Terça, 01 de Setembro de 2026 22:28
(xx) xxxxx-xxxx
Cultura CRÔNICAS

Mhario Lincoln: "A felicidade de ter as dançarinas de Flamenco, como amigas e musas"

"Confesso que esta rápida crônica me foi inspirada pela foto da poeta e atriz Linda Barros, que interpreta uma bailarina flamenca".

01/12/2023 12h20 Atualizada há 3 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln
A atriz Linda Barros e sua performance flamenca
A atriz Linda Barros e sua performance flamenca

*Mhario Lincoln

 

Meu fascínio pela dança flamenca acabou me levando a renavegar pelo universo dessa arte milenar, que expressa a cultura e a alma do povo Andaluz. 

Continua após a publicidade


Confesso que esta rápida crônica me foi inspirada pela foto da poeta e atriz Linda Barros, que interpreta uma bailarina flamenca. Ela acabou me relembrando 1996, quando tive que estudar essa tema, a fim de participar de um concurso de ensaios, promovido pela Embaixada da Espanha, no Brasil. E como um 'nó puxa outro', acabei resgatanto, também, um de meus poemas épicos, premiado em Portugal, que celebra a beleza e a força dessa manifestação artística: "A Cigana do Flamenco".


Aqui no texto, claro, destaque para a performance de Linda Barros ao interpretar um elemento tradicional e simbólico da dança flamenca, desde o vestido, às cores e às rendas, criando um conjunto de encanto e de história.


Aliás, o poeta espanhol Federico García Lorca foi quem mais soube captar, em seus versos, a essência do "Cante Jondo", o primitivo canto Andaluz, que acompanha a dança flamenca, uma poesia em movimento, que narra a música e a coreografia, com riquezas líricas e emocionais. É uma dança que evoca o mistério e o romance, a paixão e a força, o virtuosismo e a sensibilidade: que reflete a vida e a identidade de um povo.


Tal qual a performance (individual) de Linda Barros, essa alegoria flamenca me fez voltar no tempo e alcançar momentos em que tive muitas felicidades, quando ainda iniciava, de forma corajosa, meu mundo de poeta e escritor, abandonando, depois, gradativamente, minha carreira de jornalista profissional diário.


Abaixo, a letra do poema épica, "A Cigana do Flamenco", que teve duas interpretações magníficas. Uma do grande ator e diretor de teatro Domingos Tourinho e outra, no "Curta metragem", do ator Claudio Marconcine. A atriz convidada é a curitibana Isabelle Aguilar, filha da confreira APB/PR, Dione MS Rosa. A música é minha e de Chiquinho França (também premiada). "Amanhecer", do CD "Baixada", que está no Spotify.


******

Continua após a publicidade


A CIGANA DO FLAMENCO
(*) Mhario Lincoln


Por ti sonhei deveras
pelas hóstias, comunguei, 
sinceras vezes, refiz,
minha Eucaristia.

Loucos sonhos me abraçam, 
na tez noturna, soturna,
louc'ardente sofrimento.

Meu lamento é mortuária urna,
sangue dilacerado pelo ontem.
Espanca, ode a ela, Florbela,
Pois minha dor é letal, 
meu pobre coração arde.

Mas já é tarde. Foi-se a carne.
Ficou a saudade, o lume
O inesquecível perfume 
da tua tarde cigana, 
Ah! Amor do meu Palco, 
atordoas meu cansaço pueril.

Ah! Cigana do Flamenco, 
deixa-me ainda viver em teu elenco, 
com minhas privações
de ancião vazio, beijando tua sombra.
Amor ineficaz de Pirro, loucas paixões,
assombradas pela alma que vagueia.

Continua após a publicidade

Longe de meus olhos, atrás de mim.
E minha cabeça, levem-na ao cadafalso.
Que a guilhotina corte a jugular
de uma saudade desatina.
 
E só, minha pobre alma saqueia, 
como pirata em meu mar descalço, 
todas as esperanças, sem piedade. 

Mas, por favor, 
dançarina de Flamenco. 
Onde estás?
Não sou mais teu, nem rapaz, 
mas sou gente imerso em chamas, 
dependente, indulgente!

E se lembrares, um dia, 
Paco de Lucía,
ou Carmen Linares, 
Sente o perfume de quem te beijou um dia,
sente o abraço de quem morreu por ti.
Sente o grito de pavor quando te vi sumir.

Olha pra trás e vês, quantos passos, 
Passos, passos, passos, passos milhares,
que te seguiram, seguiram, seguiram...
sem rancor, sem destino, 
pura incoerência,
...até se perder no deserto 
da minha inconsciência!


Mhario Lincoln/Julho de 2010

 

*********

Vídeo-Bônus

 

*Mhario Lincoln é Presidente da Academia Poética Brasileira

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Linda BarrosHá 3 anos atrásSão Luís -MaranhãoQué texto hermoso!!!! Muchísimas gracias Milord por esa expresión tan formidable sobre El Flamenco, es de verdad un ritmo caliente y que expresa un sentimiento de mucho sofrimiento! Dale!!!!
MK de LimaHá 3 anos atrásCaxias MALinda querida, numa das entrevistas que o Mhario fez com você, em uma das respostas você disse: é difícil para uma mulher moderna detentora dessas bases antropológicas no todo ou em parte, (singeleza e do vigor), admitir-se realmente apaixonada, sem prejuízo dessas características. Você acha que uma mulher moderna e cheia de vigor intelectual tem dificuldades em amar um parceiro (a)? Esperei uma oportunidade pra vc explicar pra mim. Eu sinto isso. Estou só até hoje. Nunca dá certo.
Olinda T.Há 3 anos atrásSão Luís MAAh! Cigana do Flamenco, deixa-me ainda viver em teu elenco, com minhas privações de ancião vazio, beijando tua sombra. Amor ineficaz de Pirro, loucas paixões, assombradas pela alma que vagueia. Caro poeta Mhario. Chega a dar pena esses versos. Calma, Você não está tão velho assim. O amor, quem sabe, é que pode ter envelhecido. Será????
Almir de Jesus Dantas, bailarino.Há 3 anos atrásTablado, Rio de Janeiro/RJO flamenco e o universo poético de Lorca se encontram no gestual também, viu Linda Barros (expressividade incrível). Assisti a um belo espetáculo com textos de diferentes momentos da trajetória do poeta. Vi Bernarda, montagem do bailarino Antonio Canales e seu grupo de Ballet Flamenco, com base na última peça de Lorca, A Casa de Bernarda Alba. Canales disse: Lorca é um dramaturgo muito flamenco, pois realiza um teatro de dor e de sangue. E a tragédia de Lorca e do flamenco se cruzam.
Laís CaldasHá 3 anos atrásProfessora de dança, em Brasília DFSe teve uma pessoa que amou Flamenco foi Lorca. O flamenco e o universo poético de Federico Garcia Lorca se encontram numa partitura musical e gestual em diálogo com os dias atuais. Com nove bailarinos e quatro músicos em cena, textos de diferentes momentos da trajetória do poeta são convertidos em música e dança para falar de temas como vida e morte, dores e alegrias, amores e solidão. Linda Barros poderia ser, hoje, a musa de Lorca. Poeta, atriz e fantástica ser humana.
Mostrar mais comentários
Mostrar mais comentários
Curitiba, PR
Atualizado às 22h01
11°
Tempo limpo

Mín. 12° Máx. 19°

11° Sensação
2.06 km/h Vento
96% Umidade do ar
100% (21.89mm) Chance de chuva
Amanhã (02/09)

Mín. 11° Máx. 18°

Tempo nublado
Quinta (03/09)

Mín. Máx. 22°

Tempo limpo
Ele1 - Criar site de notícias