Nota do editor: antes de mostrar um pouco mais desse poeta brilhante que vem de Belo Horizonte e alcançpa camadas líricas em diversos pontos do país, vale abrir um parêntese para mostrar rapidamente, um pouco de sua obra, 'Spleen de BH: Ásperas Flores', quarto volume da Coleção Flores do Caos, publicado pelo Selo Starling. NEste livro, o poeta e filósofo Leonardo de Magalhaens mergulha nas profundezas da condição humana, revelando uma visão sombria e incisiva sobre a vida, a leitura e a escrita. Inspirado pela obra-prima de Charles Baudelaire, 'As Flores do Mal', Magalhaens traz uma abordagem contemporânea para a cidade de Belo Horizonte, explorando os elementos caóticos e turbulentos dos tempos modernos.
Ao invocar o espírito de Baudelaire e seu livro 'Le Spleen de Paris', o autor estabelece um diálogo poético com o poeta francês, canalizando sua inspiração e transpiração para recriar a essência baudeleriana no século XXI. Com uma escrita afiada e penetrante, Magalhaens critica corajosamente o caos que permeia nossa era violenta. Ele penetra na beleza, mergulha fundo na alma humana, explorando a imperfeição tanto feminina quanto masculina. À medida que percorre as ruas, o autor apresenta sua visão crítica, mantendo-se sempre fiel ao espírito da obra de Baudelaire.
'Spleen de BH: Ásperas Flores' destaca-se como uma contribuição relevante para a celebração do legado de Charles Baudelaire, marcando os 200 anos de seu nascimento. Assim como Baudelaire mergulhou nas profundezas da condição humana em 'As Flores do Mal', Magalhaens segue seus passos, trazendo consigo a mordacidade e a ferocidade que caracterizam a obra baudeleriana.
A Coleção Flores do Caos revela-se um projeto ambicioso e promissor, trazendo diferentes vozes poéticas que dialogam com o espírito de Baudelaire. Com quatro volumes já publicados e mais oito previstos para serem lançados, a coleção se estabelece como um tributo contemporâneo à poesia, culminando no Dia Nacional da Poesia, em 31 de outubro.
Em suma, 'Spleen de BH: Ásperas Flores' é uma obra poderosa que exibe a perspicácia de Leonardo de Magalhaens ao trazer as imagens e os temas baudelerianos para a atualidade. Com sua crítica afiada e ligação intrínseca com a essência da obra de Baudelaire, o autor confirma-se como um talento poético a ser reconhecido e valorizado.
Dentre várias publicações de Leonardo, abaixo, um de seus poemas iconicos:
Absoluto
Leonardo de Magalhaens
O choro que corta a noite
O riso solto da criança
A senhora que fecha os olhos
Crimes bárbaros sem testemunhas
O pesadelo dos prisioneiros
O gozo sem censuras na madrugada
Prosperidade de uns e miséria de outros
Brigas de namorados no metrô
Destruição de cidades e ascensão de novas dinastias
O dedo mutilado do operário
Os romances escritos e nunca publicados
Choro desesperado junto ao túmulo
Espíritos iluminados em meditação
As preces recolhidas na solidão
Os aplausos que ecoam no teatro
Os lobos uivando nas névoas do luar
Ciclones tropicais soprando
Mendigos encolhidos nas sombras
Bibliotecas repletas de incompreensões
Cirandas cirandinhas cantigas de roda
Reações químicas nas células
Desaparecidos e expatriados e refugiados
Corpos que somem na noite e na neblina
Mortos que pululam de vermes vivos
Policiais zelosos da ordem
Piadas se qualquer graça
Consciência expandida em êxtase
Cerimônias de batismo ou de réquiem
Os melhores poemas declamados ao vento
Os sermões antológicos de pastores assassinados
Voluntários visitando vítimas de câncer
Explosões de supernovas geram nebulosas
Toda bênção e toda justiça
Todo fôlego de vida
Tudo vem de Deus e volta para Deus
Jul 2023 (ou 2029 dC?)
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VÍDEO-BÔNUS
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Do narrador: "12:18. Errata: os jovens têm as idades de 17 anos, o narrador, e de 18, o amigo Luo. p. 8. O narrador era filho de um médico, enquanto Luo era filho de um famoso dentista. A filha do alfaiate era mais jovem".
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