A VIOLETA DO CAMPO
Joizacawpy Muniz Costa
Nada mais emblemático que a alcunha de Violeta do Campo para Laura Rosa, a violeta é uma flor sutil, sem alardes, mas nem por isso menos bela que as demais espécies, assim foi Laura Rosa um dos nomes femininos que fez parte da construção da história das letras no Maranhão, mas que, no entanto, ao que tudo parece não alardeou os espaços por onde percorreu seus caminhos, porém seu talento, Inteligência e competência não puderam passar nulos aos olhos das letras.
Pioneira ao integrar a Academia Maranhense de Letras, Arcádia majoritariamente masculina, foi abraçada com o respeito e honra que merecia como primeira mulher a ocupar uma cadeira na AML.
Laura imprimiu em suas composições uma simplicidade instigando, o que talvez alguns tenham visto como simples e quase ingênuo, mas que tinha uma força imensa sob o olhar atento da poeta. Um de seus mais emblemáticos poemas trata do percurso de uma folha de sua exuberância como a bela folha frondosa passando pelo definhar até apodrecer e virar um esqueleto, ou seja, apenas sua última estrutura a qual a poeta não desprezou. Cabe aqui uma gama de simbologia muito forte para a folha em sim e para além dela, se considerarmos a dimensão metafórica do discurso. Laura deslizava sua pena com olhos atentos ao mais simples que nos pareça ser, e arrancava da simplicidade o tesouro escondido por trás do horizonte que poucos alcançam, tinha um olhar atento voltado para a natureza, espaço em que sua sensibilidade passeava livremente com a marca da simplicidade entregando-se a escrita de uma forma muito íntima e livre ao mesmo tempo. Ela entregava-se a arte do poetizar, assim podemos sentir, e desse modo enxergou na carnaubeira exuberância, o que cabe a marca de nossas referências de identidade, uma palmeira que habita nossas matas maranhenses que nos é tão comum. Ela deu importância a simplicidade e agigantou essa simplicidade de modo a tornar alguns aspectos da "natureza" marcas relevantes de sua escrita.
Não parou na natureza, falou também de seus sentimentos, os mais genuínos que habitavam sua alma, como no poema aquelas cruzes que revelava as dores da vida, não somente as dela, ressaltando a importância da humildade e a necessidade de "igualdade" social, quando nesse mesmo poema ressalta "olhai de frente a porta principal/Mas antes de transpor o patamar/ tirai, vos peço a sandália social/que podereis, com uma bulha perturbar/ o sono, que se dorme em leito igual..., ou seja, tirai seus status, seus sentimentos de superioridade.
Foi uma verdadeira ativista cultural participando de muitas atividades literárias em vários espaços, num tempo em que o protagonismo masculino demarcava o território nas letras e na sociedade como um todo.
Laura Rosa foi, professora, poeta, contista, conferencista, nasceu em São Luís MA em primeiro de outubro de 1884, e faleceu em 14 de novembro de 1976 em Caxias MA, deixando um legado literário e cultura que merece ser lido, visitado, pesquisado, compreendido e valorizado.
VIOLETA DO CAMPO
Tu tão simples
Deixou marcas na história
Com versos sutis e leves
Compôs tantos poemas
Que estavam mais a serviço
Do sentir nas coisas pequenas
O que se pode perceber em verdade
E em naturalidade.
Uma simples folha dissecada
Que permite mostrar seu esqueleto
E nas sutilezas dos teus versos
O sol carrancudo rompe o dia
Que tão majestosamente sorri.
Quão magnífica fostes
Ao oferecer tão precioso valor
A uma simples carnaubeira
Que aos olhos desatentos
Não alcançam tamanha magnitude
Mas aos teus olhos especiais
Abençoados de sensibilidade
E sabedoria ela reinava formosa.
Juntastes a rã e o rouxinol
No mesmo verso
Se alguns só conseguem Ouvir
A beleza do canto do rouxinol
Tu soubestes enxergar a rã
Não com repuguinância
Mas com a natureza
De ser também vivo.
E unes na mesma estrofe
O dia e a noite
A chuva e a ventania
A Terra e a luz do Sol.
Sabe por que alcançaste
Tudo isso...
Porque foste alma sensível
Coração privilegiado
Inteligência sábia
E humildade viva.
Joizacawpy Muniz Costa
(Em homenagem a Laura Rosa)
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