
Quando as Injustiças invadem a Literatura, mas não derrubam os sonhos
Um dos grandes nomes da poesia do Maranhão e finalista do Premio Jabuti, Josoaldo Lima Rêgo, tem que usar a Justiça para receber prêmio municipal, em seu Estado de origem.
(*) Mhario Lincoln com Wilson Marques e Uimar Junior, imortal da Academia Poética Brasileira.
O jornalista e escritor Wilson Marques, dos mais aplaudidos da literatura infanto-juvenil do Maranhão, faz uma denúncia em sua página no Facebook dando conta de que "(...) o poeta Josoaldo Lima Rêgo espera, faz 11 anos pela compensação financeira a que tem direito, após vencer o concurso municipal Cidade de São Luís, cujo prêmio não foi pago até hoje (...)".
Wilson completa sua indignação (inclusive posta a capa do processo pertinente, que o poeta ingressou contra a Prefeitura Municipal de São Luís), afirmando: "(...) Josoaldo, uma das nossas maiores expressões poéticas, com dois livros, salvo engano, finalistas do prêmio Jabuti, com poemas incluídos numa antologia da Companhia das Letras, também publicada em Portugal. Ora, se um poeta dessa envergadura é tratado desse jeito, imaginem os jovens escritores em começo de carreira. Em tempo: o concurso Cidade de São Luís, esse, cujo prêmio não foi pago a Josoaldo, praticamente desapareceu (...)".
Uimar Junior, baluarte na luta contra injustiças eco-artísticas do Maranhão, entrou em cena e compartilhou a matéria de Wilson Marques com muitas pessoas. Inclusive enviou ao Portal MHLB. Mas falemos do poeta:
QUEM É JOSOALDO:
Josoaldo Lima Rêgo nasceu no Maranhão, em 1979. É autor de Paisagens possíveis (2010), Variações do mar (2012) Máquina de filmar (2014) e Sapé (2019), publicados pela Editora 7Letras, além do estudo Cosmovisão e modernidade – Sousândrade e a formação do campo visual em O Guesa. Aliás, Josoaldo foi finalista do Premio Jabuti de 2017. Único maranhense na competição, acabou perdendo para Simone Brantes, contemplada por “Quase todas as noite”, na categoria Poesia.
ALGUNS POEMAS DE JOSOALDO LIMA RÊGO:
Jauára Ichê
O mundo não acaba em tuas mãos
A borda da dobra é frouxa
Da Anatólia vês o Piauí
Do Pantanal, a Antuérpia
Nos Baixões de Altamira
em altamira/pa
raimundo nonato decide
matar o tempo:
dança no escuro
e arranca 4 dentes à foice
sem paz
ao som duma turbine
de hidroelétrica
Chinelos caídos
Esquálida, olhos voltados para o corpo.
Vontade social para certos temas.
Ela trepava por compromisso político:
Aleijados, deprimidos e desempregados.
Talvez acreditasse na transformação do mundo.
O gozo, a estátua no canto do quarto:
– daqui por diante, nunca mais a fantasia
de que impossíveis gestos podem ser
a magia necessária para estações dégradés.
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