
*Mhario Lincoln
Li as duas poesias que minha amiga, poeta Alcina Maria enviou.
GUERRA! A POESIA ESTÁ EM LUTO
Autora: Alcina Maria Silva Azevedo
A poesia acordou triste.
Ao ver sangue derramado
E a dor dos inocentes.
Anestesiando o coração.
Acorde homem!
Seu tempo aqui está a terminar.
E em luto de tormentos.
Sua alma irá reinar!
Lá será o seu reinado.
Preparado por você.
DEUS NOS DEU O LIVRE ARBÍTRIO E, TUDO ISSO ACONTECE.
Com relação poesia de nome "Guerra! A Poesia Está em Luto", de Alcina Azevedo, tomo a liberdade de dizer que é uma página lírica triste que denota a angústia e o desespero diante da brutalidade da guerra e suas consequências. A poesia, tradicionalmente um veículo de expressão de beleza e elevação espiritual, é aqui apresentada em estado de luto, profundamente afetada pela violência e dor humanas, da mesma forma que afeta, intimamente a própria autora.
" A poesia acorda triste". Claro que essa tristeza reflete a sensibilidade lírica de Alcina, em diversos sentidos pessoais e intransferíveis. Mas o fato: a guerra é, sim, uma realidade brutal, um contraste agudo com a sua natureza da poesia, geralmente sublime. "Sangue derramada" e a "dor dos inocentes" são imagens poderosas que falam da destruição não apenas física, mas também espiritual e moral. Com isso Alcina tenta exemplificar o drama que podem passar as pessoas envoltas nessa situação destruidora. Tanto que a segunda estrofe é um apelo à humanidade, a fim de que intecerda pelo final do conflito. A autora alerta sobre a efemeridade da existência humana e as consequências eternas de nossas ações.
Desta forma, quando ela escreve o "luto de tormentos" marca na página com letras de sangue, quase que um futuro sombrio para aqueles que perpetuam a violência, um reinado solitário, diante das tragédias coletivas. O texto da poeta Alcina Maria chega a ultrapassar o status quo lírico, porque a guerra, em sua visão, não é apenas um evento externo, mas um espelho das batalhas internas, dos aspectos reprimidos e não reconhecidos da própria psique humanista. A "poesia em luto" seria uma manifestação da dor coletiva e do lamento pela perda da inocência e da integridade humana.
Isso me levou ainda mais longe ao chamar para a mesma mesa minha, Viktor Frankl, neuropsiquiatra austríaco e fundador da terceira escola vienense de psicoterapia, a Logoterapia e Análise Existencial, cujos livros tenho lido nas minhas folgas, ultimamente. Com base no que li posso fazer uma comparação superficial com a poética de Alcina Maria. Até dizer que nesse poema há um grito por uma responsabilidade individual e uma busca de sentido, mesmo diante do caos. E qual sentido seria - eu pergunto - se até mesmo, na concepção alciniana, a poesia está de luto?
Entendeu a profundidade da interpretação fora do conceitual lexical?
ELA E AS FLORES
Ela se deitou em baixo da arvore florida
Estava nua.
As pétalas das flores, gemiam com a beleza dela
Foram caindo e,
Cobriram sua nudez,
Com uma veste perfumada
Adornando sua tez.
E a natureza se exaltava.
Exalando o perfume
Das flores enciumadas.
Alcina Maria Silva Azevedo.
Já a poesia “Ela e as Flores” também de Alcina Azevedo é uma bela representação do jogo entre a natureza e a figura feminina. A autora utiliza a imagem de uma mulher nua deitada sob uma árvore florida para criar uma cena de beleza e harmonia. As flores, enciumadas pela beleza da mulher, cobrem sua nudez com suas pétalas, criando uma “veste perfumada”. A natureza, por sua vez, se exalta, exalando o perfume das flores.
Aparentemente essa poesia parece simples.
Porém, haja vista conhecer bem fundo o ato de criação da amiga e poeta Alcina Maria, com certeza sei que as seguintes considerações, se eu fosse Carl Jang, seriam mais que pertinentes começando com uma frase dele: "(...) quem olha para fora sonha, quem olha para dentro, desperta". (pensador.com).
Assim é a poesia "Ela e as Flores" porque ao se deitar sob a árvore, pode estar sonhando com a beleza e a harmonia da natureza; e ao se cobrir com pétalas, desperta para a realidade de sua própria beleza e feminilidade.
Não vamos longe. Mario Quintana, por exemplo, costumava escrever que a poesia possui as coisas vivas. "O resto é necropsia" (pensador.com), avivando minha certeza de que há total interação entre a mulher e a natureza, destacando a vitalidade e a beleza presentes na cena.
Desta forma, “Ela e as Flores” é uma poesia que celebra a beleza e a harmonia entre a mulher e a natureza, conseguindo capturar a essência da beleza feminina e da natureza de uma maneira delicada e poética, fato que sempre colore as criações poética de Alcina Maria, corajosamente poética até a última gota de seu sangue.
No fundo, Alcina refaz um paradoxo secular da própria vida, comparando as duas poesias acima publicadas. Parabéns.
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