
FACETUBE – 1º setembro 2023
Edmilson Sanches é convidado da Academia Poética Brasileira.
Colunista quinzenal com prosa e verso.
Rspeitado nacionalmente, sua obra é aplaudida no Brasil e fora dele.
É dentetor de vários prêmios literários.
ONZE POEMAS SENSUAIS
DE EDMILSON SANCHES
I - BIVALVE
Em teu casulo
me acasalo
me encapsulo.
Nele, dentro,
me movimento
-- ele me entende
e se distende
completamente
(me) move
-- comove --
fortemente
(me) envolve
profundamente
até que cio e selva
sejam só céu e relva
e saia o arado
e fique a leiva
e em mim saciado
brote a seiva
e eu homem me transmuto em rio
e sobre você mulher margens e leito
corro
percorro
escorro
liquefeito.
Em teu casulo
me acasalo
me encapsulo:
nele sou mais
quanto mais
me anulo...
II - BOTÕES
Uma mulher
se despe
-- e sua alma,
como abri-la?
Comece
pelos botões...
Botões...
...dos seios
túmidos
-- meus lábios
úmidos.
Botões...
..da greta
berço,
...do grelo
terso
tirso
coifa
hifa
triângulo
com tudo
com tufo
inflorescente
saliente
silente
intumescente
carnudo
cachudo
bojudo.
E sob(re) a fenda
bilabial
torno-me
linguodental.
E com dedos
fálicos
eu fauno
áulico
teço
-- mudo --
um terço
-- surdo --
de orações
e ereções.
III - FOTODESEJO
Deste-me tua fotografia.
Dá-me teus beijos
dá-me teus olhos
onde me autovejo.
Dá-me teus cabelos
dá-me tua boca
dá-me tuas mãos
tão belas, tão poucas.
Beijarei tua boca
de voz tão rouca
beijarei tua mão
que me acariciará então.
E tendo teu corpo um dia
rasgarei tua fotografia.
IV - A/MAR
Sal...
Céu...
Cio...
Sol...
Sua...
Toda
sua.
V - O QUE HÁ
O que há de álcool e doce
Em tua pele, teu olhar, que inebria,
Que me encanta como se fosse
Encanto, arte, êxtase, magia?...
VI - SALIÊNCIAS
O que bem mais me faz dormir,
e sobre o que às vezes rolo,
não é a maciez da cama,
mas o suave de teu colo.
O que me torna bem desperto,
te digo em inconfidências:
não é a essência do “Porto”
-- são essas curvas do teu corpo,
são essas tuas (ai ai)... saliências.
VII - SEMIDEUSES
Oi!
Vou direto ao assunto.
Agora é final de sexta-feira e...
...que tal construirmos um sábado
e um domingo
diferentes?
Venhas até aqui, onde moro.
Não tragas muda de roupa
-- não precisaremos dela.
(Em verdade,
não precisaremos de roupa.)
Não traga alimentos
-- nós seremos eles.
Traga-te a ti
e te entregues a mim,
que já se entregou a ti
sem que tu percebesses.
E durante o dia e a noite,
e em todos os instantes
falaremos de amor,
faremos amor,
seremos amor.
Falarei no idioma
de minha língua
que não fala,
mas, fálica,
famélica,
te comerá,
te absorverá,
te sorverá
na intimidade
mais íntima,
mais líquida
e certa
que tens.
Minha língua
te reeducará
fazendo-te
aprender
a desprender
os sons selvagens,
irreproduzíveis,
da selvagem
que és quando,
entregando-te,
dominas-me
e domesticas
o macho -- que,
se acreditando possuidor,
é possuído.
E no domingo,
enquanto o Senhor descansa,
Adão -- carpindo o caule –
e Eva -- regando a flor --
amassam o pão
com o suor do rosto
e do resto do corpo,
e também
com a saliva
e a seiva
e o sangue
e o sêmen,
em imitação
malfeita,
mas humanamente prazerosa,
do gesto divino
da (re)criação,
da (re)produção
de si
em si,
de mim
em ti,
de ti
em mim.
VIII - MEIA-NOITE
um quarto
meia luz
dois corpos
em um.
IX - DECÚBITO DORSAL
Sou poeta.
Viro-te
do avesso
e em arremessos
faço verso
em teu reverso.
X - VERSOS FESCENINOS
I / LABIODENTAIS
dentes
hábeis
em
lábios
lábeis
II / VAGINOLABIAIS
lábios
de macho
em lábios
em cacho:
acima
abaixo
a boca
encaixo
III / MASTOGRAFIA
teus
seios
sei-os:
bicos
que bico
mamas
que mamo
que nem
neném
IV / CALIPÍGIA
o desejo
que abunda
em mim
: a/bunda
em ti
V / VULVAR
vagindo
vagidos
o ventre
vestíbulo
vulva
vaga
vágil
o pênis
pênsil
vai
e
vem
vai-e-vem
vaivém
fenda
sulco
faz-se
suco
amor
feito
amor
perfeito
li
que
fei
to
XI - CENAS
No arame
a roupa
esperando
ser exibida.
Na cama
a dama
esperando
ser possuída.
No varal
o lençol
secando
ao luar sem sol.
No leito
a madama
arfando o peito
agitando a cama.
Lá fora os panos
reclamam ao vento.
Na cada a dama
espera alguém
-- que não vem --
para o intento.
Na noite caem os panos.
O vento ruge rugido de fera.
Um homem na sala -- coração morto.
A dama na cama -- um corpo
... que espera.
Os textos são de inteira responsabiolidade do autor, EDMILSON SANCHES.
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