Sexta, 12 de Junho de 2026
13°C 20°C
Curitiba, PR
Publicidade

WANDA CUNHA em VICEVERSA pergunta para Mhario Lincoln (04)

Autores e autoras, negros, têm trazido à tona muitas histórias, vivências e perspectivas que antes eram silenciadas ou ignoradas.

13/06/2023 às 17h29 Atualizada em 13/06/2023 às 18h14
Por: Mhario Lincoln Fonte: WANDA CUNHA/VICEVERSA/MHARIO LINCOLN
Compartilhe:
Arte: MHL
Arte: MHL

04-WANDA CUNHA - A ensaísta e crítica literária Nelly Novaes Coelho, em “A Literatura Feminina No Brasil Contemporâneo” (1991), observou que “Entre os fenômenos mais significativos deste último quarto de século, no âmbito da Literatura e da Crítica, está sem dúvida a crescente importância que vem assumindo três áreas de criação literária que, tradicionalmente, eram ignoradas ou minimizadas pela cultura oficial.” Ela enumera: a literatura escrita pela mulher; a literatura destinada às crianças ou jovens e a literatura "negra”.  Como tu olhas esse tripé na atual circunstância da Literatura Brasileira do Século XXI?

MHARIO LINCOLN - Primeiramente é ótimo quando alguém cita o livro "A Literatura Feminina No Brasil Contemporâneo" de Nelly Novaes Coelho. Posso garantir que é uma obra fundamental para compreender a produção literária das mulheres no contexto do século XXI, no Brasil, em análise abrangente e profunda da literatura feminina, explorando questões de gênero, identidade e representatividade.

Uma das frases que mais me marcou: "A literatura feminina contemporânea no Brasil revela vozes poderosas e multifacetadas, que reconfiguram os limites do discurso literário." Como se vê, é um reconhecimento público do poder das escritoras, em romper com os padrões estabelecidos e abrir novos caminhos na literatura.

Continua após a publicidade

Outro parágrafo significativo é: "A escrita feminina se destaca pela sensibilidade e pela capacidade de abordar temas universais sob uma perspectiva singular." Olha só que beleza ao ressaltar a singularidade das vozes femininas na literatura contemporânea brasileira e como elas trazem uma perspectiva única para questões que são relevantes para todos.

Destarte, no contexto do século XXI, em que as discussões sobre igualdade de gênero e representatividade estão cada vez mais presentes, esse livro se torna uma leitura indispensável, porque, por si só, já responde a essa parte da pergunta (Aliás, perguntas muito bem elaboradas. Obrigado Wanda por oportunizar expor minhas ideias). 

Bom, no que diz respeito à literatura destinada a crianças e jovens, temos presenciado um florescimento de obras que dialogam com as experiências e os interesses dessa faixa etária. Esses livros abordam temas como diversidade, inclusão (aqui cito minha confreira APB, escritora Sharlene Serra e sua "Coleção Incluir"), as questões sociais e emocionais, contribuindo para a formação de leitores críticos e sensíveis desde cedo. 

No que tange à literatura "negra", é importante ressaltar o papel fundamental que ela desempenha na representatividade e na valorização da cultura afro-brasileira. Autores e autoras, negros, têm trazido à tona muitas  histórias, vivências e perspectivas que antes eram silenciadas ou ignoradas. Essa literatura tem contribuído para desconstruir estereótipos, ampliar horizontes e promover a valorização da diversidade étnica e cultural do país.

Para ilustrar, em 2020, o “New York Time” trouxe uma matéria interessantíssima em manchete: "OBRAS DE GRANDES ESCRITORES NEGROS ENTRAM PARA A LISTA DE MAIS VENDIDOS NO BRASIL. O fato inédito é considerado um avanço na luta antirracista e reúne nomes importantes da Literatura nacional e mundial". 

Aliás, todo mundo deveria ler "Pequeno manual antirracista", da incrível Djamila Ribeiro. Outro livro que li e recomendo é "Racismo Estrutural", de Sílvio Almeida.

Continua após a publicidade

Peço permissão a nossa entrevistadora para transcrever um rápido parágrafo de Silvio Almeida, onde aprendi: "(...) embora haja relação entre os conceitos, o racismo difere do preconceito racial e da discriminação racial. O preconceito racial é o juízo baseado em estereótipos acerca de indivíduos que pertençam a um determinado grupo racializado, e que pode ou não resultar em práticas discriminatórias. Considerar negros violentos e inconfiáveis, judeus avarentos ou orientais "naturalmente" preparados para as ciências exatas são exemplos de preconceitos. A discriminação racial, por sua vez, é a atribuição de tratamento diferenciado a membros de grupos racialmente identificados (...)". Fundamental essa obra.

 

Continue lendo: https://www.facetubes.com.br/noticia/3984/wanda-cunha-em-viceversa-pergunta-para-mhario-lincoln-05

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Carmen Regina DiasHá 3 anos CascavelTemas abordados que são da maior importância especialmente nos dias atuais, onde preconceito, racismo generalizações e reducionismos nos separam de nossos irmãos humanos, que segregam e machucam o corpo e a alma. Ler esta entrevista com Wanda Cunha e Mhario Lincoln deveria ser matéria obrigatória para os bancos escolares.
JAIME Há 3 anos BSB/DFFora de série!!!
Mostrar mais comentários
Curitiba, PR
14°
Tempo nublado

Mín. 13° Máx. 20°

14° Sensação
1.66km/h Vento
97% Umidade
100% (4.7mm) Chance de chuva
06h59 Nascer do sol
05h34 Pôr do sol
Sáb 17°
Dom 15°
Seg 12° 11°
Ter 18° 10°
Qua ° °
Atualizado às 22h01
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,10 +0,01%
Euro
R$ 5,91 +0,14%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 344,103,58 +0,40%
Ibovespa
171,497,23 pts 1.71%
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias