O instagram foi inundado no começo da semana (novamente) na repetição de uma entrevista que o professor Rubem Alves concedeu ao ator e diretor Antônio Abujamra, com críticas e apoios veementes.
Em um dos trechos, é possível identificar uma crítica de Alves à forma como as pessoas abordam a religiosidade e a busca pela felicidade. O autor argumenta que muitas vezes as pessoas fazem promessas a Deus envolvendo sacrifícios e penitências, como subir degraus de joelhos, em vez de oferecer algo positivo e prazeroso. Ele questiona a ideia de que Deus se deleita com o sofrimento humano, afirmando que as Escrituras Sagradas descrevem Deus como alguém que criou um jardim de delícias e que "os seres humanos foram feitos para a felicidade".
Todavia, parece ser um imenso paradoxo, pois o mesmo Alves havia escrito em um de seus textos, no caso - "Ostra feliz não faz pérola", que é "através do sofrimento que as pessoas produzem a beleza".
Então, cabe-se analisar a paradoxal opinião de Rubem Alves de duas maneiras distintas. Uma, relacionando sua visão primeira, com a filosofia do utilitarismo, que defende a busca pela felicidade como um fim em si mesmo, seguindo as pegadas dos filósofos utilitaristas, Jeremy Bentham e John Stuart Mill, que argumentam: "(...) o objetivo fundamental da vida humana é maximizar a felicidade e minimizar o sofrimento", isto é, a felicidade é o bem maior e deve ser valorizada e buscada de forma individual e coletiva.
EXCLUSIVO:
Num segundo momento, Rubem Alves não se limita ao utilitarismo e acerca-se do sofrimento "na criação de algo belo". Neste ponto, enquadra-se ao pensamento de Friedrich Nietzsche, que argumentava que "o sofrimento é necessário para o desenvolvimento humano e a superação de limitações".
Nietzsche defendia a ideia de que é através do sofrimento e da superação dos desafios que o indivíduo pode alcançar uma forma superior de existência e criar obras de arte que expressem sua visão de mundo.
Fica então uma grande dúvida com pertinência à ideia principal do pensamento de Rubem Alves. Ou ele critica a forma como algumas pessoas encaram a religiosidade e a busca pela felicidade, destacando a importância de oferecer algo positivo a Deus; ou ele curva-se aos sacrifícios e penitências, através do sofrimento na criação do belo.
Na verdade, caro leitor, deixe sua opinião abaixo de qual das duas premissas você seguiria?
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