QUEM SABERÁ
Pois bem, Amada!
Não sei porque, mas, exatamente, nos momentos em que eu não conseguia sequer falar, pois nem me interessava falar, posto que a minha condição de ser e de estarrecer me continham, Ele, "Inominado", nem precisou falar, Ele "fez", e, "fez", exatamente aonde me era impossível sequer imaginar, imagine tocar ou transformar. De fato, e, inquestionavelmente, Ele "destroçou" aquilo que me era absolutamente intransponível e insuperável, Ele me mostrou quem é que "faz"e quem é que "tem".
Não saberia dizer o seu nome, posto que, Ele mesmo, apenas intitulou-se "Eu Sou". Até aqui, a única coisa que consigo (salvo o inteligismo), é senti-lo, e, confesso, na maioria das vezes, tem sido pela dor, ao invés do amor. Pecado? Não! Penso ser, sim, e somente nesta fragilidade, a expressão máxima de reconhecimento da pequenez humana, esta condição "ínfima", contudo, por ser "humana", capaz de brilho maior do que o esplendor ingente das estrelas. Desculpe se achou que falei em Deus, desculpe-me se a minha falta de sono invadiu a sua "certeza", mas, nesta madrugada, não teria como não deixar de mencionar esta dúvida antiga a respeito de qual seria mesmo o verdadeiro nome "d'Aquele" que sinto aqui, no escuro do íntimo e da dor. Poderíamos, eu ou você, chamá-lo "Deus"? Mais uma vez, salva a "hipocrisia" humana, desculpe se minha realidade em encontrá-lo reside mais em fragilidade e hipossuficiência do que em em superação e auto suficiência, pois, não sei se felizmente ou infelizmente, o Deus que concebi, até então, é-me mais queda do que Éden.
Talvez, penso, diante d'Ele, assim mensurei, "joelhos dobrados" tenham mais fundamento e perpetuação do que poderes e glórias deste lugar aqui. Aquele sonho tão antigo de voar acima das estrelas, com "asas de Ícaro", sucumbiria diante da cruel realidade de sermos, antes de mente e espírito, "corpus"? A ideia prepotente de "superação", crônica e "original", desde a ideia de "perfeição", almejada para o Éden, seria antagonismo predeterminado a uma "volta" a partir da "reentrega total" fincada na prostração? Sem pretender influenciar, mas, tanto eu, pessoalmente, quanto grandes homens que li e escutei, vivenciaram, com o fim de garantir, que, absolutamente conheceram, muito melhor, na essência, na raiz, pessoas, coisas e situações, exatamente naqueles momentos em que se encontravam reclinados, em prostração e sentimento íntimo de morte e derrota total, ou, pelo menos, e, no mínimo, em genuflexão.
Ao longo de séculos, parece mesmo ser incrível ou misterioso, que, joelhos dobrados parece haver vencido forças e potestades, poderes e hegemonias, governos e ideologias. Bem assim, a boa-nova foi sempre prevalente e as boas-ações eternamente comandantes da melhor forma de superação, qual seja, a transformação do velho em novo, na condição, original e precípua, de cantar, mesmo que esteja aparentemente em queda, um "cântico novo".
Do Livro: "Arroubas do Pensamento - Corolários de Filosofia" Paulo Barros.
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