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"Dia de Finados": essas reações acontecem também com você?

Mhario Lincoln é editor-sênior da Plataforma www.facetubes.com.br

02/11/2023 às 10h54
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario LIncoln
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Dia de Finados (Arte:MHL/IA).
Dia de Finados (Arte:MHL/IA).

 

*Mhario Lincoln

 

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O "Dia de Finados", comemorado com reverência e memória, traz consigo mais do que o simples ato de lembrar aqueles que partiram. Ele se entrelaça profundamente com os abismos da psique humana, revelando inseguranças, medos e a busca incessante por significado.

Com base nessas observações, geralmente entro numa espécie de reflexão profunda sobre a efemeridade da vida e o destino inexorável que nos aguarda: a morte. Ainda fico muito triste.

Então, passei-me a perguntar: por que os dias que antecedem "Finados" parecem trazer consigo uma névoa de melancolia e tristeza? Nesta semana, pesquisei sobre isso para entender se somente eu sentia essas reações. Não! Centenas de pessoas (possivelmente as que me leem agora) também demonstram as mesmas ansiedades.

A primeira e mais evidente razão - acho eu, a psicológica - é o luto. A perda de entes queridos, seja recente ou distante, pode ser ressuscitada nessa data, onde emergem sentimentos periféricos. O "Dia de Finados" pode atuar resgatando dores que, em outros momentos, são habilmente reprimidas ou evitadas.

Outra dimensão psicológica - a mim estranha e até então imperceptível - reside no confronto com a própria mortalidade. Ou seja, ao me lembrar de meus mortos posso ser “...levado a refletir sobre sua própria finitude. Este confronto direto com a efemeridade da vida pode gerar ansiedade e desespero", e complementa Otto Rank, psicanalista, escritor, professor e terapeuta austríaco: "(...) o medo da morte é o núcleo central de outros medos, tornando-se a principal fonte de criatividade".

Leio isso e acho incrível uma coisa: embora a morte seja uma realidade inescapável, o medo dela pode ser transformado e canalizado de maneira atemporal, incluindo aí, os nossos mortos.

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Por que então esse sentimento depressivo, na maioria das vezes que se aproxima o "Dia de Finados"? Pode ser - em muitos casos - uma manifestação de problemas não resolvidos, trazendo à tona certos conflitos pessoais (entre o morto e a pessoa), fatalmente gerando ambivalências e sentimentos contraditórios culminando em depressão.

Meu amigo Luiz Gracindo, psicólogo curitibano me disse certa vez, quando lhe questionei sobre a data: "Mhario, o 'Dia de Finados' pode agir como um gatilho, trazendo à tona sentimentos reprimidos e não resolvidos relacionados à morte e ao luto. Nós, nesta exacerbada complexidade emocional, nem sempre estamos preparados para lidar com tais emoções, o que leva ao estados depressivos".

Na mesma linha, convido para a mesa para explicar melhor, o psicólogo existencialista Rollo Reece May, nascido em Ada, (Ohio), famoso por seu livro "Love and Will", lançado em 1969. Ele disse: "A consciência da morte é o pano de fundo sobre o qual a tela da vida é pintada". Esta percepção ilustra a ideia de que a consciência da morte é uma constante, moldando nossas decisões, ações e sentimentos, mesmo que de maneira subconsciente.

Devo concluir, então, que o peso do "Dia de Finados" não é apenas em memória dos que se foram, mas também no embate com a própria mortalidade. Um confronto diário sobre a impermanência existencial. Tal reconhecimento pode gerar medo e até mesmo ansiedade, pois nos faz questionar o significado e o valor de nossa jornada terrena.

Ao final, vou tentar, junto com outras concepções, seguir o que os budistas ensinam a milhares de ano, quando buscam encontrar significado e propósito no luto. Ao fazerem isso, podem ajudar a pessoa falecida em sua jornada contínua de consciência.

Acho que com mais leituras e observações de minhas atitudes e objetivos, talvez consiga, no amanhã, me sentir melhor diante dessa data. Afinal, "(...) a chave é abraçar essa jornada com coragem, fé e amor, buscando sempre a luz do entendimento e da esperança", como ouvi certa vez, em uma interessante palestra espírita de Divaldo Franco.

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Curitiba, 02/11/2023/Dia de Finados,

Mhario Lincoln

Presidente da Academia Poética Brasileira.

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Raimunda Pinheiro de Souza FrazãoHá 3 anos São José de Ribamar Eu visito os Cemitérios por uma questão de hábito, mas tenho a consciência que os meus entes queridos que foram para outro plano, tanto podem me ver dia de finados,como em outras datas. Dependendo das atividades que estejam desenvolvendo atualmente. Cada ser que parte vai cumprir outra missão.
Renata da Silva de BarcelllosHá 3 anos Rio de JaneiroDia de lembrar dos que já se foram e que nós vamos também. Pelo contexto social, dia de termos consciência de que todos são iguais.
Zé ArcanjoHá 3 anos São Luís MaPerfeito. Também sinto isso.
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