Conheci João Ewerton através das fotos tiradas por meu esposo Raimundo Campos Filho das 27 obras de artistas maranhenses expostas na inauguração da exposição Coletiva RecomeÇarte. Esta pode ser visitada de segunda-feira a sexta-feira, das 14:00 às 18:00, até 30 de junho, na Galeria Trapiche, localizada na Avenida D.Pedro II, 241, Centro de São Luís. Vale a pena conferir!!! Uma atividade para a família toda. O prédio é lindo. Foi moradia de Graça Aranha. Lá, também exposição permanente dele, uma das grandes expressões da Literatura Maranhense.
Minibiografia
João Ewerton: arte-educador, ator, diretor, roteirista, dramaturgo, literato, pesquisador e designer multimidia, atua no Brasil e Exterior e é membro da Academia Poética Brasileira, cadeira 52, estilista, participou de projeto internacional... Único do mundo a incluir a moda como ferramenta de inclusão social de jovens em situações de rua. E, assim como eu, aprecia e valoriza os povos originários.
A ENTREVISTA
RENATA BARCELLOS - Como iniciou sua carreira nas Artes? O que te inspirou?
João Ewerton: O início da minha atividade nas artes visuais ocorreu antes de todas as outras áreas com as quais trabalho, uma vez que, quando criança, não tendo brinquedos para brincar, eu modelava boizinhos na argila e colecionava uma variedade gigantesca deles. Chegando a ter mais de 150, sem que nenhum fosse igual ao outro. Isso inspirou o trabalho tridimensional, enquanto o desenho me foi despertado pelo rastro do pneu do Jeep, levado por um padre certa vez lá, em Bacurituba, município maranhense onde eu nasci. A marca deixada na areia da estrada me motivou a desenhar na areia para imitar aquelas listas onduladas. A partir daí, para inventar novos desenhos na areia e deslanchei fazendo muitos outros pelo quintal imenso da minha casa. Aquele lugar era como as aldeias indígenas distantes, onde o avião chega antes do carro. Dessa forma, conhecia os aviões teco-teco, e não conhecia um carro, pois, não havia estradas para aquele fim de mundo. Por incrível que apreça, até a data de hoje, vergonhosamente, ainda temos períodos do ano nos quais não se chega de carro, porque as estradas ficam intrafegáveis, devido ao péssimo serviço de infraestrutura que o governo usa para tais equipamentos.
2- Qual a importância da Galeria Trapiche no cenário cultural de São Luís?
João Ewerton: A galeria tem um significado importante, pois, a cidade que chegou a ter 10 galerias na década de 80. Hoje, não contava com mais nenhuma, tornado a reinauguração da Trapiche, um novo tempo para as artes visuais de São Luís.
3- Quais foram os critérios para a seleção dos artistas desta primeira exposição?
João Ewerton: Devido ao curto prazo que tínhamos para a realização da exposição, foram convidados artistas de relevância para compor essa primeira mostra.
4- Com o advento do Novo Ensino Médio, como vê o espaço atribuído às múltiplas Artes?
João Ewerton: Não tive tempo de estudar essa nova proposta, mas posso dizer que houve uma retirada deliberada das artes da grade curricular, apesar de todo o trabalho feito nas décadas de 80, principalmente, onde projetos como o Prodiarte e o Prodasec fizeram a diferença com apresentação das matérias de arte dentro das salas de aula e em oficinas práticas em horário extra classe. Sem contar que, no Maranhão, tivemos um grande avanço na educação artística, pois, desenvolvemos, no Laborarte, o primeiro projeto do mundo a propor mixer das linguagens em um único espetáculo. Um currículo próprio de Educação artística adquirido pela Secretaria de Educação à época e foi implantado por nós em todo o estado, além das unidades de educação do Sesi e outras escolas particulares.
5- Você é o “único” artista do mundo que tem moda como ferramenta de inclusão social de jovens em situação de rua. Como tudo iniciou?
João Ewerton: Não sou o único artista que tem moda como ferramenta de transformação social, mas trabalhei no Modaxé, em Salvador, onde estou outra vez, reativando o projeto pedagógico de moda, o único do mundo, se não, o pioneiro, a incluir moda como ferramenta pedagógica para jovens em situação de rua. –Retiramos o jovem da rua e o devolvemos à sociedade sobre uma passarela.
6- Você também desenvolve a Arte vinculada aos povos originários? O que nas diversas culturas te desperta a atenção?
João Ewerton: Eu sou afro-indígena, tenho essas matrizes em meu DNA. Tenho fascínio pela cultura das duas etnias. Tendo me dedicado ao longo da minha carreira a estudar e elaborar obras e coleções sobre as elas, como roteiros de filmes de curta e de longa-metragem sobre esta temática e os seus dramas. Assim como sobre a magia que faz dessas matrizes uma extraordinária fonte de originalidade e requinte criativo.
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Gostaria de finalizar esta breve entrevista com uma reflexão de minha autoria (Renata Barcellos):
A humanização através das ARTES
Há décadas, os educadores da área de Educação Artística têm lutado em prol do devido reconhecimento desta disciplina na escola básica. Particularmente, a partir da década de 80, no período da revisão do Núcleo Comum dos Currículos, em 1986, secretários de Educação de todo o país propuseram a sua exclusão. Mas isso não ocorreu. Hoje, diversas pesquisas já comprovam o seu poder seja no acalento da dor seja na cura ao desenvolver-se alguma atividade artística: música, teatro, escultura, literatura... Infelizmente, não há ainda plena conscientização da sociedade do caráter humanizador das Artes. Muitos ainda perguntam: para que serve a arte plástica, a música, o teatro, a dança, o cinema...? A resposta mais comum é: ao prazer, ao lazer, ao deleite do espírito cuja interpretação se mantém (muitas vezes) equivocada de algo supérfluo, de luxo, de quem tem tempo (e dinheiro) para frequentar teatros, cinemas e galerias. Urge o entendimento de dois aspectos: se proporciona SATISFAÇÃO, gera bem-estar físico, psicológico e cura; e há diversas atividades artísticas GRATUITAS pela cidade. O indivíduo menos favorecido (inclusive) precisa entender que estas áreas podem e devem ser ESTUDADAS e EXPLORADAS também. Que tenhamos mais espaços públicos dedicados às diversas expressões artísticas gratuitas.
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PARA REFLEXÃO:
“Temos a arte para não morrer da verdade.” Friedrich Nietzsche
“A arte diz o indizível; exprime o inexprimível, traduz o intraduzível.” Leonardo da Vinci
“Os espelhos são usados para ver o rosto; a arte para ver a alma.” George Bernard Shaw
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Para ler mais sobre a obra de João Ewerton:
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