
Linda Barros
O que nos move enquanto seres humanos? Sentimentos? Emoções (alegria, tristeza)? Amigos? Família? Dinheiro? Poder? Status? E o que dizer de nossas memórias, sejam elas afetivas ou não? Passado e Presente são dois caminhos pelos quais percorremos: o primeiro, não temos como voltar e concertar as coisas, o segundo, é passível de mudanças, no entanto, é algo tão comum, que nem percebemos quão veloz ele passa e assim, passa despercebido. Então, o que fazemos? Vivemos de memórias.
E como diz o cantor, compositor, músico e ator Ricardo Arjona,
“La casa no es otra cosa
Que un cementerio de historias
Enterradas en fosas
Que algunos llaman memorias”.
Na letra da canção “Minutos”, Ricardo Arjonas nos lembra do quão necessárias são nossas lembranças e de quão importante são nossas casas, sejam elas pequenas, grandes, enormes; sofisticadas ou simples, o certo é que, nosso lar está repleto de lembranças.
Como bem disse Paulo Freire, “A leitura do mundo precede a leitura da palavra”, é o que faz a artista plástica e escritora vianense Susana Pinheiro, que, em seu livro “Um Conto para Davi Dormir- Memórias de minha infância” (São Luís, Viegas Editora, 2021, 68 páginas), nos transporta para um mundo imaginário, mas perfeitamente verossímil, onde podemos ter contato com o universo pitoresco de nossas lembranças infantis. Joãozinho Perfeitinho é um menino que vive com a mãe em uma casa que era “feita de madeira, coberta por telhas de cerâmica vermelha e suspensa por colunas fortes, toras de madeira, que sustentavam toda a estrutura e deixavam a casa distante do chão”.
Imediatamente o leitor mais ávido é levado a um mundo imaginário carregado de lembras vivas como o tempo que passou.
A obra de Susana Pinheiro é rica em detalhes da natureza, como enormes e robustas árvores, como a centenária sumareira, além de grande, a árvore era carregada de histórias, já que era uma das antigas no Brasil. “Um Conto para Davi Dormir”, a artista plástica também traz um pouco da Viana dos belos lagos, lugar onde viveu boa parte de sua infância.
Outro detalhe que chama a atenção no livro são as ilustrações, feitas pela própria autora. Susana Pinheiro utilizou a técnica da aquarela para colorir sua obra, dando ainda mais vida aos passos ligeiros de Joãozinho, o menino sem rosto, criado para usar o imaginário do leitor e fazer com que cada um que tenha contato com a obra, possa se vê, se enxergar e correr nas velozes pernas do pequeno andarilho, mas sempre às vistas de sua cuidadosa mãe. Mais um detalhe na obra, merece ser mencionado, e que, não deve passar despercebido pelo leitor mais ávido, é um nome avulso, no meio da história, sem nenhuma explicação, cabendo a cada um, dar sua versão.
Talvez, quando temos um livro em mente, pensamos em um público alvo ou não, mas certamente esperamos almejar algo maior, ou pelo menos que ele seja lido, por qualquer pessoa, de qualquer idade, de qualquer classe, o certo é que tenha algum alcance além das prateleiras de nossas casas. Sendo assim, a obra de Susana Pinheiro já tem um alcance além do imaginário infantil, pois ela pode ser apreciada também pelo leitor adulto, já que, a obra é um recorte perfeito para nossas memórias de infância.
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