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Edmilson Sanches mostra 11 poemas sensuais, de sua autoria

"Deste-me tua fotografia. / Dá-me teus beijos / dá-me teus olhos / onde me autovejo".

01/09/2023 às 09h49
Por: Mhario Lincoln Fonte: Edmilson sanches
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Edmilson Sanches
Edmilson Sanches

FACETUBE – 1º setembro 2023

Edmilson Sanches é convidado da Academia Poética Brasileira.

Colunista quinzenal com prosa e verso.

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Rspeitado nacionalmente, sua obra é aplaudida no Brasil e fora dele.

É dentetor de vários prêmios literários.

 

ONZE POEMAS SENSUAIS

DE EDMILSON SANCHES

 

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I - BIVALVE

 

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Em teu casulo

me acasalo

me encapsulo.

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Nele, dentro,

me movimento

-- ele me entende

e se distende

completamente

(me) move

-- comove --

 fortemente 

(me) envolve

profundamente

 

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até que cio e selva

sejam só céu e relva

 

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e saia o arado

e fique a leiva

e em mim saciado

brote a seiva

 

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e eu homem me transmuto em rio

e sobre você mulher margens e leito

corro

percorro

escorro

 

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liquefeito.

 

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Em teu casulo

me acasalo

me encapsulo:

nele sou mais

quanto mais

me anulo...

 

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II - BOTÕES

 

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Uma mulher

se despe

-- e sua alma,

como abri-la?

 

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Comece

pelos botões...

 

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Botões...

 

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...dos seios

túmidos

-- meus lábios

úmidos.

 

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Botões...

 

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..da greta

berço,

...do grelo

terso

tirso

coifa

hifa

triângulo

com tudo

com tufo

inflorescente

saliente

silente

intumescente

carnudo

cachudo

bojudo.

 

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E sob(re) a fenda

bilabial

torno-me

linguodental.

 

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E com dedos

fálicos

eu fauno

áulico

teço

-- mudo --

um terço

-- surdo --

de orações

e ereções.

 

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III - FOTODESEJO

 

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Deste-me tua fotografia.

Dá-me teus beijos

dá-me teus olhos

onde me autovejo.

 

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Dá-me teus cabelos

dá-me tua boca

dá-me tuas mãos

tão belas, tão poucas.

 

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Beijarei tua boca

de voz tão rouca

beijarei tua mão

 

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que me acariciará então.

E tendo teu corpo um dia

rasgarei tua fotografia.

 

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IV - A/MAR

 

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Sal...

Céu...

Cio...

Sol...

Sua...

 

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Toda 

sua.

 

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 V - O QUE HÁ

 

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O que há de álcool e doce

Em tua pele, teu olhar, que inebria,

Que me encanta como se fosse

Encanto, arte, êxtase, magia?...

 

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VI - SALIÊNCIAS

 

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O que bem mais me faz dormir, 

e sobre o que às vezes rolo,

não é a maciez da cama, 

mas o suave de teu colo. 

 

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O que me torna bem desperto,

te digo em inconfidências: 

não é a essência do “Porto”

-- são essas curvas do teu corpo,

são essas tuas (ai ai)... saliências.

 

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VII - SEMIDEUSES

 

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Oi!

Vou direto ao assunto.

Agora é final de sexta-feira e...

...que tal construirmos um sábado

e um domingo

diferentes?

Venhas até aqui, onde moro.

Não tragas muda de roupa

-- não precisaremos dela.

(Em verdade,

não precisaremos de roupa.)

 

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Não traga alimentos

-- nós seremos eles.

 

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Traga-te a ti

e te entregues a mim,

que já se entregou a ti

sem que tu percebesses.

 

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E durante o dia e a noite,

e em todos os instantes

falaremos de amor,

faremos amor,

seremos amor.

 

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Falarei no idioma

de minha língua

que não fala,

mas, fálica,

famélica,

te comerá,

te absorverá,

te sorverá

na intimidade

mais íntima,

mais líquida 

e certa

que tens.

 

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Minha língua

te reeducará

fazendo-te

aprender

a desprender

os sons selvagens,

irreproduzíveis,

da selvagem

que és quando,

entregando-te,

dominas-me

e domesticas

o macho  -- que,

se acreditando possuidor,

é possuído.

 

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E no domingo,

enquanto o Senhor descansa,

Adão  -- carpindo o caule –

e Eva  -- regando a flor --

amassam o pão

com o suor do rosto

e do resto do corpo,

e também

com a saliva 

e a seiva

e o sangue

e o sêmen,

em imitação

malfeita,

mas humanamente prazerosa,

do gesto divino

da (re)criação,

da (re)produção

de si

em si,

de mim

em ti,

de ti

em mim.

 

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VIII - MEIA-NOITE

 

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um quarto

meia luz

dois corpos

em um.

 

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IX - DECÚBITO DORSAL

 

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Sou poeta.

Viro-te

do avesso

e em arremessos

faço verso

em teu reverso.

 

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X - VERSOS FESCENINOS

 

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I / LABIODENTAIS

dentes

hábeis

em

lábios

lábeis

 

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II / VAGINOLABIAIS

lábios

de macho

em lábios

em cacho:

acima

abaixo

a boca

encaixo

 

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III / MASTOGRAFIA

teus

seios

sei-os:

bicos

que bico

mamas

que mamo

que nem

neném

 

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IV / CALIPÍGIA

o desejo

que abunda

em mim

: a/bunda

em ti

 

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V /  VULVAR

vagindo

vagidos

o ventre

vestíbulo

 

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vulva

vaga

vágil

 

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o pênis

pênsil

vai

e

vem

vai-e-vem

vaivém

 

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fenda

sulco

faz-se

suco

 

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amor

feito

amor

perfeito

li

que

fei

to

 

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XI - CENAS

 

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No arame

a roupa

esperando

ser exibida.

Na cama

a dama

esperando

ser possuída.

 

No varal

o lençol

secando

ao luar sem sol.

No leito

a madama

arfando o peito

agitando a cama.

 

Lá fora os panos

reclamam ao vento.

Na cada a dama

espera alguém

-- que não vem --

para o intento.

 

Na noite caem os panos.

O vento ruge rugido de fera.

Um homem na sala -- coração morto.

A dama na cama -- um corpo

... que espera.

 

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Os textos são de inteira responsabiolidade do autor, EDMILSON SANCHES.

 

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Sobre o blog/coluna
Edmilson Sanches é um dos intelectuais brasileiros mais aplaudidos em diversas áreas da literatura contemporânea. É jornalista, consultor, palestrante, editor, bacharel em administração pública e licenciado em letras.
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