NE: Antes de mais nada, um agradecimento especial ao poeta Leonardo Magalhaens por essa intenção de colaborar com a nossa plataforma, de forma espontânea, trazendo boas matérias, discussões, opiniões e entrevistas esclarecedoras. Obrigado pelos envios. Continue, amigo. Sempre bem-vindo.
O produtor cultural, pesquisador e youtuber literário, poeta Leonardo Magalhaens entrevistou com exclusividade para a Plataforma do Facetubes, o poeta e editor Rodrigo Starling, sobre suas atividades e produções literárias.
Starling tem vasta obra como poeta e filósofo e editor (Selo Starling), além de dedicar-se à divulgação do voluntariado transformador. Na verdade, a mente por trás da saudosa (OPA!) e do atual Minas Voluntários.
A ENTREVISTA
Leonardo Magalhaens: Quem é Rodrigo Starling?
Rodrigo Starling: Sou um idealista pragmático, isto é, um homem com todas as imperfeições da raça, em constante busca por evolução. Viajor no fluxo, ciente que a terra é planeta-escola, cada experiência uma prova, cada discurso uma arguição, cada livro uma inscrição na lousa da eternidade. Mais que palavras, busco o que sua e sangra, depois enobrece e estanca... Especialmente pela arte literária e pelo amor demonstrado: o Voluntariado Transformador, a unificação dos "contrários".
2.Vamos começar pela poesia. No princípio havia a Palavra... Como foi sua abdução pela arte poética? Como você descobriu que a poesia seria sua forma de expressão?
RS: Pela leitura do poeta Augusto dos Anjos, que eviscerou a palavra... Pela audição de The Piper at the Gates of Dawn, álbum de estreia do Pink Floyd, especialmente a tradução das letras, escritas pelo compositor e visionário Roger Keith "Syd" Barrett, gênio! Depois veio a leitura dos “Malditos Franceses”, Baudelaire e cia, onde a poesia se materializou como crítica e ironia à alta sociedade, poesia como forma de expressão no mundo: um lugar na fila do pão, uma bocada no quilo de sal.
3.Agora vamos mais para a filosofia. O livre pensamento é uma das conquistas do ser humano e nos últimos 500 anos voltamos a pensar sem coerções dogmáticas. O pensamento filosófico se debruça sobre as questões de possibilidade do conhecimento, sobre a liberdade ou livre arbítrio e sobre o sentido da vida. Como você lida com as questões do pensamento filosófico? Mais cético ou mais entusiasmado?
RS: Mais entusiasmado. Do grego "enthousiasmos" significa "ter um deus interior" ou "estar possuído por Deus". Não necessariamente o das religiões, mas sim o da simplicidade e essência de todas as coisas.
Vejo a filosofia como um estado de excitação permanente, com possibilidade de evoluirmos no uso do livre-arbítrio. Explico: temos liberdade para escolher e fazer o que julgamos o melhor em cada etapa da vida, e colheremos na exata proporção desta escolha, joio ou trigo, independente se cremos ou não. Penso ser um "mecanismo" divino, justo e proporcional.
Nota: filosofar não é reproduzir o que já disseram os grandes pensadores e filósofos do passado. É útil, mas isso é história. Filosofar é um expandir-se constante, da maiêutica socrática aos prompts do ChatGPT, e além...
4. Poesia e filosofia estão entrelaçadas em várias obras de vários autores. A arte poética e o pensamento filosófico estão unidos em tradições orientais desde a antiguidade. Vários textos são poéticos e filosóficos, vide o Livro de Job ou o Bhagavad Gita ... Quais obras ou autores você citaria com este casamento alquímico de poesia e filosofia?
RS: São muitos, cito os prediletos:
(*) Os brasileiros Augusto dos Anjos e Alphonsus de Guimaraens;
(*) O francês Charles Baudelaire e cia de “Malditos”;
(*) O poeta alemão Hölderlin;
(*) O português Herberto Helder.
5. Desde 2010, com o fim da marcante OPA, você tem se dedicado ao selo editorial Starling para publicação de obras próprias e de vários autores e várias autoras com grande sucesso e reconhecimento no meio literário. Também a publicação de antologias poéticas com autores experientes e outros mais iniciantes. Poderia fazer um panorama destas publicações e antologias?
RS: O foco do Selo Editorial Starling é oferecer aos autores o que eu gostaria que alguma editora ou selo tivesse me oferecido há 20 anos. Assim, por “conhecer as dores” dos autores independentes, tanto em obras coletivas como individuais, acredito que temos logrado relativo êxito, especialmente pela flexibilidade e atendimento personalizado.
Nosso maior diferencial é não temos uma visão puramente empresarial, que basta pagar para publicar... Acreditamos ser necessário haver alguma sinergia entre Selo e autor/autores. Outro ponto: não consideramos poeta/autores todos que escrevem... Antes de publicar, observamos alguns critérios. A arte não aceita desaforo! Se entramos nessa, quebraremos, com certeza, como já vi acontecer várias vezes, com selos e editoras “caça-níqueis”.
6. Para finalizarmos a entrevista com o poeta e filósofo e editor e divulgador do voluntariado transformador Rodrigo Starling gostaríamos de agradecer o convite do poeta Mhario Lincoln e ao Facetubes. Rodrigo Starling, poderia falar agora sua atuação em prol do voluntariado transformador? Do que se trata e como podemos participar? Agradecemos novamente sua participação!
RS: Por Voluntariado Transformador compreendemos o modelo de ação social que: transita do campo individual para o coletivo, dos grupos isolados para as redes, da crítica negativa para a cooperação e do assistencialismo para o desenvolvimento sustentável.
De forma didática, imaginemos quatro grandes engrenagens conectadas: governos, empresas, sociedade civil organizada e cidadãos. O Voluntariado Transformador é a graxa que lubrifica e movimenta estas relações intersetoriais, onde os setores e cidadãos dialogam, se “re-conhecem” e se “re-conectam”, coexistindo e cooperando. Pela prática deste voluntariado, governos, empresas, sociedade civil organizada e cidadãos têm a oportunidade de empoderar-se mutuamente, de legitimar suas decisões pautados pela ética, senão expressa, desejada pela maioria. Além disso, podem assegurar-se de que são os voluntários que sustentarão o desenvolvimento a longo prazo, haja vista que agem por motivações cívicas e de compaixão (não competição), na luta para conciliar economia e altruísmo.
O que nos preocupa e a real capacidade de governos (Smart Cities - Cidades Inteligentes e Sustentaveis?), empresas (com seus acurados sistemas de ESG - Environmental, social and Governance), sociedade civil organizada (com a abertura, legítima, de diversos fóruns de participação e consulta) e cidadãos (ativos e voluntários), efetivamente, expandirem as consciências, expandi-las a ponto de superarem o determinismo dos hábitos. Praticar o Voluntariado Transformador é uma forma efetiva de Cooperação, para “nosso Futuro comum”, em Regeneração.
Na proporção dos grandes avanços e descobertas, tal conquista demarcaria a efetiva passagem do Homo Sapiens Sapiens ao Homo Sapiens Solidarius: é chegada a hora e a vez do Voluntariado Transformador.
O Minas Voluntários é um sonho que se tornou realidade - presencial ou on-line - de fazer esta passagem... Convido a todos a somarem conosco!
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Gratidão pela oportunidade!
Meus contatos: +55 (31) 99292-9805
[email protected]
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Entrevista por LdeM para o FaceTubes. @Esta obra não tem fins lucrativos.
VÍDEOS BÔNUS
Entrevista exclusiva feita por Leonardo Magalhaens com Rodrigo Starling, em vídeo. São 4 momentos com assuntos interessantes. Inclusive com o próprio Starling recitando seus poemas.
PARTE I
PARTE II
PARTE III
PARTE IV-ÚLTIMA
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