
03-WANDA CUNHA - Tenho lembranças fortes do colunista Mhario Lincoln, mas o tempo amadureceu o profissional coletivo que se esmera nas tarefas de advogado, jornalista, cronista, contista, poeta, músico... Dentro do teu ponto de vista, qual a contribuição cultural que cada Mhario Lincoln supramencionado tem dado ao Maranhão e ao Brasil?
MHARIO LINCOLN – Bons tempos! Foram mais de 20 anos escrevendo diariamente em dois grandes jornais do Maranhão. Então, vamos por parte:
1 - Acho que contribui ao inaugurar uma abordagem inovadora no colunismo social tradicional, ampliando os assuntos abordados. Inclui na pauta (lá pelos idos de 1980), economia, política, cultura e abri espaço para caricaturistas e músicos, permitindo uma visão mais abrangente da sociedade em que estava inserido. Além disso, o fato de abrir espaço para talentos (fora do alto círculo social), oportunizou o crescimento profissional de personagens que hoje se destacam no cenário nacional.
2 - Como poeta, confesso meu esforço constante para garantir qualidade em meus poemas. Para isso, dedico-me a incansáveis estudos de linguagens indianas, chinesas, americanas e europeias. Busco sempre por uma excelência linguística, com reflexos diretos em minha produção poética. Difícil, mas vou conseguir.
3 - No campo musical, obtive alguns apoios que fizeram minha carreira decolar. Como o de Chiquinho França, Wellington Reis, Paulo Piratta e do soteropolitano Osmarosman Aedo. Eles contribuíram muito para proporcionar as nossas músicas, uma maior visibilidade e oportunidades para suas músicas. Tanto, que alguns destaques nacionais incluem “Alumiô”, cantada por Rogéryo du Maranhão (https://www.youtube.com/watch?v=i1Rv3MofNRc), outra, "Flor de Açucena", interpretada por Erasmo Dibell (https://www.youtube.com/watch?v=GKWs8GzGvE0) e ainda "Amor Inquisidor", com Osmarosman Aedo, nas belas interpretações de augusto Pellegrini e Zélia Grajaú, (https://www.youtube.com/watch?v=TXx9cyT7kM4) e o samba-de-breque “Escapei Por um triz”, em parceria com Paulo Piratta. (https://www.youtube.com/watch?v=AHlVUlBYpPc), numa bem sucedida tentativa de reviver esse gênero musical criado por Moreira da Silva.
4 - Mas, o que me mantém ativo e operante é o jornalismo. Vivo o jornalismo de forma dinâmica. E se deixei algum legado até agora, posso dizer que foram três obras: meus dois livros de Direito - "Teoria e Prática do Inquérito Administrativo" e "Acumulações Remuneradas de Cargos e Funções Públicas", estes, me levaram a ser sócio-fundador da Academia Maranhense de Letras Jurídicas, na década de 80, e "Ina - A Violação do Sagrado", com foco em jornalismo investigativo, que ultrapassou as fronteiras brasileiras, solidificando minha carreira.
Confesso – pela primeira vez e para você Wanda Cunha – que não me contento com essas realizações passadas. Mesmo enfrentando dificuldades, continuo trabalhando diuturnamente para garantir a missão do “ainda possa fazer”, pois acredito em um futuro promissor.
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