Edomir Martins de Oliveira
Aproveitando os dias das comemorações da semana da Pátria, fomos a São Vicente de Ferrer, município maranhense, onde reside um tio da minha esposa Elma, o Sr. Adauto Ferreira Santos, que estava a completar seus 99 anos de idade.
Ali, foi com grande animação que participamos, junto com sua esposa, todos seus filhos, netos, bisnetos, noras, genros, sobrinhos e amigos, das comemorações da sua nova idade. Vimos o aniversariante caminhar só com o auxílio de uma bengala e, como herança da vida política, ainda fazer um discurso de agradecimento a todos pelas presenças.
Ele, alegremente e com postura ainda elegante, voz firme, nessa ocasião formulou convite para estarmos juntos, comemorando seu primeiro século de vida no próximo ano, como fez questão de frisar.
O aniversariante sempre foi um exímio contador de fatos presenciados durante toda sua vida. Aproveitou a ocasião para contar um caso que tinha sabido recentemente. Perguntou se alguém se lembrava do Bacurau, seu antigo eleitor quando ali residia.
– “Escutem este fato: ele procurara o prefeito do município, onde agora estava morando, para lhe dar a triste notícia do falecimento de sua mãe, e pedir ajuda para comprar o caixão para enterrá-la.
Devo explicar que o apelido “Bacurau” veio porque ele tinha o hábito, desde jovem, de pedir roupas e outras coisas emprestadas e não as devolvia ao seu dono, agindo sempre como a ave, conforme nos conta uma lenda do folclore caboclo. “Reza a lenda que para participar de uma festa no céu, a ave Bacurau pediu emprestado penas de diversos pássaros. Porém, no dia seguinte, não as devolveu e foi castigado por São Pedro, tornando-se uma ave de hábitos noturnos que solta o grito “amanhã eu vou” referindo-se a devolução das penas. ”
Voltemos à história onde Bacurau foi procurar o tal prefeito e lhe explicar a necessidade de um caixão. Nesse momento, o prefeito explicou-lhe que seria impossível atender seu pedido, porque não tinha dinheiro em casa, disponível. Só iria ter mesmo dinheiro 2 dias depois. O choroso filho pediu-lhe então ao menos dez reais para comprar velas, para que a alma da mãe não ficasse no escuro. Esse pedido também seria impossivel de atender, disse-lhe o prefeito.
Foi uma decepção para o pobre Bacurau! Naquele municipio tinha votado nesse prefeito que, durante a campanha eleitoral, prometia sempre estar a disposição dos seus eleitores, ajudando-os no que precisassem. “Dois dias, seu Prefeito? Isso é um deboche, pois um corpo vai exalar mau cheiro e se decompor. Isso é uma falta de respeito”.
Então, Bacurau revoltado e em tom de ironia, disse ao prefeito que lhe “emprestasse” ao menos dois reais. O Prefeito disse-lhe que não tinha no momento e lhe perguntou:
- O que vais fazer com dois reais, Bacurau?
- Vou comprar um pacote de sal, para salgar o corpo da minha mãe, enquanto espero os dois dias para receber a ajuda que o senhor prometeu. Passe bem, seu Prefeito! Na próxima eleição nós estaremos lhe esperando em nossa comunidade.
Triste história! Só lhe restou retornar para velar o corpo da sua genitora. Mas, as pessoas mais carentes são solidários entre si. Ajudam-se sempre que necessário. Felizmente, um vizinho marceneiro juntou-se a outros, se cotizaram e compraram umas tábuas e pregos e o marceneiro improvisou um caixão, onde colocaram o corpo da falecida, o que a impediu de ser enterrada em uma rede.
Indignados, os vizinhos de Bacurau disseram que jamais votariam nesse prefeito que gastava dinheiro público com festas desnecessárias, pagando bandas caríssimas e comprando fazendas e gado de elevado preço, conforme dizia o povo. Bacurau fizera muito bem em zombar do prefeito pedindo apenas dois reais, para salgar o corpo da mãe.
REPLAY IHGM 100 anos de preservação e construção da identidade maranhense
12/10/2026 A Fé: Luiz Dernizo Caron é convidado da Plataforma Nacional do Facetubes
ESPECIAIS A Permanente Luta das Mulheres pela Quebra de Tabus na Política Brasileira
Especiais Projeto Arte em Fibra transforma saberes de mulheres maranhenses em coleção de bolsas e oportunidades de renda
CÍRIO DE NAZARÉ Do casco dos barcos às ruas de Belém: a arte ribeirinha veste o Círio e transforma tradição em renda
Especial CINEMA Sharon Stone é uma atriz, modelo e produtora norte-americana. É uma boa atriz e tem muitos filmes na carreira. Mín. 10° Máx. 19°
Mín. 10° Máx. 17°
Tempo nubladoMín. 11° Máx. 21°
Tempo nublado
Colunista Socorro Guterres COMO UM CÃO: O ABSURDO JURÍDICO EM O PROCESSO
Coluna de RUY PALHANO Dr. RUY PALHANO em texto que fala profundamente sobre a “perda do sentido e o vazio exsistencial”
Academias Brasil/Exterior Coirmãs João Ewerton celebra 50 anos de pintura e revela, em sete fases, as raízes culturais do Maranhão
Coronel Carlos Furtado De Carlos Furtado:“A DIFÍCIL ARTE DE SER POETA”