*Mhario Lincoln
A poesia “Insustentável Leveza” de Priscila Prado é um poema que explora a dualidade da existência, oscilando entre a leveza e o peso, a liberdade e a queda.
A voz de Priscila Prado parece ecoar os temas filosóficos explorados por Nietzsche e, em especial, de Milan Kundera em “A Insustentável Leveza do Ser”. Nietzsche, em seu conceito do “eterno retorno”, sugere que a repetição eterna de um evento lhe confere um peso insustentável. Por contraste, Kundera ensina que, como nossos atos não se repetem, eles ganham uma leveza devido ao seu caráter efêmero.
Todavia, Prado, em sua poesia, apesar de romper com alguns argumentos filosóficos e se prender à poesia pura (omnibus poetica libertate) acaba (também) explorando essa dualidade.
Ela começa com uma sensação de flutuação e leveza - “andar à toa / na superfície / do chão” - que pode ser vista como um estado de liberdade. No entanto, essa leveza é interrompida pela “volta à tona / das entranhas / - insanas - / da mágoa”, um retorno ao peso da dor e do sofrimento. Isso pode ser interpretado como uma representação da queda de Nietzsche, onde a liberdade e a leveza são substituídas pelo peso da existência.
O poema então se volta para o “fruto da paineira”, um símbolo de beleza e fragilidade que “pesa: queda / quebra-liberta / leve / paina flana”. Aqui, Prado captura a essência da condição humana - a busca constante por liberdade e leveza em meio ao peso das múltiplas consciências humanas.
Como o crítico literário Octavio Paz observou, a poesia é uma forma de arte que “...nos permite explorar e expressar as complexidades da experiência humana de maneira que outras formas de comunicação não conseguem”.
Destarte, a poesia de Priscila Prado exemplifica isso maravilhosamente, oferecendo uma visão profunda e emocionalmente ressonante da dualidade da existência humana.
Mhario Lincoln* é presidente da Academia Poética Brasileira.
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