colheita, como forma de agradecimento pelo alimento e pelo vinho. A participação dos cidadãos era intensa e havia uma espécie de procissão, que levava o nome de "ditirambo". Depois surgiu o "coro", um conjunto de pessoas que cantava e dançava homenageando-o.
As peças eram encenadas com grandes máscaras, porque somente os homens podiam atuar. As mulheres não eram consideradas cidadãs. O ofício de ator surgiu com Thespis, sendo considerado o primeiro do Ocidente, representando pela primeira vez o deus Dionísio. Na Grécia antiga, surgiram dois gêneros teatrais: a comédia e a tragédia.
Os temas eram relacionados à justiça, às leis e ao destino. As histórias narradas quase sempre terminavam com a morte do herói. Ésquilo, Sófocles e Eurípdes são considerados os autores mais famosos de tragédia grega. Aristófanes foi um grande autor de comédia grega. As peças desses autores influenciaram muito o teatro e são encenadas até hoje. No Brasil, a origem do teatro está relacionada à chegada dos jesuítas no século XVI (quando o país passou a ser colônia de Portugal, já em 1554) cuja sua função de catequizar a população, tanto os índios quanto os colonos. Um nome de grande importância foi o padre José de Anchieta (1534-1597), considerado o primeiro dramaturgo do país. Nessa época, o teatro era constituído por peças apresentadas em colégios, igrejas e praças. As encenações refletiam a vida dos santos e as histórias religiosas do catolicismo.
Com a chegada da família real, em 1808, esta arte ganha destaque. Por meio de um decreto, Dom João VI estabeleceu a reformulação das peças teatrais, melhorando da categoria artística no país. Entretanto, naquela época, o teatro ainda não refletia a realidade do povo brasileiro. A história do teatro no Brasil mudou por causa da independência, em 1822. A partir desse fato histórico, em 1833, D.Pedro I elaborou medidas para criação do primeiro elenco de teatro brasileiro bem como a primeira regulamentação teatral.
Com o tempo, essa linguagem artística ganha novas características, atendendo aos interesses da aristocracia e, posteriormente, passa a retratar também outras camadas da população. Só se consolida com o início do Romantismo no país, por volta de 1838, com as peças "O Poeta e a Inquisição", escritas por Gonçalves de Magalhães e representadas por Antônio José, sob o comando de João Caetano (1808 – 1863). Esse período foi impulsionado por pessoas, como Martins Pena: um dos pioneiros com as comédias de costumes, Artur Azevedo, Gonçalves Magalhães, João Caetano e os escritores Machado de Assis e José de Alencar.
Entre os anos de 1937 e 1945, as primeiras companhias de teatro brasileiras começam a surgir e a se consolidar no país:
Em 1938, Paschoal Carlos Magno funda o Teatro do Estudante do Brasil (TEB), inspirado nos teatros universitários europeus, com uma função pedagógica, de formação teatral; e outra artística, de inserção da função do diretor teatral. Em 10 de fevereiro de 1938, o jornal “Gazeta de Notícias” fez a seguinte convocação pública:
“Estão convidados os estudantes de ambos os sexos que estejam interessados no Teatro Universitário[…]. À maneira do que se efetua nas universidades europeias e americana, este núcleo teatral realizará um movimento de cultura por intermédio do teatro”. A estreia oficial se deu em 28 de Outubro de 1938 com a peça Romeu e Julieta, de William Shakespeare , dirigida pela atriz Itália Fausta. Em 1948, é fundado pelo italiano Franco Zampari o teatro brasileiro de comédia, conhecido como TBC. O teatro era conhecido por produzir peças da burguesia para a burguesia. Já, em 1957, surge o Teatro de Arena, em São Paulo. Este foi responsável pela entrada de muitos artistas amadores iniciarem no teatro profissional. Assim, especializara-se, tornando-se grandes nomes do mundo artístico nacional.
A história do teatro no Brasil sofre mudanças com o golpe militar de 64. Atores e diretores de teatro tiveram seus trabalhos censurados. E, muitas vezes, os artistas eram
impedidos de trabalhar. Por causa da censura, muitos artistas foram “obrigados” a abandonar os palcos e procurar abrigo em outros países.
Após uma visita à Fundação Eugene O´Neill, sediada a cerca de 300 quilômetros da cidade de Nova Iorque, Eric Nielsen retorna inspirado ao Rio de Janeiro, em 1978, com o objetivo de criar uma Escola de Teatro. Em 1981, encontra um lindo casarão em ruínas na Rua Rumânia, 44, no bairro de Laranjeiras. Juntamente com Alice e Gustavo, este projeto pioneiro começaria a se concretizar. Yan Michalski é convidado a assumir a coordenação do projeto pedagógico da escola.
Depois de nove meses de obras, a CAL (CASA DAS ARTES DE LARANJEIRAS) é inaugurada no dia 20 de setembro de 1982. Em seguida, entram no projeto a fonoaudióloga Glorinha Beuttenmüller e o ator e diretor Sergio Britto que – ao lado de Yan – são considerados “Padrinhos” da escola.
O professor Gilberto Martins (Gilberto Martins é graduado em Licenciatura em Teatro pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Mestre em Artes/Artes Cênicas pela Universidade Federal de Uberlândia (MG) e professor do IFMA Campus Avançado Carolina. Desenvolve pesquisa na área de História do Teatro Brasileiro), do Instituto Federal do Maranhão (IFMA) Campus Avançado Carolina, publicou a obra Centro de Artes Cênicas do Maranhão: Memórias e Resistência de uma Escola de Teatro. O livro identifica alguns dos principais desafios para a profissionalização dos atores da capital maranhense e analisa, ao longo de dez anos, de 1997 a 2007, as memórias dos sujeitos que contribuíram para a criação da única escola de formação de atores de nível técnico do Maranhão. Os leitores podem ter acesso à obra através de e-book e impresso.
O livro pode ser encontrado no site da Editora Paco ( https://www.pacolivros.com.br/centro-de-artes-cenicas-do-maranhao-cacem ) e nos sites amazon.com.br, books.apple.com e play.google.com. A obra traça um perfil dos principais sujeitos que plantaram a ideia de uma escola de teatro em São Luís e a necessidades que levaram à criação do Centro de Artes Cênicas do Maranhão (CACEM). A pesquisa também traz críticas sobre o funcionamento e atuação da escola de teatro, buscando entender a imagem do CACEM diante da população ludovicense e da classe artística local. “[…] se por um lado foi vista de diversas formas como: ‘necessária’, ‘importante’ e ‘promissora’, por outro, também foi vista como ‘decadente’, ‘desqualificada’ e ‘irrelevante’”, descreve Gilberto Martins.
Foram muitas as transformações no teatro brasileiro, surgindo apenas na primeira metade do século XX os primeiros grupos teatrais verdadeiramente nacionais. Por exemplo, Tácito Borralho foi fundador de diversas companhias teatrais:
1970 – Foi fundador e diretor do Grupo Armação do Recife em Recife/PE – vencedor do 1º Festival Nacional de Teatro de Caruaru.
1971 – Foi fundador e diretor do Teatro de Férias do Maranhão – TEFEMA em São Luís/MA.
1972 – Foi fundador e presidente do Grupo Laborarte em São Luís/MA.
1990 – Foi fundador e presidente da Companhia Oficina de Teatro – COTEATRO, em São Luís/MA.
1992 – Foi idealizador, fundador e presidente do Centro de Artes Cênicas do Maranhão – CACEM, atualmente órgão da Secretaria de Estado da Cultura.
Depoimento de atores e diretores sobre o teatro na contemporaneidade: Fernanda Freitas (atriz): “Eu, como artista percebi claramente a continuidade estrutural que define contemporaneidade. Textos visando a exploração de desenvolvimento humano, assim como a quebra da quarta parede, parecem ser tendência. Hoje, estudando roteiro com Thiago Aiasche me sinto à vontade ao colocar os textos criados com base na prova de conceito como colaborativo na melhoria dessas estruturas sociais humanas. A política e a inclusão social fazem parte até mesmo na organização do objetivo geral em textos antigos adaptados. Um exemplo disso foi chapeuzinho blue”.
Graça Maranhão (atriz): “Em tempos tão obscuros de luta pela efetiva Liberdade, onde necessário lutar pelo óbvio, o Teatro torna-se importante meio de resistência e reafirmação de uma sociedade mais justa e igualitária. O Teatro, mais do que nunca, é resistência”.
Gilberto Martins (prof. da UFMA): “As teatralidades do hoje espelham as complexidades humanas e sociais da atualidade que nem sempre acham correspondentes no que se convencionou como dramaturgia clássica, o que justifica a leva de composições coletivas, colaborativas, autorais, memoriais e, de certa forma, em alguns casos, um distanciamento da representação dramatúrgica tal como vinha sendo elaborada. O texto se expande; a mensagem, antes organizada em um começo, meio e fim, fragmenta-se a fim de dar cabo dos reflexos da realidade também fraturada. Agora ele se dissolve nos signos da cena, que são denominados de textos, e tomam sua significação mediados pelas referências do público, que não mais se senta para contemplar e se deixar absorver, mas se dispõe à troca e a ser cumplice em uma realidade momentaneamente combinada. O ator nem sempre está assentado na constituição psicológica do seu personagem. As teatralidades do hoje, se não consolidaram, estão num processo de desapego às estruturas convencionadas na história do teatro, sobretudo europeu: não raro os intérpretes teatrais estão falando de si, de suas angústias, de suas mazelas (às vezes, exacerbamento, sem vinculação com o outro, sem um fio com a coletividade; apenas o individualismo impera), reivindicando, a partir de temáticas caras ao ocidente colonizado, como feminismo, o racismo, a homofobia, o patriarcalismo. Os desafios do teatro, principalmente à margem sul do globo, estão no enfrentamento das estruturas milenares que colocam mesmo em questão o que foi ensinado e entendido como teatro. Mas, tal como o mundo contemporâneo, nada disso é definitivo”.
João Junior (diretor da Cia Atores In Cena): “O Teatro hoje é uma prática artística que desempenha três funções: Educativa, terapêutica e social. Sabemos da interligação destas três instâncias mas de maneira didática podemos pensar que o Teatro tem um papel educativo ao preparar atores para seu ofício; Um papel terapêutico sendo ferramenta para o autoconhecimento e Social abrindo o campo de visão de cada cidadão. A Arte desperta o respeito pelas diferenças, o espírito empático e solidário virtudes que contribuem para a transformação da sociedade”.
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PARTE II - continua no link: https://www.facetubes.com.br/noticia/3477/especial-renata-barcelos-qteatro-na-contemporaneidadeq-parte-ii
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