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Tribunal de Justiça MA recebe Antologia e Comenda para o acervo da Exposição FIRMINE-SE, em memória de Maria Firmina dos Reis-200 anos

Equipe de redação do Facetubes com a jornalista Élle Marques.

31/08/2023 17h06 Atualizada há 3 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Jornalismo do Facetubes
Na Galeria Trapiche
Na Galeria Trapiche

 

O Tribunal de Justiça do Maranhão - Comitê de Diversidade recebeu, no último dia 29 de agosto, a doação de um exemplar da antologia poética Maria Firmina dos Reis: tributo a uma negra úrsula e a Comenda Cultural Maria Firmina dos Reis, que passam a fazer parte do acervo permanente da exposição itinerante FIRMINE-SE. Assim como a Mostra, a obra e a Láurea Literária celebram in memoriam a vida e obra da primeira romancista negra brasileira, mulher maranhense, Maria Firmina dos Reis, por ocasião do ano bicentenário do nascimento da escritora (1822-2022). 

A Comenda foi promovida em parceria por três instituições culturais: Instituto Internacional Cultura em Movimento - IICEM, presidido por Angeli Rose; Mundo Cultural World – MCW, direção de Élle Marques; e Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares – AMCLAM, presidida pelo Cel. Carlos Furtado.

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Lançada em São Luís do Maranhão e no Rio de Janeiro, em 2022/2023, e promovida pela Mundo Cultural World, com a parceria do Coletivo Mulheres Artistas, a Antologia para Maria Firmina dos Reis (MFR) tem as embaixadoras culturais e escritoras Élle Marques e Angeli Rose, como organizadoras. Por meio de edital público, elas promoveram a participação de 60 escritores de todo o Brasil - alguns residentes no exterior -, na produção do livro dedicado à memória poético-literária e política-cultural de Firmina que, enquanto personalidade e personagem, contribuiu para a luta pela liberdade e igualdade, e na defesa da diversidade étnica, cultural e territorial. 

A ideia de produzir o livro coletivo para homenagear Firmina foi da jornalista e produtora cultural Élle Marques. Mestre em Comunicação e Cultura e diretora executiva da MCW, ela defendeu a relevância da coletânea:  “Hasteamos este estandarte com forte sentimento de orgulho cultural e justo dever editorial, pelo devido reconhecimento ao trabalho literário abolicionista de Maria Firmina para o Romantismo no Brasil, cujas expressivas dimensões são também contributivas para o estudo das memórias de nossas ancestralidades e linguagens afro-brasileiras; assim como para a conquista da igualdade de gênero no direito à educação e ao espaço público”. 

Sobre o “tributo a uma negra úrsula”, a poeta e escritora explicou: “A adjetivação é dedicada a Firmina, mulher negra, por sua força e coragem - significados atribuídos ao nome Úrsula, de origem alemã; o mesmo nome dado ao seu trabalho literário mais expoente. Enquanto a personagem central de Úrsula, romance da autora homenageada, é branca e estrangeira, a nossa figura central, nesta antologia, é negra, escritora, brasileira. E entre as principais contribuições desta negra úrsula – nome que tomamos como adjetivação - para a escrita da mulher nos países de língua portuguesa, está a de ser a primeira das escritoras negras, romancistas, e na publicação de cunho abolicionista”.

A Obra.

A Profa. Dra. Elaine dos Santos teceu, no prefácio da obra, considerações sobre o Tributo literário à Firmina: “O leitor que adentra as páginas dessa coletânea encontrará a autora – Maria Firmina dos Reis, que, na sua singeleza e em conformidade com os ditames de sua época, assinou o texto, hoje, mais consagrado de sua produção literária, apenas como “Uma maranhense”, explicitando, por seu turno, a secular opressão feminina que a sociedade ocidental tem imposto à mulher e, em particular, à mulher não branca. Para além disso, encontrará personagens oprimidas por sua feminilidade, por sua servilidade, pelo encontro com a cultura do outro, do branco. Encontrará, ademais, a reverência de escritores contemporâneos à prosadora e poetisa maranhense do século XIX, mas também à mulher de carne e osso, em consonância com o seu tempo, que ousou ser professora, ministrar aulas gratuitamente para gente humilde, acolher filhos de escravizados no seio do seu lar, adentrar os círculos literários, produzir obras que, sob distintos aspectos, andaram na contracorrente do status quo do período em que viveu, sendo hábil para, em seus textos, inserir as suas demandas, os seus conceitos de liberdade, de justiça, de dignidade”.

A Profa. Dra. Angeli Rose, além de organizadora e revisora literária, é autora do posfácio, onde entrevista a renomada escritora e pesquisadora Profa. Dra. Luiza Lobo. Sobre a curadoria da obra, Angeli Rose considerou: “Organizar esta antologia foi um aprendizado sobre as diferentes facetas de Maria Firmina dos Reis e as subjetividades criadoras. Foi deparar-se com a riqueza dos olhares que pousaram detidamente sobre a obra desta escritora, hoje tão reconhecida.

Sobre a afluência dos escritores, ávidos por participar do livro em Tributo à romancista, ela disse: “...Partindo da condição de ser a primeira escritora mulher negra do Brasil e da América Latina a publicar(-se) no gênero romance e da celebração do bicentenário do seu nascimento (1822-2022) no Maranhão, deu a ver o quanto a sociedade brasileira já se encontra em um nível de sensibilização acerca da luta por direitos iguais e a derrocada do preconceito racial, resistindo ao racismo estrutural. Ao lado disto, é possível identificar que as ações que buscam práticas de revigoramento da literatura brasileira, imediatamente encontram espíritos ávidos por tais iniciativas… A relevância da produção de MFR hoje é largamente propagada, destacando o pioneirismo daquela mulher negra, abolicionista, colaboradora de jornais da época, no entanto, a força da representatividade de sua obra para uma literatura negra brasileira ainda está em desenvolvimento desde 1970, quando foi redescoberta pela crítica…”.  

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A Profa. Dra. Luiza Lobo comentou a importância da publicação poética coletiva: “o resgate da obra e da vida de nossa úrsula mulher, a abolicionista escritora MFR, aqui adjetivada por nós como corajosa, é também um movimento de resistência ao individualismo que paira sobre a produção contemporânea, tanto na lírica como na prosa romanesca…” Sobre as características da principal personagem do romance Úrsula, de Firmina, Luiza Lobo afirmou:  “Do ponto de vista estético, eu mesma me surpreendi quando, por ocasião de uma gravação para um filme da Lascene (creio que nunca foi completado), a respeito de Maria Firmina, a entrevistadora me chamou a atenção para o fato de que Úrsula tinha tranças louras. Eis um fenômeno brasileiro. Somos um dos países mais preconceituosos do mundo, que nega a própria identidade e usa um espelho emprestado do hemisfério Norte, mas, ao mesmo tempo, que não consegue escamotear os valores herdados da Europa, no século XIX, e dos Estados Unidos, no XX – conforme publiquei, numa perspectiva de Estudos Culturais, em “Somos todos mestiços no Brasil” (ver revista Taller de Letras nº 44, Santiago de Chile, 1º sem. 2009. p. 55-70)”.

A capa da antologia Maria Firmina dos Reis: tributo a uma negra úrsula apresenta o quadro (Óleo sobre tela) intitulado “Firmina Jovem”, da artista plástica paulista, Irene da Rocha, concebido especialmente para a obra, que terá segunda edição lançada até o final deste ano. A primeira edição, limitada, encontra-se esgotada. 

O lançamento do livro contou ainda com a exibição de vídeo promocional sobre a vida de MFR - em português, inglês e espanhol. Desde o lançamento do Edital, o portal Facetubes, por meio de seu editor Mhario Lincoln, é Instituição Midiática apoiadora da Antologia para Firmina.

Em 2022, a Academia Poética Brasileira concedeu à sua representante cultural Élle Marques a Comenda “ Descobridores do Brasil”, pelo trabalho hercúleo de resgate da memória da escritora e romancista Maria Firmina dos Reis. A outorga é expoente honraria da APB. 

Na breve cerimônia de entrega da Obra e Comenda ao Acervo do Museu do TJMA, realizada na tarde da terça-feira, 29 de agosto, na Galeria Trapiche, no Centro Histórico de São Luís, MA, estiveram presente como representantes do Comitê de Diversidade do Tribunal de Justiça do Maranhão: Marco Adriano Ramos Fônseca, Juiz de Direito e Coordenador do Comitê de Diversidade do TJMA; Joseane Cantanhede, Analista Judiciária- Bibliotecária e membra do Comitê de Diversidade do TJMA, e Regiane Maciel, membra do Comitê de Diversidade do TJMA. 

Representaram a Editora Mundo Cultural World e o Coletivo Mulheres Artistas: o professor e ativista político Wenderson Vasconcelos e a assistente social Fabiany Amorim, coautora da Antologia - ativistas culturais maranhenses e personalidades homenageadas com a Comenda Maria Firmina dos Reis. 

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Da Organização da Galeria Trapiche: o ator Uimar Rocha Júnior.

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Fontes: 

Uimar Rocha Júnior – Galeria Trapiche

Ass. Imprensa Mundo Cultural World

Maria Firmina dos Reis: tributo a uma negra úrsula/ organizadoras: Élle Marques e Angeli Rose- São Francisco do Sul, SC. Ed. Mundo Cultural World, 2022. ISBN9786599676819

 

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