A exposição "Meu Mundo Caiu: Outros Países na Coleção do Mian" é um evento notável que traz de volta ao Cosme Velho, no Rio de Janeiro, uma parcela do acervo do Museu Internacional de Arte Naïf (Mian) após seu fechamento há sete anos . O acervo, que foi cuidadosamente montado ao longo de mais de quatro décadas por Lucien Finkelstein, um joalheiro francês radicado no Rio, retorna para ocupar novamente esse espaço cultural tão significativo. Vale ressaltar que o casarão que anteriormente abrigava a coleção foi vendida no ano passado.
Sob a curadoria de Ulisses Carrilho, a exposição apresenta um recorte excepcional da coleção, concentrando-se exclusivamente em obras de artistas estrangeiros. Esta abordagem representa uma mudança em relação à proposta anterior do museu, que priorizou nomes e produções nacionais.
A nova exposição reúne 120 pinturas de artistas de 38 países diferentes, incluindo lugares tão diversos como Tanzânia, Nicarágua, Guatemala, Afeganistão, Índia, Bangladesh, Camboja, Cuba, México, Irã, EUA, França, África do Sul, Portugal e Colômbia . Esta exposição no Rio é o terceiro ato de um movimento liderado pelo colecionador e gestor cultural Fabio Szwarcwald, juntamente com o curador Ulisses Carrilho. Anteriormente, em 2019, a dupla especificação a coletiva "Arte Naïf: Nenhum Museu a Menos" na EAV do Parque Lage, exibindo 325 obras da coleção. No mesmo ano, o projeto "Arte nas Estações" percorreu três cidades do interior de Minas Gerais, exibindo 270 obras.
Em cinco salas expositivas na Z42, a exposição retoma uma colaboração anterior com o artista visual Rafael Alonso, que cria pinturas imersivas nas paredes para criar contrapontos com as obras apresentadas, semelhante ao que foi feito em 2019 nas Cavalariças do Parque Lage.
O curador Ulisses Carrilho destaca que uma seleção de 120 obras dentre as 1.100 obras de artistas estrangeiros da coleção desafia a percepção geral sobre a produção de artistas autodidatas, anteriormente designados como "naïf" (ou "ingênuos" em francês), ou primitivos. Carrilho enfatiza que países como Afeganistão, Iraque, Colômbia e Guatemala estão frequentemente associados a questões de guerra, terrorismo e narcotráfico, mas tratam os artistas desses países como criadores individuais, com todas as suas complexidades, nos levam a compensar nossas próprias concepções de mundo e imaginar novas formas de reconstruí-lo.
Além disso, Fabio Szwarcwald está empenhado em reunir um grupo de colecionadores para adquirir cerca de 4 mil obras sob a guarda da museóloga Jacqueline Finkelstein, filha de Lucien, que manteve o museu em funcionamento após a morte de seu pai. No primeiro semestre de 2024, está prevista a exibição de um novo segmento da coleção no Mato Grosso do Sul.
A exposição "Meu Mundo Caiu" permanecerá em cartaz até 11 de novembro, oferecendo aos visitantes a oportunidade de explorar essa coleção única e diversificada de artistas de todo o mundo. A mostra está aberta para visitação de segunda a sábado, das 11h às 17h, mediante agendamento pelo e-mail [email protected] .
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